Dia Mundial dos Oceanos: Juntos na Rota do Crescimento Azul

Hoje é o Dia Mundial dos Oceanos. O slogan deste ano é Revitalização: uma acção colectiva pelo oceano, um apelo para que todos tomem medidas para reparar os danos que a humanidade continua a infligir à vida marinha e aos meios de subsistência que o oceano proporciona.

Em Moçambique, o Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas, organizou o seminário ‘Juntos na Rota do Crescimento Azul’ no belo Museo do Mar, desenhado pelo arquitecto José Forjaz, em Maputo.

O seminário contou com a presença de Paolo Enrico Sertoli, Director do escritório da AICS em Maputo, que está envolvio em programas de cooperação caracterizados por um forte interesse na gestão sustentável dos recursos marinhos e costeiros e dos mangais em particular, com, por exemplo, os programas “RINO: recursos, inovação e desenvolvimento para áreas de conservação”, “Mangrowth”, e “SECOSUD”.

Os oradores sublinharam a necessidade de aumentar constantemente a consciência pessoal e colectiva sobre a importância dos oceanos, as ameaças que enfrentam, o papel crucial que todos desempenham na sua utilização sustentável, e o apelo à acção para mudar atitudes no sentido de alcançar os objectivos da ODS14 através da investigação, conhecimento e acesso/gestão da informação como uma das ferramentas-chave para a elaboração de políticas eficazes e outros instrumentos de gestão sectorial.

Houve grande interesse em apresentações sobre uma série de iniciativas e instituições que trabalham na economia azul, tais como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável em particular promovida pela UNESCO, um documento que sublinha a importância da ciência para a conservação dos oceanos com o objectivo de promover a gestão sustentável dos recursos marinhos, promover a saúde humana, libertar o potencial de carbono azul e combater a pesca ilegal; Biofund (wwww. biofund.org.mz), a Fundação para a Conservação da Biodiversidade criada como um instrumento financeiro privado cujo objectivo é financiar a conservação da biodiversidade em Moçambique; Fundo ProAZul (www.proazul.gov. mz), um mecanismo de finanças públicas que trabalha em parceria com diferentes sectores do Estado, o sector privado e a sociedade civil para alinhar recursos estratégicos e financeiros com iniciativas eficazes para a utilização sustentável das águas interiores, do mar e do litoral, cujas principais áreas de intervenção são a gestão sustentável do litoral e dos mangais, a pesca e a aquicultura, a investigação sectorial, as infra-estruturas portuárias, o turismo e o desporto; Iniciativa Grande Muralha Azul da IUCN (https://www. iucn.org/news/secretariat/202111/global-launch-great-blue-wall), cujo objectivo é criar uma rede de áreas de conservação marinha para acelerar o progresso em direcção ao objectivo de proteger 30 por cento dos oceanos até 2030.

Em termos de documentos governamentais, foi apresentado, entre outros, o Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo, que abrange todo o espaço marítimo de Moçambique e visa promover o ordenamento do espaço marítimo, respeitando os princípios da gestão integrada e do desenvolvimento sustentável; a Estratégia de Desenvolvimento da Economia Azul – derivada da estratégia similar a nível continental – importante para Moçambique para fomentar a concorrência no acesso aos recursos marinhos, aumentar as oportunidades de emprego, promover o investimento privado, a inclusão social e a educação ambiental; e a Estratégia e Plano de Acção Nacional para a Conservação da Biodiversidade em Moçambique, que visa, entre outras coisas, promover o bom estado ambiental do meio marinho, bem como a prevenção de riscos e a minimização dos efeitos resultantes de desastres naturais e alterações climáticas ou da acção humana.

Depois dos ciclones, a AICS distribui sementes e enxadas para recomeçar a agricultura

Gombe e Ana são os dois ciclones que atingiram violentamente Moçambique  em Março deste ano. Para além de causarem morte e devastação, comprometeram a produção agrícola de regiões inteiras. Ventos fortes e chuvas torrenciais forçaram as populações locais a afastarem-se das suas casas para lugares mais seguros. Além disso, a produção agrícola das populações rurais tem sido seriamente afectada, comprometendo a segurança alimentar de todo o país.

A Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), para além do programa de emergência já activo no país, respondeu ao apelo lançado pelas autoridades governamentais e pelos camponeses moçambicanos e distribuiu sementes e instrumentos agrícolas para evitar a crise alimentar.

O escritório da AICS em Maputo foi a Mutarara, na província de Tete, onde, juntamente com as autoridades locais, distribuiu 420 kits com sementes, uma catana e duas enxadas, para que os camponeses locais possam produzir quantidades suficientes apesar do atraso na sementeira.

Sinjal oyee! Fome ziiii! Os agradecimentos corais das mulheres e dos homens que receberam sementes de milho, feijão, abóbora, quiabo, couve, tomate, cebola, para se levantarem novamente após as suas perdas.

Pontos verdes (CDR) – Engajando pequenos Produtores como o Paulo Lequissio a aumentar sua renda por meio de Agricultura inteligente e estimulando a consciência na Inclusão

Paulo Lequissio, 60 anos, é residente na Comunidade de Mwanalirenji, posto Administrativo de Zobué, distrito de Moatize é casado com Sitifonia Mapios, mãe de 6 filhos. O senhor Paulo é beneficiário do Programa DELPAZ desde 2023.

“A primeira vez que ouvi falar do DELPAZ foi quando fomos convocados pelo nosso líder a participar de uma seleção de baixo das nossas mangueiras onde estavam alguns homens que nos falaram da agricultura de conservação e sobre Paz e reconciliação”, conta o senhor Paulo. “Fiquei muito interessado porque eles falavam de uma comunidade inclusiva e logo aceitei participar para aprender coisas que para mim eram novas”.

“Fomos informados que é possível produzir e obter bons rendimentos sem gastar muito dinheiro comprado medicamentos, adubos e sem gastar nosso milho para dar as mães de sachas como pagamento pelo trabalho”, continua o senhor Paulo, acrescentando que achou os argumentos tão convincentes que assim decidiu adoptar a título experimental as práticas de agricultura de conservação, poupanças e participar nos debates sobre a ’Paz, Reconciliação e inclusão’ “com nossos irmãos na comunidade vulgos DDR”. Foi assim que preparou uma área pequena de 1350m2 (30m x 45m) para produzir tomate e 800m2 (20mx40m) para produzir Feijão Vulgar.

O Sr. Paulo foi um dos beneficiários desta iniciativa. Recebeu catana, enxada, regado, semente de tomate e feijão vulgar com assistência técnica completa para implementação de agricultura de conservação.

Ainda em conversa, o senhor Paulo contou-nos que o rendimento que obteve na primeira experiência da prática de agricultura de conservação – usando a cobertura morta (mulching) e o biopesticida conhecido localmente por Manguala de folhas amargas (pesticidas biológicas) e o uso de Manhoa (esterco animal) nas suas parcelas, foi tão satisfatório que decidiu aumentar a área de cultivo usando as mesmas técnicas de Agricultura de conservação pelo menos para meio hectare. “Faz tempo que venho produzido tomate e feijão, porém na pequena área que preparei 1350m2 (0,135 hectare), usando 10g de tomate na variedade Rio Grande e a 1kg de feijão vulgar na variedade Catarina, distribuídos no âmbito de DELPAZ consegui 35 cestos de 30kg de tomate e 4 latas de feijão”.

No momento da colheita e venda de tomate e feijão o preço do mercado já estava muito baixo, contudo conseguiu ter um lucro de 7000 MT com a venda dos 30 cestos e duas latas de feijão. Com o lucro obtido a partir da venda desta produção foi possível comprar 30 galinhas, material escolar para os filhos, roupas, alimentação para casa e alugar carrinha de mão para puxar o esterco bovino para a machamba.

Segundo ele, antes do seu engajamento com DELPAZ não usava a agricultura de conservação porque nunca imaginou que fosse possível produzir sem que haja custos com pesticidas, adubos inorgânicos e também por desconhecimento das suas vantagens. No lugar da semente melhorada ele usava o grão selecionado da campanha anterior para a cultura de feijão, e usava uma taxa de sementeira muito alta o que infelizmente dava rendimentos muito baixo. Mas com os treinamentos sistemáticos promovido pelo DELPAZ nas comunidades sobre as práticas da agricultura inteligente produção sustentável, uso de compactos e densidade adequada, associado aos bons rendimentos obtidos, foi entendendo a necessidade do uso de factores de produção locais, como o uso das plantas locais para produção de pesticidas, esterco animal local para adubação e uso de mulching.

Na comunidade, ele considera-se um testemunho vivo do impacto da intervenção do DELPAZ: “Hoje, por experiência própria, sou testemunha do que a prática da agricultura de conservação usando Mulching, taxa de sementeira ideal, adubação orgânica e pesticidas orgânicas podem fazer em termos de sustentabilidade e rentabilidade’’.

O senhor Paulo, satisfeito com os resultados obtidos anteriormente, pretende aumentar a sua área de produção para um hectare (1 ha) em agricultura de conservação para produção de hortícolas e reza para que a chuva se faça sentir para ter bons resultados tendo em conta que ele não tem uma motobomba. Com o aumento dos seus rendimentos ele pretende iniciar uma poupança com a parte dos lucros de modo a conseguir concretizar futuramente o sonho de comprar uma camioneta para escoar os seus produtos pessoalmente sem ter de perder muita produção por falta de meio de transporte para escoar a sua produção.

O senhor Paulo está deveras satisfeito e deseja que o DELPAZ continuará apoiando a sua comunidade e agradece especialmente os técnicos que dia a dia estão com eles, no terreno.

 

Bartolomeu, o ex-guerrilheiro que vive da agricultura no “deserto”

Bartolomeu Tenesse, 58 anos, lutou por 13 anos na guerrilha da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), numa frente que tinha a missão de sustentar a guerra civil, com armamento que devia assaltar em quartéis. Foi desmobilizado duas vezes, a última em Junho de 2021 e está pela segunda vez na chamada vida civil.

O ex-guerrilheiro está a lutar agora para sustentar a sua comunidade, com a agricultura que pratica no povoado de Casado, em Tambara, um distrito de clima seco de estepe, com inverno seco e baixa precipitação anual.

O distrito de Tambara, na província de Manica, no centro de Moçambique, está a ser atingido por uma fome severa, provocada por uma seca induzida pelo fenómeno El Niño, que tem devastado colheitas. Tambara separa-se, através do rio Zambeze, com o distrito de Mgabu, no Malawi, que foi declarado estado de calamidade devido ao fenômeno.

“A fome este ano é assustadora, há famílias a se alimentar de farelo de milho, frutas e tubérculos silvestres. Outros passam dias a fio sem comer. Então se eu intensificar essa agricultura, com boa disponibilidade de água, posso enfrentar qualquer tipo de fome”, afirma Bartolomeu Tenesse, com a mão no queixo e o braço sustentado no cabo da enxada.

Bartolomeu, foi recrutado para a guerrilha aos 15 anos, em 1985, em Angónia (Tete), quando fazia uma viagem para Blantyre, em busca de emprego no Malawi, durante a guerra civil que durou 16 anos.

“O nosso carro foi interpelado, foram separados os jovens e levados para um lugar, onde pernoitamos. Ao amanhecer, ficamos surpresos ao ver que estávamos sendo controlados por homens com armas em punho. Avisaram-nos que devíamos cumprir a tarefa de trazer democracia no país”, quando foi levado para treino militar na base de Chiriza, em Angónia.

Ficou naquela base até 1987, fazendo operações na província de Tete, quando foi solicitado na base central Merece-Chamboco, na serra da Gorongosa, onde conheceu e dialogou com o líder histórico, Afonso Dhlakama.

“Saudamos o presidente (Afonso) Dhlakama, como soldados de Tete. Daí fomos divididos em grupos pequenos, e passei para Inhaminga, em Sofala. Depois engajamos em Dondo, Nhamatanda, Shemba até regressar a uma das bases na província de Tete”.

Acrescentou: “a nossa tarefa era combater e recolher o material bélico para as nossas bases, numa dessas missões de entregas de armas, fui levado novamente até ao local onde estava o presidente Afonso Dhlakama”. Foi depois reconhecido por essas missões e poucos anos depois foi alcançado o Acordo Geral de Paz (AGP), de Roma, em 1992.

Mesmo “em paz, ficávamos a sofrer, sem liberdade e nem democracia”, o que o levou a regressar às matas em 2017, a partir da base de Nhandete (Tambara), de onde choraram “amargamente” a morte de Afonso Dhlakama, em Maio de 2018, até ser desmobilizado pela segunda vez em Junho de 2021, em Barué, no âmbito do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) – que resulta do acordo de paz de Maputo assinado em 2019.

Como a maioria dos ex-guerrilheiros da Renamo, Bartolomeu foi desmobilizado pela primeira vez em 1994, pela missão de paz das Nações Unidas em Moçambique (Onumoz).
O ex-guerrilheiro lembra que na segunda desmobilização, voltou para a aldeia de acolhimento em Tambara, com uma catana, enxada, machado, uma variedade de sementes agrícolas e uma promessa de projetos de desenvolvimento e pensão de sobrevivência.

“Disseram que viriam projetos e recebemos o programa DELPAZ. Na verdade, montou um sistema de irrigação por gravidade que estamos a usar desde o ano passado. Beneficiamos também de sementes e assistência de extensionistas do programa que esta a ajudar a aumentar muito a produção num sítio difícil de produzir, por ser uma zona seca”, explica Bartolomeu Tenesse

O ex-guerrilheiro é membro de uma das 10 associações de camponeses que recebe apoio do programa DELPAZ, que dá especial atenção à criação de oportunidades para jovens, mulheres, bem como ex-combatentes e suas famílias.

Bartolomeu e parte de sua família trabalham no Ponto Verde de Tambara, um campo de transferência de tecnologias, que assiste com tecnologias e práticas agrícolas inteligentes para o aumento da produção e produtividade das 10 associações agrícolas e da população de Tambara.

 

FACIM 2024: AICS e Sector Privado contribuindo para o desenvolvimento sustentável de Moçambique

A Agência Italiana para a Cooperação ao Desenvolvimento (AICS) participou da 59ª edição da Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), realizada sob o lema “Industrialização: Inovação e Diversificação da Economia Nacional”, em Marracuene, de 26 de agosto a 1 de setembro.

A FACIM, a maior feira do setor privado em Moçambique, tem como principal objetivo promover trocas comerciais, estimular a produção e o consumo, e atrair investimentos para o país. Nesta edição, mais de 3 mil expositores de 26 países estiveram presentes, incluindo 2.300 empresas moçambicanas e 750 operadores económicos estrangeiros. O stand da AICS estava localizado no pavilhão da Itália, onde 17 empresas italianas apresentaram a excelência do “Made in Italy”.

Durante o evento, a AICS organizou um programa cultural. No âmbito do projeto de prevenção e controlo de doenças não transmissíveis, mais de 40 visitantes puderam medir a pressão arterial e a glicemia. Aqueles com valores elevados de glicemia e pressão arterial receberam recomendações para prevenir doenças como os diabetes.

Além disso, foi apresentado o projeto de infraestruturas urbanas verdes e resilientes, que através do qual, será construída a primeira Unidade de Compostagem Municipal em Maputo, com o envolvimento de parceiros do sector privado.

O projeto INCLU.DE apresentou a parceria com a REMOTELINE, uma empresa moçambicana que oferece interpretação em língua de sinais para facilitar a comunicação com pessoas com deficiência auditiva por meio de chamadas via WhatsApp.

Os visitantes também tiveram a oportunidade de conhecer diversas cooperativas e empresas apoiadas pela AICS, como a empresa Kuvanga, que comercializa frutas desidratadas como manga, ananás e coco em Inhambane, a cooperativa de frutas de Barué, especializada na comercialização de litchi, e a Associação dos Produtores de Café do Ibo, que comercializa o café do Ibo, no âmbito do projeto MAIS VALOR 1.

Os agricultores do Programa DELPAZ realçaram a sua alegria e satisfação na participação na feira internacional de Maputo, onde

conseguiram expor e vender os seus produtos, milho, feijão, cebola, amendoim, mapira, etc., e sobretudo dar a conhecer as boas práticas e fazer networking, como frisado pela reportagem a eles dedicadas pela cadeia televisiva internacional RTP, no Repórter África do dia 29 de agosto.

O stand da AICS atraiu um grande número de visitantes, incluindo empresários, jornalistas e parceiros interessados na cooperação italiana e, em particular, no trabalho da AICS com o sector privado em Moçambique. Entre os visitantes, destacamos a presença do Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, acompanhado de Osvaldo Petersburgo, Secretário de Estado da Juventude e Emprego. Ambos tiveram a oportunidade de dialogar com o Team Leader de Criação de Emprego, Alberto Tanganelli, sobre a nova estratégia da AICS para promover a inovação no emprego em parceria com entidades locais.

Mulheres reiteram com grito “não à guerra” em acampamento solidário em Guro

Mais de 250 mulheres das províncias de Tete, Manica e Sofala reiteraram com um grito uníssono, “não à guerra”, na abertura a 15 de abril do segundo acampamento solidário promovido pelo Programa DELPAZ até 16 de Abril no distrito de Guro, na província de Manica, realçando que a paz e segurança estão a cooperar para sua consolidação económica.

O acampamento solidário de dois dias que decorre sob o lema “Mulheres de mãos dadas, construindo paz através do desenvolvimento económico inclusivo”, reúne no mesmo espaço mulheres de diferentes origens, trajetórias e histórias, para compartilhar saberes, fortalecer os laços de afeição e construir coletivamente ideias para a sua autonomia económica.

Num ambiente onde o protagonismo feminino floresce, elas admitem que os desafios enfrentados pelas mulheres no campo, na cidade e nas periferias podem serem agravados por conflitos, enquanto já assinalaram avanços gigantescos no seu empoderamento.

“Continuamos a encorajar a mulher na busca pela paz e segurança, porque é num espaço seguro onde ela consegue tomar decisões”, referiu Anchia Mulima, coordenadora da Levanta Mulher e Siga o Seu Caminho (LEMUSICA), que integra a Rede Feminina Centro.

Acrescentou que “a nossa expectativa neste acampamento é que as mulheres continuem a crescer economicamente. Daí o nosso grito [não à guerra]. A estabilidade económica vai reduzir a tripla violência de que as mulheres são vitimas: doméstica, física e económica”.

Para ela a violência, desigualdade, machismo, falta de acesso a terra, a moradia e aos direitos básicos devem ser parte da declaração deste ano, para que os decisores tenham em consideração as lutas das mulheres.

Outra participante, Inês Chifinha, coordenadora do grupo de mulher de partilha de ideia de Sofala (GMPIS), anota que “como o DELPAZ está no fim e estamos também a finalizar os acampamentos, queremos que as mulheres continuem a implementar os conhecimentos obtidos, nas várias áreas, para sua sustentabilidade económica”.

“Queremos que a mulher tenha autonomia económica, para não depender do governo e nem de projetos [que vem e vão], e use o conhecimento valioso na agricultura promovido pelo DELPAZ para sua riqueza”, enfatizou.

Enquanto embala o seu filho no colo, Elsa Francisco, olha o acampamento como um lugar de esperança, e aguarda sair dali diferente em conhecimento, com os calorosos debates nas rodas de conversa, cantos e partilhas.

Durante a tarde da terça-feira as mulheres debateram efusivamente temas como: conflitos armados, construção da paz inclusiva, economia da mulher e empoderamento económico, mudanças climáticas, género e agenda 1325, além da violência baseada no género.

Além dos debates, as mulheres visitaram a feira das mulheres, onde estão expostos produtos produzidos por elas com o conhecimento adquirido no âmbito do DELPAZ.

Para assegurar a inclusão de todas e todos o acampamento utiliza métodos feministas de base comunitária que se centram na utilização de uma abordagem transformadora, de diálogos nas línguas locais a fim de criar empatia e aumentar a autoestima e espaços seguros como a lareira das mulheres que se realiza na noite de 15 de Abril.

 Cada mulher chega ao acampamento, traz sua força, sua dor, sua luta, e sai mais forte, mais consciente e mais conectadas com as outras, que também sonham e lutam para um Moçambique melhor.

Este é o segundo acampamento solidário, onde as vozes e histórias das mulheres, como atores locais do DELPAZ, em Manica, Sofala e Tete, estão a ser partilhadas e escutadas, e que depois será elaborada uma declaração que garanta que as necessidades das mulheres sejam devidamente consideradas.

O primeiro foi realizado em Novembro de 2023, em Inhazónia, distrito de Barué, ainda na província de Manica.

O DELPAZ, um programa do Governo de Moçambique, financiado pela União Europeia, abrange os temas da Governação Local e do Desenvolvimento Economico Local para a consolidação da paz. Em estrita coordenação com os governos locais, e’ implementado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), com a colaboração de dois consórcios de organizações da sociedade civil liderados pela ONG Helpcode na Província de Manica, e pela ONG Save The Children na Província de Tete; enquanto em Sofala o programa é implementado pela Agência Austríaca de Desenvolvimento (ADA). Nas tres Províncias, o Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital  (UNCDF) é responsável pela componente de governação local inclusiva.

A AICS financia também uma outra iniciativa chamada “Manica para as Mulheres”, coordenada pelo Progettomondo em parceria com CAM (Consórcio de Associações de Moçambicana), a Helpcode,  Fundação Micaia GMPIS, AITR (Associação Italiana de Turismo Responsável) e Legacoop Emilia-Romagna. “Manica para as Mulheres” visa promover a paz e o desenvolvimento sustentável e inclusivo na província de Manica através da participação das mulheres na economia rural, com foco nos sectores agrícola, comercial e de turismo rural nos distritos de Báruè, Macossa, Tambara e Guro.

A Itália ajuda o PAM a aumentar a capacidade de resiliência dos agricultores em Moçambique

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM) congratula-se com uma contribuição de 2 milhões de euros do Governo italiano que ajudará a combater as vulnerabilidades induzidas pelas alterações climáticas e a reforçar a segurança alimentar e nutricional de 10 000 pessoas, incluindo pequenos agricultores, jovens e mulheres de organizações de agricultores seleccionadas na província de Tete, no centro de Moçambique.

A subvenção, atribuída pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), surge numa altura crítica em que a crise climática se está a intensificar, com fenómenos meteorológicos extremos como ciclones, inundações e secas a ocorrerem com maior frequência e intensidade.

“Este é um projeto muito especial porque a agricultura é um sector em que acreditamos firmemente e é um dos pilares da cooperação italiana em Moçambique”, disse o Embaixador de Itália, Gianni Bardini, durante a cerimónia de assinatura hoje em Maputo.

“Ultrapassar as adversidades das alterações climáticas significa melhorar os meios de subsistência das comunidades vulneráveis que dependem da agricultura. É, portanto, essencial consolidar práticas agrícolas inteligentes em termos de clima e melhorar a gestão pós-colheita”, diz Antonella D’Aprile, Directora e Representante do PAM em Moçambique. A agricultura é responsável por 80% do PIB de Moçambique, a maior parte do qual provém da produção de pequenos agricultores. As catástrofes induzidas pelo clima afectam, portanto, os mais vulneráveis e, à medida que a variabilidade da precipitação e as temperaturas médias aumentam, a cobertura vegetal está a diminuir.

“Este projeto faz parte dos esforços da cooperação italiana para melhorar a agricultura em Moçambique face às alterações climáticas, em particular o El Niño. O foco no Corredor da Beira é crucial para Moçambique e países vizinhos como o Malawi e o Zimbabué”, disse Paolo Enrico Sertoli, Diretor da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, Escritório Regional de Maputo. “Também se baseia nas iniciativas da Cooperação Italiana na província de Tete, como o programa DELPAZ, que contribui para a paz e o desenvolvimento socioeconómico, melhorando as capacidades dos agricultores locais.”

A assinatura da iniciativa atesta o trabalho de coordenação e importantes sinergias que, partindo do conhecimento do território e das condições socioeconómicas de alguns distritos da Província de Tete, em busca de soluções técnicas adequadas e assistência técnica especializada, encontrou na Província e no PAM os parceiros ideais para abraçar mais um desafio, o de contribuir para melhorar as condições de vida de mais de 2.000 famílias de produtores dos Distritos de Moatize e Dôa.

“Nos últimos três anos, graças ao programa DELPAZ – Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz, financiado pela União Europeia, a Cooperação Italiana e o AICS trabalharam em estreita coordenação com a Província de Tete para relançar a economia das zonas mais afectadas pelo conflito e contribuir para a reintegração social e económica dos beneficiários do processo de DDR”, disse o Diretor do AICS Maputo.

A Itália é um parceiro estratégico do PAM em Moçambique. Desde 2020, a Itália financia actividades de emergência em Cabo Delgado e as operações do Serviço Aéreo Humanitário das Nações Unidas (UNHAS), gerido pelo PAM, em apoio a todas as organizações humanitárias. A contribuição mais recente é a primeira para actividades de desenvolvimento e reforço da resiliência destinadas a reforçar as capacidades dos agricultores e a segurança alimentar.

 

Itália e Moçambique celebram a renovação do Museu de História Natural

No dia 29 de setembro de 2025 teve lugar a cerimónia oficial de reabertura do Museu de História Natural de Maputo, após mais de dois anos de intensos trabalhos de reabilitação.

O projeto, financiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional de Itália (MAECI) através da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), representou um investimento de 4.250.000 euros especificamente destinados à requalificação do Museu, no quadro do programa RINO, através da sua componente COREBIOM, que promove iniciativas de valorização, reabilitação e conservação da biodiversidade marinha e terrestre.

Coordenado pelo Polo Museale da Universidade Sapienza de Roma, em parceria com a Estação Zoológica Anton Dohrn e a ONG WeWorld, o projeto inclui também a criação de um Centro Nacional de Conservação da Biodiversidade, com o objetivo de reforçar o papel do Museu como referência científica e educativa.

A cerimónia contou com a presença de diversas altas individualidades, entre as quais a Ministra da Cultura e Educação, Samaria Tovela, o Embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, o Diretor da AICS, Marco Riccardo Rusconi, o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Manuel Guilherme Júnior, e a Diretora do Museu, Lucília Chuquela.

Fundado em 1911 e instalado desde 1933 num edifício histórico de estilo manuelino, o Museu é um dos monumentos mais emblemáticos de Moçambique. Encerrado ao público em outubro de 2023, foi alvo de profundas intervenções arquitetónicas, museológicas e museográficas, conduzidas por uma equipa multidisciplinar de especialistas italianos e moçambicanos ligados à Universidade Sapienza.

Entre os principais destaques estão a instalação de painéis solares e de um elevador, a modernização do sistema de iluminação e climatização, a construção de casas de banho internas, a criação de uma livraria, uma cafetaria e rampas de acesso para pessoas com deficiência, além de uma sala para exposições temporárias.

No plano museológico, as exposições foram restauradas e atualizadas com uma abordagem moderna que recria os diferentes habitats naturais, acrescentando salas dedicadas às ervas marinhas e aos grandes habitantes do mar. O percurso foi enriquecido com informações acessíveis a pessoas com deficiência visual e auditiva, tornando a visita mais inclusiva e educativa.

Foi também criado um espaço educativo dedicado à descoberta da biodiversidade por crianças e jovens, e o Museu passou por uma operação de rebranding, com a criação de um novo logótipo que moderniza a imagem institucional, mantendo a ligação à sua identidade histórica. As coleções do Museu distinguem-se pela sua riqueza científica e patrimonial: contam com mais de 200 mamíferos, 10.137 aves, 176.527 insetos, 1.250 invertebrados e 150 répteis taxidermizados.

Entre os seus tesouros, destacam-se a única coleção de fetos de elefante do mundo, que documenta mês a mês o desenvolvimento gestacional até ao vigésimo segundo mês, e um exemplar de celacanto, considerado um verdadeiro “fóssil vivo”, capturado em agosto de 1991 no Canal de Moçambique — um marco para a ciência no país. O Museu requalificado passa também a integrar uma sala etnográfica com cerca de 500 objetos representativos das práticas culturais de diferentes povos moçambicanos — arte, escultura, música, ourivesaria, cerâmica e cestaria — complementada por um acervo fotográfico histórico.

Durante a cerimónia, o Embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, destacou: “O nosso objetivo comum era claro: não apenas restaurar um edifício histórico, mas relançar o Museu como porta de acesso ao conhecimento ambiental de Moçambique, como centro nacional para a conservação da biodiversidade e como espaço educativo e científico capaz de formar novas gerações de investigadores e cidadãos conscientes.”

O Diretor da AICS, Marco Riccardo Rusconi, sublinhou o impacto estrutural da iniciativa: “Um marco essencial desta transformação é a criação do Centro Nacional de Conservação da Biodiversidade, que já iniciou a preparação de protocolos de monitoramento e programas de capacitação em estreita colaboração com os Ministérios competentes e com a Universidade Eduardo Mondlane.”

Por sua vez, o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Manuel Guilherme Júnior, expressou o reconhecimento da instituição: “Queremos agradecer, do fundo do coração, o apoio concedido por todos os intervenientes no processo de requalificação do nosso Museu de História Natural, com especial destaque para os nossos parceiros da República Italiana.”

A reabertura do Museu de História Natural de Maputo constitui um marco histórico para a preservação do património cultural e científico de Moçambique e simboliza não apenas a valorização da investigação, da educação e da cultura, mas também o fortalecimento da cooperação entre Moçambique e Itália.

Com esta requalificação, o Museu assume uma posição renovada como centro de conhecimento, divulgação científica e atração cultural, contribuindo para a promoção da biodiversidade e para a formação de uma nova consciência ambiental no país.

 

PRETEP PLUS: Novo Instituto Técnico em Cabo Delgado fortalece educação e empregabilidade juvenil

Hoje teve lugar a inauguração do Instituto Industrial e Comercial Engenheiro Filipe Jacinto Nyusi, em Namáua, na província de Cabo Delgado. O evento contou com a presença do Presidente da República de Moçambique, sua Excelência Engenheiro Filipe Jacinto Nyusi, do Diretor da Sede da AICS Maputo, Paolo Enrico Sertoli, do Secretário de Estado do Ensino Técnico-Profissional, Mety Gondola, assim como das principais autoridades de Cabo-Delgado, entre os quais o Secretário de Estado e o Governador, bem como líderes comunitários e religiosos de Namáua, entre outros.

A inauguração realizou-se no âmbito do Programa PRETEP PLUS, uma iniciativa financiada pela AICS que visa apoiar a reforma da educação profissional em Moçambique. O programa conta com uma linha de crédito de 35 milhões de euros, cuja implementação está a cargo da Secretaria de Estado do Ensino Técnico-Profissional (SEETP)

O principal objetivo do programa é a formação e aumento da empregabilidade de cerca de 27 mil jovens moçambicanos, bem como a reabilitação e apetrechamento de 11 instituições de Ensino Técnico-Profissional em todo o país, entre as quais o Instituto Industrial e Comercial Engenheiro Filipe Jacinto Nyusi. O Instituto recém-inaugurado tem 12 salas, oficinas de eletricidade , além de dormitórios e refeitório e vai albergar cursos de eletricidade, admnistração e gestão, informática assim como construção civil.

No discurso de inauguração, o Diretor da Sede da AICS Maputo, Paolo Enrico Sertoli, destacou o orgulho da “cooperação italiana em contribuir técnica e financeiramente para a transformação da Escola Secundária de Namáua em um instituto técnico de nível médio, incluindo a implementação da qualificação em Design de Interiores”. Sublinhou ainda que, através do PRETEP PLUS, foi possível capacitar tecnologicamente os formadores do instituto no Brasil, assim como adquirir equipamento e mobiliário para o instituto. Sertoli relembrou que a iniciativa está alinhada com o recentemente lançado Plano Mattei, onde a formação é um dos pilares essenciais.

Com o apoio da AICS, será também aberto um furo de água com 180 metros de profundidade, garantindo a disponibilidade de água potável para o instituto, que atualmente depende do abastecimento por camiões-cisterna. Esta iniciativa permitirá assegurar o acesso contínuo à água potável.

Por seu lado, o Presidente da República de Moçambique, sua Excelência Engenheiro Filipe Jacinto Nyusi, sublinhou que ” Moçambique está numa transição passando de um ensino técnico-profissional baseado em conteúdos para um ensino baseado em competências que privilegiam o saber fazer“.

Os estudantes do Instituto agradeceram ao Governo e aos Parceiros, de ter trazido o Ensino Técnico-Profissional a Namáua, deixando ainda um apelo de “expandir o ensino técnico para outros pontos do nosso belo Moçambique de modo a garantir a formação para mais jovens Moçambicanos

Cabo Delgado é uma província estratégica para a Cooperação Italiana, o que se reflete em diversas iniciativas. Um exemplo foi a visita organizada em fevereiro deste ano com o Embaixador da Itália e as agências das Nações Unidas, destinada a verificar o progresso dos projetos de emergência, financiados pela AICS. Outro destaque é o apoio ao desenvolvimento dos produtores de café do Ibo, que participaram no Primeiro Festival de Café em Moçambique, realizado com o apoio da AICS.

Essas ações ilustram o compromisso da Cooperação Italiana com o nexo entre emergência, desenvolvimento e paz , reafirmando o princípio de “não deixar ninguém para trás” (leave no one behind), mesmo nas áreas mais remotas do país. Um exemplo emblemático é a localidade de Namáua, que a partir de hoje passa a contar com um instituto técnico de excelência, contribuindo para aumentar a empregabilidade dos jovens na Província de Cabo-Delgado.

 

Fazer as coisas acontecerem

“Espero que regressem a casa diferentes da forma como chegaram, que se sintam mudados: para que possam transformar as vossas vidas e as vidas das comunidades em que vivem. Façam as coisas acontecerem!” Foi com estas palavras que Hermenegildo Rodrigues Arnaldo, director do Instituto Agrário de Chimoio (IAC), encerrou no dia 13 de abril a cerimónia de entrega dos certificados de conclusão do primeiro curso de formação em ‘Produção agrícola, produção animal e técnicas de transformação’ a 72 jovens do Distrito de Barué, na Província de Manica.

O curso de formação profissional de curta duração, com a duração de duas semanas, contou com a participação de 18 mulheres jovens e 54 homens jovens, 20 dos quais provenientes de famílias beneficiárias do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), em aulas teóricas e práticas sobre temas como a agricultura de conservação, técnicas de irrigação, controlo de pragas, criação de animais e produção de alimentos para animais, e a transformação e conservação de produtos agrícolas.

Nas próximas semanas, mais 328 jovens dos Distritos de Gondola, Guro, Macossa e Tambara vão participar em mais quatro ciclos de formação sobre os mesmos temas – uma das actividades chave do projeto DELPAZ na Província de Manica, que prossegue agora com estágios nas associações de produtores com quem o DELPAZ trabalha sob a supervisão dos técnicos agrónomos dos Serviços Distritais das Actividades Económicas formados em 2023.

Realizado pela Progettoomondo, um dos parceiros do consórcio que implementa o projecto, o curso decorreu no IAC, um dos parceiros institucionais do DELPAZ e também um dos principais institutos de formação profissional do país, que acolhe estudantes de todas as províncias e os forma em áreas como Agronomia, Medicina Veterinária, Engenharia Florestal e Conservação da Fauna Bravia, desempenhando um papel crucial na integração social e capacitação dos jovens.

O dia foi animado e alegre, entre momentos oficiais e trocas mais informais, que permitiram conversar com os alunos e alunas, que mostram – como se pode ler nas linhas seguintes – que regressam a casa com ideias e perspectivas muito diferentes, mas todos com grande motivação, e com novas amizades.

 

“Saio daqui com a ideia clara de que quero ir para a suinicultura: é a parte do curso que mais me apaixonou e tem um grande potencial” (Jordao Jairosse, de 31 anos, da comunidade de Honde)

“Já sou agricultor, mas aprendi coisas que não sabia, como a transformação de produtos agrícolas, que é algo que quero começar a fazer, nomeadamente com a produção de óleo de sésamo” (Armindo Inoque Jose, de 31 anos, de Nhassacara)

“Apercebi-me que quero continuar a formação e a estudar, gostaria que o curso tivesse durado mais tempo, mas depois apercebi-me do que me interessa” (Micheque Albertino Januario, de 21 anos, da comunidade de Chuala)

“Queremos trabalhar em grupo, organizarmo-nos. Vamos precisar de apoio, de alguns fundos para os primeiros investimentos, mas temos de começar” (Niquilone Fevereiro, 22 anos, de Chuala)

“Eu tenho o meu próprio campo. Cultivo milho, madumbe (taro), tseke (amaranto), mapira (sorgo). Onde é que eu gostaria de estar daqui a um ano? Gostava que os meus produtos fossem vendidos em Chimoio, aqui mesmo na cidade, a toda a gente”.  (Rosa Zeferino Manejo, 30 anos de Nhassacara)