FACIM 2024: AICS e Sector Privado contribuindo para o desenvolvimento sustentável de Moçambique

A Agência Italiana para a Cooperação ao Desenvolvimento (AICS) participou da 59ª edição da Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), realizada sob o lema “Industrialização: Inovação e Diversificação da Economia Nacional”, em Marracuene, de 26 de agosto a 1 de setembro.

A FACIM, a maior feira do setor privado em Moçambique, tem como principal objetivo promover trocas comerciais, estimular a produção e o consumo, e atrair investimentos para o país. Nesta edição, mais de 3 mil expositores de 26 países estiveram presentes, incluindo 2.300 empresas moçambicanas e 750 operadores económicos estrangeiros. O stand da AICS estava localizado no pavilhão da Itália, onde 17 empresas italianas apresentaram a excelência do “Made in Italy”.

Durante o evento, a AICS organizou um programa cultural. No âmbito do projeto de prevenção e controlo de doenças não transmissíveis, mais de 40 visitantes puderam medir a pressão arterial e a glicemia. Aqueles com valores elevados de glicemia e pressão arterial receberam recomendações para prevenir doenças como os diabetes.

Além disso, foi apresentado o projeto de infraestruturas urbanas verdes e resilientes, que através do qual, será construída a primeira Unidade de Compostagem Municipal em Maputo, com o envolvimento de parceiros do sector privado.

O projeto INCLU.DE apresentou a parceria com a REMOTELINE, uma empresa moçambicana que oferece interpretação em língua de sinais para facilitar a comunicação com pessoas com deficiência auditiva por meio de chamadas via WhatsApp.

Os visitantes também tiveram a oportunidade de conhecer diversas cooperativas e empresas apoiadas pela AICS, como a empresa Kuvanga, que comercializa frutas desidratadas como manga, ananás e coco em Inhambane, a cooperativa de frutas de Barué, especializada na comercialização de litchi, e a Associação dos Produtores de Café do Ibo, que comercializa o café do Ibo, no âmbito do projeto MAIS VALOR 1.

Os agricultores do Programa DELPAZ realçaram a sua alegria e satisfação na participação na feira internacional de Maputo, onde

conseguiram expor e vender os seus produtos, milho, feijão, cebola, amendoim, mapira, etc., e sobretudo dar a conhecer as boas práticas e fazer networking, como frisado pela reportagem a eles dedicadas pela cadeia televisiva internacional RTP, no Repórter África do dia 29 de agosto.

O stand da AICS atraiu um grande número de visitantes, incluindo empresários, jornalistas e parceiros interessados na cooperação italiana e, em particular, no trabalho da AICS com o sector privado em Moçambique. Entre os visitantes, destacamos a presença do Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, acompanhado de Osvaldo Petersburgo, Secretário de Estado da Juventude e Emprego. Ambos tiveram a oportunidade de dialogar com o Team Leader de Criação de Emprego, Alberto Tanganelli, sobre a nova estratégia da AICS para promover a inovação no emprego em parceria com entidades locais.

Mulheres reiteram com grito “não à guerra” em acampamento solidário em Guro

Mais de 250 mulheres das províncias de Tete, Manica e Sofala reiteraram com um grito uníssono, “não à guerra”, na abertura a 15 de abril do segundo acampamento solidário promovido pelo Programa DELPAZ até 16 de Abril no distrito de Guro, na província de Manica, realçando que a paz e segurança estão a cooperar para sua consolidação económica.

O acampamento solidário de dois dias que decorre sob o lema “Mulheres de mãos dadas, construindo paz através do desenvolvimento económico inclusivo”, reúne no mesmo espaço mulheres de diferentes origens, trajetórias e histórias, para compartilhar saberes, fortalecer os laços de afeição e construir coletivamente ideias para a sua autonomia económica.

Num ambiente onde o protagonismo feminino floresce, elas admitem que os desafios enfrentados pelas mulheres no campo, na cidade e nas periferias podem serem agravados por conflitos, enquanto já assinalaram avanços gigantescos no seu empoderamento.

“Continuamos a encorajar a mulher na busca pela paz e segurança, porque é num espaço seguro onde ela consegue tomar decisões”, referiu Anchia Mulima, coordenadora da Levanta Mulher e Siga o Seu Caminho (LEMUSICA), que integra a Rede Feminina Centro.

Acrescentou que “a nossa expectativa neste acampamento é que as mulheres continuem a crescer economicamente. Daí o nosso grito [não à guerra]. A estabilidade económica vai reduzir a tripla violência de que as mulheres são vitimas: doméstica, física e económica”.

Para ela a violência, desigualdade, machismo, falta de acesso a terra, a moradia e aos direitos básicos devem ser parte da declaração deste ano, para que os decisores tenham em consideração as lutas das mulheres.

Outra participante, Inês Chifinha, coordenadora do grupo de mulher de partilha de ideia de Sofala (GMPIS), anota que “como o DELPAZ está no fim e estamos também a finalizar os acampamentos, queremos que as mulheres continuem a implementar os conhecimentos obtidos, nas várias áreas, para sua sustentabilidade económica”.

“Queremos que a mulher tenha autonomia económica, para não depender do governo e nem de projetos [que vem e vão], e use o conhecimento valioso na agricultura promovido pelo DELPAZ para sua riqueza”, enfatizou.

Enquanto embala o seu filho no colo, Elsa Francisco, olha o acampamento como um lugar de esperança, e aguarda sair dali diferente em conhecimento, com os calorosos debates nas rodas de conversa, cantos e partilhas.

Durante a tarde da terça-feira as mulheres debateram efusivamente temas como: conflitos armados, construção da paz inclusiva, economia da mulher e empoderamento económico, mudanças climáticas, género e agenda 1325, além da violência baseada no género.

Além dos debates, as mulheres visitaram a feira das mulheres, onde estão expostos produtos produzidos por elas com o conhecimento adquirido no âmbito do DELPAZ.

Para assegurar a inclusão de todas e todos o acampamento utiliza métodos feministas de base comunitária que se centram na utilização de uma abordagem transformadora, de diálogos nas línguas locais a fim de criar empatia e aumentar a autoestima e espaços seguros como a lareira das mulheres que se realiza na noite de 15 de Abril.

 Cada mulher chega ao acampamento, traz sua força, sua dor, sua luta, e sai mais forte, mais consciente e mais conectadas com as outras, que também sonham e lutam para um Moçambique melhor.

Este é o segundo acampamento solidário, onde as vozes e histórias das mulheres, como atores locais do DELPAZ, em Manica, Sofala e Tete, estão a ser partilhadas e escutadas, e que depois será elaborada uma declaração que garanta que as necessidades das mulheres sejam devidamente consideradas.

O primeiro foi realizado em Novembro de 2023, em Inhazónia, distrito de Barué, ainda na província de Manica.

O DELPAZ, um programa do Governo de Moçambique, financiado pela União Europeia, abrange os temas da Governação Local e do Desenvolvimento Economico Local para a consolidação da paz. Em estrita coordenação com os governos locais, e’ implementado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), com a colaboração de dois consórcios de organizações da sociedade civil liderados pela ONG Helpcode na Província de Manica, e pela ONG Save The Children na Província de Tete; enquanto em Sofala o programa é implementado pela Agência Austríaca de Desenvolvimento (ADA). Nas tres Províncias, o Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital  (UNCDF) é responsável pela componente de governação local inclusiva.

A AICS financia também uma outra iniciativa chamada “Manica para as Mulheres”, coordenada pelo Progettomondo em parceria com CAM (Consórcio de Associações de Moçambicana), a Helpcode,  Fundação Micaia GMPIS, AITR (Associação Italiana de Turismo Responsável) e Legacoop Emilia-Romagna. “Manica para as Mulheres” visa promover a paz e o desenvolvimento sustentável e inclusivo na província de Manica através da participação das mulheres na economia rural, com foco nos sectores agrícola, comercial e de turismo rural nos distritos de Báruè, Macossa, Tambara e Guro.

A Itália ajuda o PAM a aumentar a capacidade de resiliência dos agricultores em Moçambique

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM) congratula-se com uma contribuição de 2 milhões de euros do Governo italiano que ajudará a combater as vulnerabilidades induzidas pelas alterações climáticas e a reforçar a segurança alimentar e nutricional de 10 000 pessoas, incluindo pequenos agricultores, jovens e mulheres de organizações de agricultores seleccionadas na província de Tete, no centro de Moçambique.

A subvenção, atribuída pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), surge numa altura crítica em que a crise climática se está a intensificar, com fenómenos meteorológicos extremos como ciclones, inundações e secas a ocorrerem com maior frequência e intensidade.

“Este é um projeto muito especial porque a agricultura é um sector em que acreditamos firmemente e é um dos pilares da cooperação italiana em Moçambique”, disse o Embaixador de Itália, Gianni Bardini, durante a cerimónia de assinatura hoje em Maputo.

“Ultrapassar as adversidades das alterações climáticas significa melhorar os meios de subsistência das comunidades vulneráveis que dependem da agricultura. É, portanto, essencial consolidar práticas agrícolas inteligentes em termos de clima e melhorar a gestão pós-colheita”, diz Antonella D’Aprile, Directora e Representante do PAM em Moçambique. A agricultura é responsável por 80% do PIB de Moçambique, a maior parte do qual provém da produção de pequenos agricultores. As catástrofes induzidas pelo clima afectam, portanto, os mais vulneráveis e, à medida que a variabilidade da precipitação e as temperaturas médias aumentam, a cobertura vegetal está a diminuir.

“Este projeto faz parte dos esforços da cooperação italiana para melhorar a agricultura em Moçambique face às alterações climáticas, em particular o El Niño. O foco no Corredor da Beira é crucial para Moçambique e países vizinhos como o Malawi e o Zimbabué”, disse Paolo Enrico Sertoli, Diretor da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, Escritório Regional de Maputo. “Também se baseia nas iniciativas da Cooperação Italiana na província de Tete, como o programa DELPAZ, que contribui para a paz e o desenvolvimento socioeconómico, melhorando as capacidades dos agricultores locais.”

A assinatura da iniciativa atesta o trabalho de coordenação e importantes sinergias que, partindo do conhecimento do território e das condições socioeconómicas de alguns distritos da Província de Tete, em busca de soluções técnicas adequadas e assistência técnica especializada, encontrou na Província e no PAM os parceiros ideais para abraçar mais um desafio, o de contribuir para melhorar as condições de vida de mais de 2.000 famílias de produtores dos Distritos de Moatize e Dôa.

“Nos últimos três anos, graças ao programa DELPAZ – Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz, financiado pela União Europeia, a Cooperação Italiana e o AICS trabalharam em estreita coordenação com a Província de Tete para relançar a economia das zonas mais afectadas pelo conflito e contribuir para a reintegração social e económica dos beneficiários do processo de DDR”, disse o Diretor do AICS Maputo.

A Itália é um parceiro estratégico do PAM em Moçambique. Desde 2020, a Itália financia actividades de emergência em Cabo Delgado e as operações do Serviço Aéreo Humanitário das Nações Unidas (UNHAS), gerido pelo PAM, em apoio a todas as organizações humanitárias. A contribuição mais recente é a primeira para actividades de desenvolvimento e reforço da resiliência destinadas a reforçar as capacidades dos agricultores e a segurança alimentar.

 

Itália e Moçambique celebram a renovação do Museu de História Natural

No dia 29 de setembro de 2025 teve lugar a cerimónia oficial de reabertura do Museu de História Natural de Maputo, após mais de dois anos de intensos trabalhos de reabilitação.

O projeto, financiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional de Itália (MAECI) através da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), representou um investimento de 4.250.000 euros especificamente destinados à requalificação do Museu, no quadro do programa RINO, através da sua componente COREBIOM, que promove iniciativas de valorização, reabilitação e conservação da biodiversidade marinha e terrestre.

Coordenado pelo Polo Museale da Universidade Sapienza de Roma, em parceria com a Estação Zoológica Anton Dohrn e a ONG WeWorld, o projeto inclui também a criação de um Centro Nacional de Conservação da Biodiversidade, com o objetivo de reforçar o papel do Museu como referência científica e educativa.

A cerimónia contou com a presença de diversas altas individualidades, entre as quais a Ministra da Cultura e Educação, Samaria Tovela, o Embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, o Diretor da AICS, Marco Riccardo Rusconi, o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Manuel Guilherme Júnior, e a Diretora do Museu, Lucília Chuquela.

Fundado em 1911 e instalado desde 1933 num edifício histórico de estilo manuelino, o Museu é um dos monumentos mais emblemáticos de Moçambique. Encerrado ao público em outubro de 2023, foi alvo de profundas intervenções arquitetónicas, museológicas e museográficas, conduzidas por uma equipa multidisciplinar de especialistas italianos e moçambicanos ligados à Universidade Sapienza.

Entre os principais destaques estão a instalação de painéis solares e de um elevador, a modernização do sistema de iluminação e climatização, a construção de casas de banho internas, a criação de uma livraria, uma cafetaria e rampas de acesso para pessoas com deficiência, além de uma sala para exposições temporárias.

No plano museológico, as exposições foram restauradas e atualizadas com uma abordagem moderna que recria os diferentes habitats naturais, acrescentando salas dedicadas às ervas marinhas e aos grandes habitantes do mar. O percurso foi enriquecido com informações acessíveis a pessoas com deficiência visual e auditiva, tornando a visita mais inclusiva e educativa.

Foi também criado um espaço educativo dedicado à descoberta da biodiversidade por crianças e jovens, e o Museu passou por uma operação de rebranding, com a criação de um novo logótipo que moderniza a imagem institucional, mantendo a ligação à sua identidade histórica. As coleções do Museu distinguem-se pela sua riqueza científica e patrimonial: contam com mais de 200 mamíferos, 10.137 aves, 176.527 insetos, 1.250 invertebrados e 150 répteis taxidermizados.

Entre os seus tesouros, destacam-se a única coleção de fetos de elefante do mundo, que documenta mês a mês o desenvolvimento gestacional até ao vigésimo segundo mês, e um exemplar de celacanto, considerado um verdadeiro “fóssil vivo”, capturado em agosto de 1991 no Canal de Moçambique — um marco para a ciência no país. O Museu requalificado passa também a integrar uma sala etnográfica com cerca de 500 objetos representativos das práticas culturais de diferentes povos moçambicanos — arte, escultura, música, ourivesaria, cerâmica e cestaria — complementada por um acervo fotográfico histórico.

Durante a cerimónia, o Embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, destacou: “O nosso objetivo comum era claro: não apenas restaurar um edifício histórico, mas relançar o Museu como porta de acesso ao conhecimento ambiental de Moçambique, como centro nacional para a conservação da biodiversidade e como espaço educativo e científico capaz de formar novas gerações de investigadores e cidadãos conscientes.”

O Diretor da AICS, Marco Riccardo Rusconi, sublinhou o impacto estrutural da iniciativa: “Um marco essencial desta transformação é a criação do Centro Nacional de Conservação da Biodiversidade, que já iniciou a preparação de protocolos de monitoramento e programas de capacitação em estreita colaboração com os Ministérios competentes e com a Universidade Eduardo Mondlane.”

Por sua vez, o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Manuel Guilherme Júnior, expressou o reconhecimento da instituição: “Queremos agradecer, do fundo do coração, o apoio concedido por todos os intervenientes no processo de requalificação do nosso Museu de História Natural, com especial destaque para os nossos parceiros da República Italiana.”

A reabertura do Museu de História Natural de Maputo constitui um marco histórico para a preservação do património cultural e científico de Moçambique e simboliza não apenas a valorização da investigação, da educação e da cultura, mas também o fortalecimento da cooperação entre Moçambique e Itália.

Com esta requalificação, o Museu assume uma posição renovada como centro de conhecimento, divulgação científica e atração cultural, contribuindo para a promoção da biodiversidade e para a formação de uma nova consciência ambiental no país.

 

Cooperação Italiana e Ministério da Saúde de Moçambique na linha da frente na prevenção do cancro do colo do útero: Amadbay Gulamo Assane vence concurso “Capulana é Vida” com forte impacto social

Amadbay Gulamo Assane, natural do Distrito do Búzi, na Província de Sofala, é o grande vencedor do concurso “Capulana é Vida”, uma iniciativa que alia arte e saúde pública e que destaca de forma clara o papel central da Cooperação Italiana e do Ministério da Saúde de Moçambique na promoção da prevenção do cancro do colo do útero.

A obra vencedora, intitulada “África Chora”, foi escolhida por um júri institucional e pelo público, destacando-se pela sua forte carga simbólica e social. A capulana retrata a dor silenciosa associada ao cancro do colo do útero, enquanto transmite uma mensagem de força, esperança e união entre as mulheres.

Dominada pela cor roxa — símbolo da luta contra esta doença —, a peça apresenta três círculos e a figura de uma mulher que segura a palavra “Vida”, em referência ao lema do concurso. Numa barra central bem visível, lê-se a mensagem: “Prevenção é o melhor caminho para combater o cancro do colo do útero”.

Como prémio, o vencedor participou num workshop em Maputo, realizado no atelier da estilista Amirah Adam, onde desenvolveu a versão final da capulana. Recebeu ainda um prémio monetário no valor de 10.000 meticais.

A cerimónia de entrega decorreu na Casa do Artista da Beira, no dia 29 de Abril, onde o médico-chefe da Província de Sofala, Edgar Meque, reafirmou o compromisso do Ministério da Saúde de Moçambique na luta contra o cancro do colo do útero. Entre as principais estratégias destacadas estão a expansão do acesso aos serviços de rastreio, o reforço da vacinação contra o HPV e a intensificação das acções de educação e sensibilização nas comunidades.

Por sua vez, a directora adjunta regente ad interim da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, Maria Cristina Pescante, sublinhou o papel determinante da Cooperação Italiana no apoio a intervenções concretas e contínuas em Moçambique. Segundo afirmou, estas iniciativas promovem a vacinação como instrumento essencial de protecção, incentivam o rastreio regular para deteção precoce e garantem apoio ao tratamento quando necessário, contribuindo para uma resposta integrada e eficaz em estreita articulação com o Ministério da Saúde de Moçambique.

Num momento particularmente emotivo, a artista e activista cultural Sónia Sultuane destacou o poder simbólico da capulana:
“Como embaixadora desta causa, olho para a capulana — que damos o nó no peito, à curva do quadril e no calor dos braços — e vejo nela a esperança. O cancro do colo do útero tem silenciado as nossas mulheres, não por falta de força, mas por falta de voz. Muitas partem porque o saber chegou tarde. Queremos bordar no pano e na alma: ‘Tu importas, previne-te’”.

Lançado na Beira a 23 de março pelo Embaixador de Itália, Gabriele Annis, o concurso “Capulana é Vida” contou com mais de 50 candidaturas, das quais 30 foram consideradas elegíveis. A selecção do vencedor resultou da conjugação entre votação pública nas redes sociais e a avaliação de um júri institucional.

Promovida pela Cooperação Italiana, em parceria directa com o Ministério da Saúde de Moçambique e as autoridades provinciais de saúde, a iniciativa teve como objectivo envolver a juventude na criação de mensagens de sensibilização sobre a prevenção do cancro do colo do útero. Integrada no projecto “Prevenção e Controlo das Doenças Não Transmissíveis”, a campanha recorreu à capulana — símbolo marcante da identidade cultural moçambicana — como meio de comunicação em saúde pública.

A campanha reforça duas principais medidas de prevenção, promovidas conjuntamente pela Cooperação Italiana e pelo Ministério da Saúde de Moçambique: a vacinação de meninas contra o HPV, principal factor de risco da doença, e o rastreio regular de mulheres a partir dos 25 anos, essencial para o diagnóstico precoce e tratamento de lesões pré-cancerosas.

Para além da dimensão sanitária, o concurso prestou também homenagem a figuras do jornalismo moçambicano, como Maria de Lurdes Torcato, Ofélia Tembe e Suzete Honwana, que contribuíram para valorizar a capulana. No seu livro Capulanas & Lenços, Torcato destaca que, embora tenha origem externa, a capulana tornou-se profundamente moçambicana, funcionando como um meio de expressão cultural que “fala” através dos seus padrões, refletindo acontecimentos sociais, políticos e culturais.

Com esta iniciativa, espera-se que a capulana vencedora amplifique a sua mensagem, unindo cultura e saúde pública. O concurso “Capulana é Vida” reafirma, assim, o papel estratégico da Cooperação Italiana e do Ministério da Saúde de Moçambique na promoção do bem-estar das comunidades, consolidando uma cooperação sólida entre Moçambique e Itália na luta contra o cancro do colo do útero.

 

Água: Instrumento de Paz

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Água, uma data crucial que nos recorda a importância desse recurso vital para a sobrevivência humana e o equilíbrio dos ecossistemas. Este ano, o tema “Água para a Paz” destaca a capacidade da água de promover a paz e a cooperação entre comunidades e países.

Em Moçambique, a palavra “água” começa com “m”. Mati, massi, mazhi, matchi, mave, madzi, maze, madi, madji – todas essas variações ressoam com a raiz “m” e estão intimamente ligadas à fertilidade, à vida e à feminilidade. A água, assim como a mulher grávida, adapta-se às circunstâncias, supera obstáculos e dá à luz vida. É uma metáfora poderosa que reflete a natureza transformadora e vital da água.

No entanto, quando a água é escassa ou poluída, quando as pessoas têm acesso desigual ou nenhum acesso, as tensões podem surgir entre comunidades e países. As mudanças climáticas estão a exacerbar esses desafios, tornando ainda mais urgente a união em torno da protecção e conservação desse recurso precioso.

Em resposta a crises como a epidemia de cólera em Moçambique, trabalhando com as instituições moçambicanas, organizações internacionais, como o Central Emergency Response Fund (CERF), têm desempenhado um papel crucial, fornecendo financiamento para garantir acesso à água potável e serviços de saneamento básico para centenas de milhares de pessoas. A água contaminada representa o principal meio de transmissão da cólera, sendo assim garantir o acesso à água potável, é uma forma eficaz de travar a epidemia. A cooperação internacional, incluindo o investimento da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) no CERF, demonstra o poder da solidariedade e da cooperação global.

Além disso, iniciativas como o workshop sobre monitoramento e qualidade da água que teve lugar de 28 a 29 de Novembro 2023, organizado pelo centro de biotecnologia da Universidade “Eduardo Mondlane” (UEM) com o apoio da AICS, destacam o compromisso contínuo com a gestão sustentável dos recursos hídricos: foram ressaltados os desafios enfrentados por Moçambique, especialmente após eventos climáticos extremos como os ciclones, e a importância da cooperação internacional e do intercâmbio de conhecimentos para enfrentar esses desafios.

Em Cabo Delgado, a AICS junto com as Nações Unidas – nomeadamente com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) – têm apoiado as instituições moçambicanas a fornecer acesso à água potável e serviços básicos essenciais para crianças e famílias deslocadas em campos de acolhimento devido aos ataques violentos que continuam a ocorrer na região. Por exemplo nas localidades de Palma Sede, Quitunda e Mute, foram construídos 15 furos, e reabilitados outros 15. Foram realizadas 57 sessões de sensibilização, centradas na promoção de práticas de higiene positivas, incluindo a importância de lavar as mãos com água, como meio de prevenção de doenças. Estas sessões de sensibilização atingiram mais de 22.000 pessoas. Essas intervenções não apenas garantem o acesso à água limpa, mas também promovem a educação em higiene e saúde nas pessoas deslocadas pelo conflito em Cabo Delgado, demonstrando como a água está intrinsecamente ligada ao bem-estar humano, e ao desenvolvimento sustentável.

A AICS está activamente envolvida na construção de sistemas hídricos e na perfuração de poços nas áreas mais afectadas pela guerra civil através do DELPAZ. O DELPAZ, o programa do governo moçambicano e financiado pela União Europeia, com o suporte do Fundo Das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital (UNCDF), é implementado nas Províncias de Manica e Tete pela AICS, enquanto a Agência Austríaca para o Desenvolvimento (ADA) actua na Província de Sofala. Esses esforços não apenas melhoram o acesso à água potável, mas também desempenham um papel crucial na restauração da confiança e da estabilidade nas comunidades devastadas pelo conflito. O Programa DELPAZ é um exemplo tangível de como a cooperação internacional pode transformar positivamente a vida das pessoas, promovendo a paz e a reconstrução pós-conflito através do acesso a recursos fundamentais como a água.

À medida que nos aproximamos do 10º Fórum Mundial da Água em Bali, Indonésia (18 a 25 de maio), é fundamental mantermos o intercâmbio de melhores práticas e colaboração global para abordar os desafios relacionados à água. A presença da Sede Regional da AICS em Maputo no fórum ressalta o compromisso contínuo da comunidade internacional em promover a gestão sustentável da água e alcançar objectivos de desenvolvimento comuns.

Sonhar alto no meio do mato

No coração do distrito de Guro, encontra-se o posto administrativo de Nhamassonge. É uma terra de cerca de onze mil habitantes, conhecida pelo nome que herdou dos massonge, pequenos pepinos de casca com picos que crescem com resistência naquele solo quente e poeirento com embondeiros centenários.

É ali que vive Carlitos Eusébio Zondane, um homem de 35 anos cuja vida é feita de trabalho, sonhos e persistência.

À beira da estrada principal, muito perto da sede do posto administrativo, juntamente com outras, ergue-se a sua banca — simples, mas cheia de vida. Ali, Carlitos vende refrigerantes, pequenos alimentos e o tradicional malambe (fruto do embondeiro). Ao mesmo tempo, exerce outra função essencial para a comunidade: é agente E-mola, facilitando transações e ligando pessoas num mundo cada vez mais digital.

Mas Carlitos não parou por aí.

Movido por uma visão mais ampla, decidiu aprender uma nova profissão. Em 2024, foi selecionado para um curso de formação promovido no âmbito do programa DELPAZ, em cooperação com as autoridades distritais, no quadro do desenvolvimento económico local. Foram apenas duas semanas, mas intensas — tempo suficiente para despertar nele uma nova vocação. Tornou-se serralheiro mecânico.

A escolha não foi por acaso. Na sua região, não existia nenhum serralheiro mecânico. Onde muitos viam uma limitação, Carlitos viu uma oportunidade.

Recentemente, deu mais um passo: abriu a sua própria minioficina de serralharia, alimentada pela energia dos painéis solares instalados na aldeia. Para Carlitos, cada peça trabalhada representa não só rendimento, mas também orgulho.

A sua determinação já o levou mais longe do que alguma vez imaginara. Pela primeira vez, apanhou um avião rumo a Maputo. Lá, em novembro de 2025 participou numa conferência organizada pelo Instituto para a Democracia Multipartária (IMD), parceiro do DELPAZ. Guarda com carinho as fotografias dessa viagem — especialmente aquelas em que aparece ao lado de Dom Dinis Sengulane e Oscar Monteiro. Sempre que as mostra, os seus olhos brilham.

“Foi maravilhoso!” — diz, sem esconder a emoção.

Apesar das conquistas, Carlitos mantém os pés firmes no chão. Cumpre com os seus impostos e trabalha diariamente para melhorar a sua arte. O seu maior desejo agora é claro: obter a licença oficial de serralheiro. “Já tenho o certificado, mas sei que preciso juntar algum valor para conseguir a licença.”

E assim segue Carlitos, entre o som do metal e o movimento da estrada, construindo o seu futuro com as próprias mãos. Num lugar onde as oportunidades são raras, ele tornou-se exemplo de que, com coragem e determinação, é possível abrir caminhos — mesmo no meio do mato.

 

Reflexões e aspirações: as vozes dos beneficiários do DELPAZ nas províncias de Tete, Sofala e Manica

Enquanto o cenário político em Maputo discute fervorosamente a possibilidade de um Plano Nacional de Reinserção, estimulando um diálogo aprofundado entre as autoridades e a sociedade civil, um caminho para uma mudança tangível já está a ser percorrido nas províncias de Manica, Tete e Sofala. Estes passos, dados com determinação, já produziram resultados que merecem ser apoiados e podem constituir um ponto de partida sólido. No entanto, a solução não reside apenas em políticas e planos de ação, mas sobretudo na experiência directa e nas vozes autênticas dos protagonistas desta transformação.

Nos dias 21 e 22 de março, realizou-se em Maputo a Conferência Internacional sobre Reintegração Pós-Conflito, promovida pelo Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), sob o alto patrocínio do Ministério da Justiça, do Ministério dos Combatentes e do Secretariado para a Paz (PPS). Entre os participantes, oriundos das províncias de Tete, Sofala e Manica, destacaram-se as vozes vibrantes de Florinda, Rita, Mário, Graça, Anita, Isabel, Carménia e Carlota.

Para muitos deles, era a primeira vez que se deslocavam a Maputo e traziam consigo uma mensagem cheia de esperança e urgência: “Queremos paz”, declararam enfaticamente. “Queremos trabalhar a terra, somos camponeses. Queremos cultivar a nossa própria comida, mandar os nossos filhos para a escola. Queremos viver em paz e, para isso, precisamos da vossa ajuda”. As suas palavras ressoam com uma urgência palpável, uma vez que reflectem necessidades essenciais: acesso à água, infra-estruturas, estradas, mercados, hospitais e escolas.

As experiências relatadas durante a conferência foram comoventes e esclarecedoras. Anita, com os olhos ainda incrédulos, comentou a visão da abundância de água nos hotéis de Maputo, contrastando com a realidade da sua comunidade, onde a água é um bem precioso que só pode ser alcançado após longas viagens. Mário, impressionado com a grandiosidade e vibração da capital, agradeceu ao DELPAZ por ter levado o furo de água à sua comunidade e novas práticas agrícolas, juntamente com sementes e ferramentas, expressando a importância de alargar este tipo de projectos a todas as comunidades carenciadas.

Florinda partilhou um sentimento de gratidão e reconhecimento: “Nós não éramos nada, mas agora estamos aqui a falar e vocês estão a ouvir-nos. O DELPAZ tornou-nos visíveis”. Estes testemunhos são um reflexo tangível do trabalho realizado pela DELPAZ, também evidenciado pela distribuição da Declaração de Inhanzónia, um símbolo de solidariedade e inclusão promovido através da organização do acampamento solidário em novembro do ano passado no distrito de Báruè.

O papel das mulheres como actores e líderes locais foi particularmente enfatizado, tendo Carlota Inhamussua, colaboradora ativa do Programa DELPAZ na Província de Sofala, partilhado experiências significativas como o projecto da poupança e da caixa dos sonhos. Estas actividades visam não só disponibilizar recursos tangíveis, mas também estimular os sonhos e objectivos das comunidades envolvidas, reforçando a confiança e o sentimento de pertença das pessoas às suas comunidades.

O caminho para a paz e a prosperidade exige um compromisso colectivo e sustentado. Quando estas comunidades começam a dar os primeiros passos em direção à mudança, é crucial que não sejam deixadas sozinhas. Precisam de tempo, apoio e recursos para crescerem e continuarem a cultivar a paz nos seus territórios. Só através de um compromisso partilhado e de uma solidariedade duradoura é que se pode garantir um futuro de esperança e prosperidade para todas as comunidades moçambicanas.

Todos eles têm clamado para não serem deixados sozinhos, agora que estão a começar a ‘gatinhar’ e precisam de mais tempo e apoio para poderem ‘crescer’ e continuar a cultivar a paz nas suas comunidades.

Para isso contribui também o DELPAZ, em parceria com o IMD, implementado pelo AICS em Manica e Tete, e pela ADA em Sofala, com o apoio do UNCFD. Para além de água, infra-estruturas, vias de acesso, sementes e novas práticas agrícolas, estimula os sonhos das comunidades mais afectadas pela violência armada, onde os beneficiários do DDR voltaram a viver, juntamente com as suas famílias.

Como repetidamente expresso pelo Embaixador da UE em Moçambique, Antonino Maggiore, “Como parceiros de Moçambique, estamos plenamente conscientes dos desafios que enfrentamos em matéria de reintegração e reconciliação; […] A paz e a reconciliação só podem ser alcançadas através de uma democracia próspera e da prosperidade em benefício de todos os cidadãos moçambicanos.”

 

 

Nas machambas de Sanga, entre tradição e inovação

Em Sanga, um bairro outrora cheio de vida no distrito de Guro, há poucas casas. Com o passar dos anos, grande parte dos seus habitantes mudou-se para uma zona mais próxima da vila, em busca de melhores condições — energia elétrica, água e outras facilidades. Esse novo espaço passou a chamar-se oficialmente Sanga 2, embora os habitantes tenham dado o nome de Medzachumbo. Mas nem todos partiram.

Entre aqueles que ficaram está o senhor Feniasse Pita, presidente da Associação Sinembo — “Não fui eu” — uma organização dedicada ao apoio de órfãos e idosos. Com a sua família, continuou a cultivar a terra que sempre sustentou gerações. A sua machamba, vasta e fértil, é um verdadeiro mosaico de vida: hortícolas frescas, milho e árvores de fruto que oferecem goiabas, limões, laranjas e tangerinas. Pelo mato adentro, ao pé da montanha, tem ainda colmeias melhoradas, que produzem um mel de qualidade invejável.

Foi neste ambiente que cresceu Tendai Pita, seu filho, hoje com 31 anos. Desde cedo, aprendeu os fundamentos da agricultura, observando o pai e trabalhando a terra. Contudo, Tendai ambicionou ir mais além. Frequentou o Instituto Superior Politécnico de Manica e, em 2024, foi selecionado para um curso de formação no Instituto Agrário de Chimoio (IAC), promovido no âmbito do programa DELPAZ, em coordenação com as autoridades e instituições locais, no quadro do apoio à formação e ao fortalecimento de iniciativas como a associação Sinembo.

Para Tendai, a formação foi mais do que uma revisão — foi uma descoberta. “Já conhecia muito daquilo que os formadores explicavam, mesmo assim aprendi muitas coisas novas”, afirma com convicção. Ao lado do seu colega Edson Lenate, de 28 anos, e mais cinco jovens, começou a aplicar esses conhecimentos numa machamba de quase meio hectare, cedida pelo seu pai.

O campo está coberto de alfaces e outras hortícolas. Com sementes recebidas no kit do DELPAZ, lançaram a primeira colheita, venderam e reinvestiram. “Esta será a nossa segunda colheita e esperamos ganhar o suficiente para começar a ter algum dividendo”, conta Tendai, com esperança no olhar.

Entre as técnicas que mais os entusiasmaram está a produção de bio pesticidas. Com ingredientes simples como piripiri, sabão e folhas de mamona (rícino), aprenderam a proteger as plantas de pragas de forma mais sustentável. “O sabão ajuda a fixar a mistura e prende as pragas”, explicam. Mesmo assim, quando a infestação é grande, recorrem a inseticidas — mas com cautela e monitorização diária.

Outra inovação foi o uso da cobertura morta, uma técnica que ajuda a conservar a humidade do solo — algo que nunca tinham experimentado antes.

O kit colectivo também incluiu ferramentas essenciais: enxadas, catanas, regadores e uma motobomba. Apesar da escassez de combustível, encontraram uma solução criativa. “Usamos a motobomba com energia solar do papá”, diz Tendai, com orgulho.

A produção é vendida no mercado de Guro ou directamente na machamba, onde os clientes vão. Edson, por sua vez, destaca outro aprendizado importante: a conservação do milho. “Antes guardávamos a maçaroca inteira. No IAC aprendemos a debulhar e guardar apenas os grãos, o que melhora a conservação.”

Para estes jovens, o curso foi uma verdadeira mais-valia. Os resultados já são visíveis na terra que cultivam e no entusiasmo com que falam do futuro. E, por trás de tudo, entre as montanhas que rodeiam a machamba, permanece o olhar atento e experiente do senhor Feniasse — um guia silencioso que continua a semear conhecimento e esperança.

 

 

Dona Crisse, um telemóvel e um cabrito

Crisse Agostinho Guezane é uma mulher de 28 anos da comunidade de Missoche, no distrito de Moatize.

Ela carrega consigo não apenas o peso da maternidade de quatro filhos, mas também o desejo ardente de transformar sua realidade. A sua é uma história exemplar, um testemunho de resiliência e determinação.

Antes da intervenção do Programa DELPAZ na sua comunidade, dona Crisse limitava-se a cultivar apenas milho. O conhecimento sobre a produção de hortícolas era escasso, mas a sua vontade de aprender e progredir era inabalável.

Graças à iniciativa da Fundação SEPPA, um dos parceiros do Programa DELPAZ, dona Crisse recebeu as ferramentas e insumos necessários para expandir suas actividades agrícolas. Sementes de repolho, tomate e feijão foram fornecidas, abrindo portas para um novo capítulo na sua vida. Com a orientação e apoio do pessoal da fundação, Crisse aprendeu os segredos da produção dessas culturas.

Numa área modesta de 70×70 metros quadrados, dona Crisse começou a sua jornada como agricultora de hortícolas. Através da venda da sua produção, ela alcançou pequenas conquistas que reflectiram grandes mudanças na sua vida, e naquela dos filhos. Com o dinheiro adquirido, comprou um telefone celular e uma cabra, símbolos tangíveis do seu progresso e determinação.

Determinada a ir além, dona Crisse tem planos ambiciosos para o futuro. Ela agora quer expandir a sua área de produção para 100×100 metros quadrados, para cultivar uma variedade ainda maior de culturas, incluindo repolho, tomate, couve, cebola, milho e feijão. Além disso, aspira a ser um modelo para outros agricultores na sua comunidade, inspirando-os a perseguir os seus próprios sonhos e objectivos. E ela é que diz: “só a paz nos permite de estar bem, só a paz nos permite de garantir a comida, só é a paz que nos faz ricos!”