Cooperação Italiana promove o desenvolvimento da primeira Estratégia de Turismo Sustentável na Ilha da Inhaca

De 13 a 15 de Maio, teve lugar o Fórum Estratégico de Stakeholders na Ilha de Inhaca. O Fórum constituiu um ponto estratégico para o desenvolvimento do turismo sustentável na Ilha de Inhaca e, durante três dias, reuniu autoridades locais, investigadores, operadores turísticos, régulos e representantes comunitários para desenhar um documento orientador de protecção dos ecossistemas e promoção do desenvolvimento económico inclusivo das comunidades locais.

O encontro representou, assim, um ponto de partida para a construção de uma estratégia comum para o desenvolvimento do Turismo Sustentável da Ilha de Inhaca. A iniciativa decorreu no âmbito do programa Mangrowth, financiado pela Cooperação Italiana, e foi organizada pela ONG ICEI – Istituto Cooperazione Economica Internazionale.

O primeiro dia do Fórum Estratégico de Stakeholders contou com a presença de Sua Excelência Vicente Joaquim Imedede, Secretário de Estado, assim como da Vice-Directora e Regente ad interim, Maria Cristina Pescante, entre outras individualidades.

Durante a sua intervenção, Maria Cristina Pescante sublinhou que “os projectos, tanto passados como actuais, promovidos pela AICS no sector ambiental, sempre se demonstraram relevantes para assegurar a conservação da biodiversidade, enfrentar os impactos negativos provocados pelas mudanças climáticas e promover um desenvolvimento socioeconómico sustentável no País”.

Por seu lado, Sua Excelência Vicente Joaquim Imedede destacou que “a Ilha de Inhaca é uma joia de biodiversidade e turismo sustentável, com grande potencial no ecoturismo, na pesca e na conservação. Destaca-se pelas praias paradisíacas, recifes de corais, mangais e pela pesquisa científica, sendo um local privilegiado para vivenciar a natureza intocada”, realçando ainda que “a ilha é reconhecida como o pulmão da Cidade de Maputo”.

Durante a sua intervenção, destacou ainda que a nova ponte-cais, inaugurada no dia 6 de Março de 2026, veio melhorar significativamente a acessibilidade à Ilha de Inhaca, deixando de depender das marés para o embarque e desembarque. Acrescentou que esta infraestrutura “vai trazer mais turistas”, sublinhando, por isso, a importância de envolver as comunidades locais no processo de desenvolvimento turístico sustentável.

O ponto de partida para o desenvolvimento desta estratégia começou com uma visita de estudo realizada, em Outubro de 2025, por uma delegação moçambicana ao Parque Nacional do Arquipélago da Toscana, em Itália. A visita teve como objectivo conhecer e analisar boas práticas internacionais, criar paralelismos com destinos de características ambientais e socioeconómicas semelhantes, reforçar a planificação partilhada e promover o desenvolvimento de um modelo de turismo regenerativo. Foi desta experiência que nasceu a ideia de desenvolver uma estratégia comum para o Turismo Sustentável da Ilha de Inhaca.

No primeiro dia do Fórum, contou-se ainda com a participação virtual de Marino Garfagnoli, Director do Director do Infopark no Parque Nacional do Arquipélago Toscano, que abordou o papel do sector privado na conservação do Parque, considerado uma das maiores áreas protegidas marinhas da Europa, destacando exemplos de cooperação entre instituições, comunidades e operadores turísticos para a promoção de um turismo sustentável e responsável.

Os próximos passos consistirão na realização de um conjunto de sessões de apoio técnico e institucional, envolvendo a Secretaria de Estado da Cidade de Maputo e os seus órgãos técnicos, com vista à definição de uma agenda de implementação da estratégia delineada durante o presente Fórum.

 

Maria Cristina Pescante, Directora Adjunta e Regente Ad Interim, junto com Vicente Joaquim Imedede, Secretário de Estado na Cidade de Maputo

 

Cooperação Italiana apoia reinauguração do primeiro serpentário de Moçambique

No dia 5 de Maio teve lugar a reinauguração do serpentário da Faculdade de Veterinária da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo. A infraestrutura, destruída durante o período pós-eleitoral de 2024, foi reabilitada no âmbito do programa “RINO – Recursos, Inovação e Desenvolvimento para Áreas de Conservação”, financiado pela Cooperação Italiana.

A cerimónia contou com a presença de diversas individualidades, entre elas o Embaixador da Itália em Moçambique, Gabriele Annis, o Reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, e a Directora Adjunta e Regente Ad Interim da sede da AICS em Maputo, Maria Cristina Pescante, entre outros convidados.

Em Moçambique, mais de 6.000 pessoas perdem a vida todos os anos devido a mordeduras de serpentes venenosas, num problema considerado um sério desafio de saúde pública. Segundo dados da BIOFUND, o país possui cerca de 78 espécies de serpentes, das quais 35 não são consideradas venenosas e 13 são classificadas como potencialmente mortais. Entre as mais perigosas destacam-se a Black Mamba — que inspirou o nome da seleção nacional moçambicana, os “Mambas” —, a víbora e a naja moçambicana.

Durante o seu discurso, o Embaixador Gabriele Annis destacou que “o serpentário constituirá uma ferramenta essencial para a formação e capacitação de pessoal especializado na recolha e extracção de veneno para a produção de soros, fundamentais para salvar vidas”.

Actualmente, decorre até ao dia 11 de Maio um curso orientado por especialistas sul-africanos sobre o manejo de serpentes venonosas. A formação reúne investigadores provenientes de várias instituições nacionais, entre elas a ANAC, o Parque Nacional de Maputo, o Museu de História Natural da UEM, a Faculdade de Veterinária e a Faculdade de Ciências.

Por sua vez, o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Manuel Guilherme Júnior, sublinhou que “este serpentário é também para os nossos estudantes, que uma vez ainda na faculdade são preparados para lidar com o fenómeno”, referindo-se às mordeduras de serpentes venenosas e à necessidade de saber como agir perante estas situações.

O serpentário, considerado o primeiro do género na história de Mozambique, representa um passo importante para servir a comunidade, reforçar a investigação científica e apoiar a procura de soluções e soros capazes de combater os efeitos do veneno das serpentes.

Embaixador da Itália, Gabriele Annis, juntamente com o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, inaugurando o serpentário.

Cooperação Italiana e Ministério da Saúde de Moçambique na linha da frente na prevenção do cancro do colo do útero: Amadbay Gulamo Assane vence concurso “Capulana é Vida” com forte impacto social

Amadbay Gulamo Assane, natural do Distrito do Búzi, na Província de Sofala, é o grande vencedor do concurso “Capulana é Vida”, uma iniciativa que alia arte e saúde pública e que destaca de forma clara o papel central da Cooperação Italiana e do Ministério da Saúde de Moçambique na promoção da prevenção do cancro do colo do útero.

A obra vencedora, intitulada “África Chora”, foi escolhida por um júri institucional e pelo público, destacando-se pela sua forte carga simbólica e social. A capulana retrata a dor silenciosa associada ao cancro do colo do útero, enquanto transmite uma mensagem de força, esperança e união entre as mulheres.

Dominada pela cor roxa — símbolo da luta contra esta doença —, a peça apresenta três círculos e a figura de uma mulher que segura a palavra “Vida”, em referência ao lema do concurso. Numa barra central bem visível, lê-se a mensagem: “Prevenção é o melhor caminho para combater o cancro do colo do útero”.

Como prémio, o vencedor participou num workshop em Maputo, realizado no atelier da estilista Amirah Adam, onde desenvolveu a versão final da capulana. Recebeu ainda um prémio monetário no valor de 10.000 meticais.

A cerimónia de entrega decorreu na Casa do Artista da Beira, no dia 29 de Abril, onde o médico-chefe da Província de Sofala, Edgar Meque, reafirmou o compromisso do Ministério da Saúde de Moçambique na luta contra o cancro do colo do útero. Entre as principais estratégias destacadas estão a expansão do acesso aos serviços de rastreio, o reforço da vacinação contra o HPV e a intensificação das acções de educação e sensibilização nas comunidades.

Por sua vez, a directora adjunta regente ad interim da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, Maria Cristina Pescante, sublinhou o papel determinante da Cooperação Italiana no apoio a intervenções concretas e contínuas em Moçambique. Segundo afirmou, estas iniciativas promovem a vacinação como instrumento essencial de protecção, incentivam o rastreio regular para deteção precoce e garantem apoio ao tratamento quando necessário, contribuindo para uma resposta integrada e eficaz em estreita articulação com o Ministério da Saúde de Moçambique.

Num momento particularmente emotivo, a artista e activista cultural Sónia Sultuane destacou o poder simbólico da capulana:
“Como embaixadora desta causa, olho para a capulana — que damos o nó no peito, à curva do quadril e no calor dos braços — e vejo nela a esperança. O cancro do colo do útero tem silenciado as nossas mulheres, não por falta de força, mas por falta de voz. Muitas partem porque o saber chegou tarde. Queremos bordar no pano e na alma: ‘Tu importas, previne-te’”.

Lançado na Beira a 23 de março pelo Embaixador de Itália, Gabriele Annis, o concurso “Capulana é Vida” contou com mais de 50 candidaturas, das quais 30 foram consideradas elegíveis. A selecção do vencedor resultou da conjugação entre votação pública nas redes sociais e a avaliação de um júri institucional.

Promovida pela Cooperação Italiana, em parceria directa com o Ministério da Saúde de Moçambique e as autoridades provinciais de saúde, a iniciativa teve como objectivo envolver a juventude na criação de mensagens de sensibilização sobre a prevenção do cancro do colo do útero. Integrada no projecto “Prevenção e Controlo das Doenças Não Transmissíveis”, a campanha recorreu à capulana — símbolo marcante da identidade cultural moçambicana — como meio de comunicação em saúde pública.

A campanha reforça duas principais medidas de prevenção, promovidas conjuntamente pela Cooperação Italiana e pelo Ministério da Saúde de Moçambique: a vacinação de meninas contra o HPV, principal factor de risco da doença, e o rastreio regular de mulheres a partir dos 25 anos, essencial para o diagnóstico precoce e tratamento de lesões pré-cancerosas.

Para além da dimensão sanitária, o concurso prestou também homenagem a figuras do jornalismo moçambicano, como Maria de Lurdes Torcato, Ofélia Tembe e Suzete Honwana, que contribuíram para valorizar a capulana. No seu livro Capulanas & Lenços, Torcato destaca que, embora tenha origem externa, a capulana tornou-se profundamente moçambicana, funcionando como um meio de expressão cultural que “fala” através dos seus padrões, refletindo acontecimentos sociais, políticos e culturais.

Com esta iniciativa, espera-se que a capulana vencedora amplifique a sua mensagem, unindo cultura e saúde pública. O concurso “Capulana é Vida” reafirma, assim, o papel estratégico da Cooperação Italiana e do Ministério da Saúde de Moçambique na promoção do bem-estar das comunidades, consolidando uma cooperação sólida entre Moçambique e Itália na luta contra o cancro do colo do útero.

 

Embaixada de Itália, AICS e TVM renovam Memorando de Entendimento para reforçar a comunicação e visibilidade das iniciativas no país

Da esquerda para a direita: Gabriele Annis, Embaixador da Itália em Moçambique, Victor Filipe Sinai Nhatitima, Presidente do Conselho de Administração da TVM, Maria Cristina Pescante, Directora Adjunta e Regente ad Interim – AICS Maputo e Cláudio Ilídio Jone, Administrador Executivo TVM.

No dia 13 de abril de 2026, foi formalizada a renovação do Memorando de Entendimento entre a Embaixada de Itália em Moçambique, a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) – Sede de Maputo e a Televisão de Moçambique (TVM).

O acordo entra no seu terceiro ano de implementação, consolidando uma parceria estratégica que visa reforçar a visibilidade das iniciativas promovidas pela Itália no país. Através desta colaboração, a TVM continuará a assegurar a cobertura e difusão das atividades da Embaixada e da AICS nas 11 províncias de Moçambique, bem como junto da diáspora, através das suas correspondências em Portugal.

O Memorando foi assinado pelo Embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, pelo Presidente do Conselho de Administração da TVM, Victor Filipe Sinai Nhatitima, e pela Vice-Diretora e Reggente ad interim da AICS em Maputo, Maria Cristina Pescante.

Durante a cerimónia, o Presidente do Conselho de Administração da TVM destacou a importância da parceria, afirmando que “este Memorando representa uma oportunidade para a TVM fortalecer a sua missão de serviço público, ampliando a sua capacidade de informar, educar e entreter”. Sublinhou ainda que a colaboração “reforça o papel da comunicação social como ponte entre povos, culturas e ideias, promovendo o diálogo, o entendimento e a valorização da diversidade”.

Por sua vez, o Embaixador Gabriele Annis referiu que a Embaixada de Itália está a mobilizar esforços junto da RAI — a televisão pública italiana — com vista à possível doação de equipamento informático à TVM, contribuindo para o reforço das suas capacidades técnicas.

O Embaixador aproveitou ainda a ocasião para agradecer aos profissionais da TVM, tanto em Maputo como nas delegações provinciais de Sofala, Cabo Delgado e Manica, que o acompanharam durante as suas missões nessas províncias. “O vosso rigor, profissionalismo e dedicação foram fundamentais para assegurar que as iniciativas e o trabalho da Itália chegassem diretamente aos telespectadores”, destacou.

A renovação deste Memorando reafirma o compromisso conjunto das instituições envolvidas em promover uma comunicação eficaz e acessível, ao serviço do desenvolvimento e do fortalecimento das relações entre Moçambique e Itália.

Assinatura do Acordo-Quadro de Cooperação para o Desenvolvimento entre a República Italiana e a República da Zâmbia

S.E. Enrico De Agostini, Embaixador de Itália na Zâmbia, e o Hon. Mulambo Haimbe, Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional, durante a assinatura do Acordo.

Lusaka, 24 de setembro de 2026 – Hoje, nas instalações do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional da República da Zâmbia, foi assinado o Acordo-Quadro de Cooperação para o Desenvolvimento entre a República Italiana e a República da Zâmbia.

O Acordo foi assinado por S.E. Enrico De Agostini, Embaixador de Itália na Zâmbia, e pelo Honorável Mulambo Haimbe, Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional. A cerimónia contou também com a presença do Dr. Paolo Enrico Sertoli, Director da Sede da Agência Italiana para a Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) de Maputo.

A assinatura do Acordo representa um marco significativo no reforço da longa amizade entre Itália e a Zâmbia. Este estabelece um quadro sólido para promover um desenvolvimento inclusivo e sustentável, em consonância com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

O lançamento de uma parceria renovada com África teve lugar em janeiro de 2024, com a apresentação do Plano Mattei para África durante a Cimeira Itália–África realizada em Roma. A iniciativa visa definir um novo modelo de cooperação baseado em parcerias entre iguais, apoiado por um compromisso inicial de 5,5 mil milhões de euros.

Em linha com esta abordagem renovada, a Itália reforçou o seu envolvimento na Zâmbia através das suas atividades de Cooperação para o Desenvolvimento, um processo que tem vindo a ganhar impulso nos últimos anos. Em junho de 2024, a Zâmbia foi incluída entre os países prioritários da Cooperação Italiana para o Desenvolvimento e colocada sob a coordenação do Escritório da AICS em Maputo. A visita do Diretor-Geral para a Cooperação para o Desenvolvimento, Stefano Gatti, em julho de 2024, e a abertura de um Escritório da Cooperação Italiana nas instalações da Embaixada de Itália tornaram esta decisão operacional.

Além disso, a Itália respondeu positivamente ao apelo de emergência do Governo da Zâmbia para mitigar o impacto da seca induzida pelo fenómeno El Niño, com especial enfoque na melhoria das condições de vida das comunidades rurais.

Por fim, S.E. o Embaixador de Itália na Zâmbia, Enrico De Agostini, declarou: “Como sublinhado pela nossa Presidente do Conselho de Ministros, S.E. Giorgia Meloni, em fevereiro de 2026 a Zâmbia tornou-se um país prioritário para o Plano Mattei, que constitui a estratégia italiana de investimento em África, baseada numa parceria entre iguais, assente num diálogo verdadeiro e em interesses recíprocos. A assinatura deste Acordo reflete o compromisso partilhado dos nossos governos em trabalhar lado a lado para um futuro mais resiliente, inclusivo e sustentável para o povo da Zâmbia“.

O Director da Sede AICS – Maputo, Dr. Paolo Enrico Sertoli, declarou “Pretendemos reforçar ainda mais a nossa presença na Zâmbia, começando pelo lançamento de uma iniciativa de 6 milhões de euros nas províncias do Norte e Copperbelt, na região do Corredor do Lobito, centrada na restauração dos ecossistemas e nas cadeias de valor sustentáveis

Da esquerda para a direita: Silvia Piccinini (Gabinete comercial e político- Embaixada de Itália em Lusaka), S.E. Enrico De Agostini, Embaixador de Itália na Zâmbia, Paolo Enrico Sertoli, Director da AICS Sede de Maputo, Alessandro Botta, Chefe do Escritório da AICS em Lusaka.

Dia Internacional da Água: destaque para o lançamento da primeira pedra do programa de saneamento ambiental (19 de março)

© Renco

Teve lugar, no dia 19 de março, a cerimónia de lançamento da primeira pedra no âmbito do Programa de Saneamento Ambiental para a drenagem de águas pluviais em bairros da cidade de Maputo, financiado pela Cooperação Italiana. A obra terá uma duração prevista de três anos e representa um investimento, através de um crédito de ajuda no valor de 60 milhões de euros (pelo projeto de engenharia e a realização da obra), acrescido de uma componente a fundo perdido de 1,752 milhões de euros (finalizado a  gestão do programa por parte do Ministério das Obras Publicas Habitação e Recursos Hídrico).

O evento contou com a presença de altas entidades, nomeadamente o Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, o Embaixador da Itália em Moçambique, Gabriele Annis, e o Diretor da AICS – Sede de Maputo, Paolo Enrico Sertoli, entre outros distintos representantes institucionais.

Embora oficialmente lançadas nesta data, as obras decorrem desde setembro de 2025 e incluem a construção de 14 quilómetros de sistemas de drenagem de águas pluviais, bem como a pavimentação de mais de 8 quilómetros de estradas no distrito de KaMaxaquene. Atualmente, cerca de 8% dos trabalhos já se encontram concluídos. As obras estão a ser executadas pela empresa italiana Renco, com a fiscalização da consultoria italiana FCRR s.r.l.

Estas intervenções desempenham um papel fundamental na mitigação dos impactos causados por fenómenos climáticos extremos, num contexto em que Moçambique figura entre os países mais vulneráveis às alterações climáticas.

O programa insere-se nos esforços do setor de infraestruturas da Cooperação Italiana para promover o desenvolvimento de cidades e comunidades, para que se torne mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis, em articulação com outras duas iniciativas complementares: o Programa Drenagem, atualmente em implementação no distrito de KaMaxaquene, e o Programa Regenera, em curso no bairro de Chamanculo C.

Em conjunto, estas intervenções contribuirão para a melhoria das condições ambientais e urbanas, através da redução do risco de inundações e da prevenção de doenças de origem hídrica (como a cólera), gerando um impacto direto e positivo na qualidade de vida das populações beneficiárias.

Durante a sua intervenção, o Embaixador da Itália em Moçambique sublinhou que “a obra integra diferentes soluções técnicas, incluindo canais abertos, canais subterrâneos e estruturas de gabiões, que permitirão melhorar significativamente o escoamento das águas pluviais e reduzir o risco de inundações”.

O Embaixador destacou ainda que “este projeto representa, na cidade de Maputo, o compromisso do Sistema Itália e das empresas italianas em colocar ao serviço do desenvolvimento sustentável as suas competências técnicas e experiência em engenharia, em benefício das comunidades e do ambiente”.

Este projeto reafirma o compromisso da Cooperação Italiana em apoiar Moçambique na implementação de soluções integradas que abrangem os setores de infraestruturas, desenvolvimento urbano e WASH (Água, Saneamento e Higiene), contribuindo para a melhoria das condições de vida das comunidades e para o reforço da resiliência das cidades face aos desafios das alterações climáticas.

Mensagem de despedida do Director da Sede AICS de Maputo

Cara leitora, caro leitor,

Aproxima-se o fim do meu mandato como Director da Sede AICS de Maputo, que terminará no final deste mês de março, após mais de quatro anos de intenso trabalho. Não é fácil fazer um balanço de um período tão rico em desafios, experiências e resultados alcançados.

Cheguei a Moçambique em 2022, um ano emblemático para a Cooperação Italiana para o Desenvolvimento no país. Com efeito, em julho de 2022 realizou-se a visita a Moçambique de Sua Excelência o Presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, ocasião em que foi assinado o Plano Indicativo Plurianual (PIP) entre Itália e Moçambique para o período 2022-2026, primeiro resultado concreto e relevante do meu mandato.

A minha chegada coincidiu também com uma fase em que ainda se faziam sentir os efeitos da pandemia de COVID-19, o que não podemos esquecer. Nesse contexto, tive a oportunidade de constatar o impacto da Cooperação Italiana para o Desenvolvimento, em particular através do apoio ao Centro de Biotecnologia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), na linha da frente das atividades de diagnóstico. Foi também um ano simbólico, marcado pela celebração dos 45 anos de cooperação entre Itália e a UEM, a maior e mais prestigiada universidade de Moçambique, com a qual colaboramos há muito na formação de quadros e no reforço do ensino superior.

Ao longo do meu mandato, senti-me profundamente orgulhoso ao ver crescer a ação da AICS e da Cooperação Italiana para o Desenvolvimento no complexo contexto regional da África Austral. Um dado ilustra bem esta evolução: no início do meu mandato, a Delegação da AICS de Maputo tinha competência sobre três países, dos quais apenas um (Moçambique) era prioritário para o Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional (MAECI). Termino o meu mandato com competência sobre cinco países, dos quais três prioritários (Moçambique, Zâmbia e Malawi) para o MAECI e três (Moçambique, Zâmbia e Angola) no âmbito do Plano Mattei para a África.

Entre os momentos marcantes do meu mandato, no que respeita ao alargamento de competências, destacam-se, sem dúvida, a inauguração do Escritório de Programa de Chimoio (Moçambique, Província de Manica, em 2023), um hub que coordena as nossas atividades na província, em particular no setor agrícola, e que desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do Centro Agroalimentar de Manica (CAAM), iniciativa emblemática do Plano Mattei para a África; bem como a abertura do Escritório de Programa de Lusaka, com competência sobre o Malawi e a Zâmbia, reforçando a presença e a capacidade de intervenção da Cooperação Italiana para o Desenvolvimento na África Austral.

Entre os momentos mais emblemáticos do meu mandato, gostaria de destacar em particular: a reabertura, em setembro de 2025, do Museu de História Natural de Maputo, verdadeiro tesouro da cidade e importante marco na preservação e valorização do património cultural e científico de Moçambique; em 2024, o contributo para a organização da primeira Expo Café em Moçambique; bem como a inauguração de importantes infraestruturas, como o incubador de start-ups na Universidade Eduardo Mondlane (em 2023) e o centro de saúde de Namaacha (em 2022). Refira-se ainda, em 2023, 2024 e 2025, o envio de delegações de produtores agrícolas provenientes dos países de competência para a feira Macfrut, contribuindo assim para o reforço do intercâmbio de conhecimentos e oportunidades no setor agrícola.

Um dos legados mais relevantes da minha gestão são os processos que contribuí para estruturar e consolidar, assentes numa visão cada vez mais orientada para resultados e para projetos de dimensão regional, apoiados num forte espírito de equipa com todo o Sistema Itália, no envolvimento do setor privado (nomeadamente através de uma colaboração já bem consolidada com a ENI Rovuma, a Macfrut e a The European House Ambrosetti – TEHA) e na valorização da comunicação como instrumento estratégico da Cooperação para o Desenvolvimento.

Foram milhares os quilómetros percorridos e inúmeras as horas de voo que me permitiram conhecer de perto a região, as suas comunidades e os nossos beneficiários. Neste percurso, tive sobretudo a oportunidade de testemunhar a extraordinária resiliência das populações e a sua determinação em construir um futuro melhor para as suas comunidades.

Um agradecimento especial às Representações Diplomáticas competentes — as Embaixadas em Maputo, Lusaka, Harare e Luanda —, às instituições parceiras, às autoridades locais, às Organizações da Sociedade Civil italianas e moçambicanas, às Delegações da União Europeia, às Agências das Nações Unidas e a todos aqueles que contribuíram para este percurso partilhado.

Por fim, uma palavra de profunda e sincera gratidão a todo o pessoal da Sede AICS de Maputo. Estes resultados não teriam sido possíveis sem o empenho, a dedicação, a competência e o espírito de equipa de cada um de vós.

Muito obrigado. Kanimambo. Thank you.

Hipólito e Assucena: dois percursos de inclusão e crescimento profissional

 

Hipólito e Assucena foram os primeiros estagiários a ser acolhido na AICS Maputo no âmbito do Programa da Cooperação Italiana, Criação de Emprego Através das TICs, que visa promover oportunidades profissionais para jovens com deficiência e reforçar a sua inclusão no mercado de trabalho.

Assucena, de 26 anos, licenciada em Administração Pública, encontrava-se à procura de uma oportunidade profissional quando participou numa feira de emprego. “Fui ao stand da Humanity & Inclusion, que estava a receber CVs de pessoas com deficiência. Sem hesitar, submeti o meu”, recorda. Poucos dias depois, recebeu uma chamada com a possibilidade de realizar um estágio na AICS, marcando o início de uma nova etapa no seu percurso profissional.

Durante o estágio, Assucena desempenhou diversas funções, nomeadamente no controlo da entrada e saída de stock e no apoio logístico, incluindo a negociação com fornecedores. Entre todas as tarefas, destaca com entusiasmo uma em particular: “A minha parte preferida é o protocolo de documentos, que também me ajuda a aprender italiano”, afirma, evidenciando como esta experiência contribuiu não apenas para o seu desenvolvimento profissional, mas também pessoal.

Por sua vez, Hipólito, activista pelos direitos humanos das pessoas com deficiência e comentador desportivo na Rádio Miramar, teve conhecimento da oportunidade também através da Humanity and Inclusion. Na AICS, tem desempenhado funções de apoio à organização interna, incluindo a participação em reuniões, a gestão logística dos motoristas e o uso de ferramentas como o Excel. Com orgulho, partilha o impacto desta experiência: “O estágio trouxe-me uma nova alavanca, uma nova visão e uma nova forma de estar, permitindo enriquecer o meu conhecimento.”

Para ambos, o estágio representou uma oportunidade transformadora. Assucena destaca como principal aprendizagem a importância da confiança em si própria: “Não ter medo de errar é o principal.” Deixa ainda uma mensagem a outras pessoas com deficiência: “Não se limitem, não digam que não são capazes. Se fecharmos a nossa mente, não iremos explorar muitas oportunidades.”

Hipólito, por sua vez, sublinha o papel fundamental das organizações na promoção da inclusão: “Antes de oferecerem oportunidades de estágio a pessoas com deficiência, é essencial criar locais de trabalho acessíveis e inclusivos.”

Quando convidados a resumir esta experiência numa única palavra, as suas respostas refletem bem o impacto do estágio: para Hipólito, foi “fantástico”; para Assucena, representou sobretudo “crescimento”.

A Sede da AICS em Maputo organizou um momento de despedida e confraternização com os estagiários, expressando o seu reconhecimento pelo profissionalismo, dedicação e empenho demonstrados ao longo do estágio, e desejando-lhes os maiores sucessos nos seus futuros percursos profissionais

Esta iniciativa  demonstra como a criação de ambientes de trabalho inclusivos não só promove a igualdade de oportunidades, como também contribui para valorizar talentos, fortalecer instituições e construir uma sociedade mais justa e inclusiva.

Moçambique – A Cooperação Italiana para o Desenvolvimento reforça a resiliência das comunidades de Marracuene (Província de Maputo) e Macate (Província de Manica)

No dia 19 de fevereiro de 2026, no âmbito das iniciativas de reforço da resiliência das comunidades vulneráveis às alterações climáticas em Moçambique, financiadas pela Cooperação Italiana para o Desenvolvimento, realizaram-se dois eventos destinados a apoiar as populações afetadas pelas recentes chuvas intensas e inundações que atingiram o país no início do ano.

O primeiro evento teve lugar em Marracuene (Província de Maputo), uma zona já beneficiária de importantes financiamentos da Cooperação Italiana para o Desenvolvimento, nomeadamente através do Programa A-GEO, que permitiu a criação da primeira “praia modelo” do país, na localidade da Macaneta. Trata-se de uma das áreas mais afetadas pelas recentes inundações, que provocaram a interrupção da ligação rodoviária entre Marracuene e a Macaneta, isolando diversas comunidades locais.

Na ocasião, o Embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, acompanhado pelo Diretor da Sede da AICS em Maputo, Paolo Enrico Sertoli, e pelo Presidente do Município de Marracuene, Shafee Sidat, procedeu à distribuição de 70 kits alimentares, contendo, entre outros bens essenciais, farinha, arroz e frango, com o objetivo de apoiar as famílias mais afetadas.

Durante a cerimónia, o Embaixador sublinhou estar presente “para levar a solidariedade do povo italiano” e destacou que “apesar da distância, o povo italiano e o povo moçambicano são irmãos”. Por sua vez, o Presidente do Município de Marracuene afirmou que “a Itália prestou o seu apoio desde o primeiro momento”, reconhecendo o compromisso contínuo da Cooperação Italiana para o Desenvolvimento em favor das comunidades afetadas.

O segundo evento teve lugar no Distrito de Macate (Província de Manica), onde foram distribuídas sementes de milho e feijão a 26 beneficiários, no âmbito de uma estratégia destinada a reforçar a segurança alimentar e apoiar a recuperação dos meios de subsistência das comunidades afetadas. Esta distribuição, realizada com o apoio da AICS, insere-se numa intervenção mais ampla a nível provincial que, no âmbito da campanha agrícola 2025/2026, apoiará globalmente cerca de 300 beneficiários.

Durante a cerimónia, foi igualmente realizada uma sessão de sensibilização dirigida aos beneficiários, na qual foi destacada a importância da correta utilização das sementes distribuídas, enquanto insumos produtivos essenciais para a próxima campanha agrícola.

Isaquias, líder comunitário de Macate, agradeceu o apoio recebido e sublinhou que “comprometemo-nos a utilizar as sementes exclusivamente para a produção, seguindo as orientações fornecidas durante a sessão de sensibilização, de forma a garantir bons resultados na presente campanha agrícola”. Acrescentou ainda que “acreditamos que, com empenho e trabalho conjunto, conseguiremos obter uma boa colheita e contribuir para o desenvolvimento da nossa comunidade”.

Resposta da cooperação italiana as cheias em Moçambique

As cheias que estão a ocorrer em Moçambique já afectaram mais de 700.000 pessoas desde 7 de janeiro (dados de 1 de fevereiro), tendo levado ao resgate de quase 20.000 pessoas e causado danos significativos em infraestruturas essenciais do país, incluindo o corte da Estrada Nacional n.º 1 (N1) entre as províncias de Maputo e Gaza.

Em Marracuene, o transbordo do rio Incomati interrompeu a circulação rodoviária entre a vila de Marracuene e a localidade turística da Macaneta, que tem vindo a ser apoiada no âmbito do programa A-GEO, financiado pela Cooperação Italiana.

Dos 18 nadadores-salvadores formados no âmbito do programa, 11 participaram nas operações de busca, salvamento e apoio às comunidades afectadas, nomeadamente em Manhica, Boane e Marracuene, algumas das zonas mais atingidas pelas cheias. Os meios doados no âmbito do projecto, em particular os jet-skis, também foram utilizados para apoiar estas operações.

Elias Novela, um dos nadadores-salvadores formados no âmbito do A-GEO, afirma estar “orgulhoso por ajudar a minha própria comunidade”, acrescentando que “já resgatámos crianças em desespero, pessoas com deficiência e idosos sem esperança”. O nadador-salvador salientou ainda que a formação recebida permitiu “aprender a pensar rapidamente e agir dentro do tempo para salvar vidas”.

Giulia Natali, do sector da Saúde da AICS, durante a entrega de kits de higiene à comunidade de Magoanine, afetada pelas cheias.

Na sexta-feira, 30 de janeiro, o Embaixador da Itália em Moçambique, Gabriele Annis, juntamente com representantes do sector da saúde da AICS, visitou o centro de acolhimento no bairro de Magoanine, prestando apoio às comunidades que acolheram pessoas deslocadas pelas cheias. Numa das zonas mais afectadas, foram distribuídos 135 kits de higiene, incluindo purificadores de água, com vista à prevenção de doenças infecciosas como a cólera.

Em Manica, foi entregue um pacote de sementes composto por 1.500 kg de milho e 600 kg de feijão, com o objectivo de apoiar as famílias agrícolas afectadas pelas chuvas intensas e pelas inundações. A doação ocorreu no âmbito do programa de reforço da resiliência das comunidades mais vulneráveis das províncias da Zambézia, Manica e Tete.

Importa ainda salientar que, através do programa Ready2ACT, financiado pela Cooperação Italiana, a Fondazione CIMA está a prestar apoio remoto aos técnicos do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e de outros institutos competentes do sistema de alerta, como o INAM e a DNGRH, apoiando as operações de monitorização e análise do fenómeno por meio de ferramentas de previsão e acompanhamento desenvolvidas no âmbito do projecto, incluindo a nova sala de operações inaugurada no ano passado.

Paralelamente, no âmbito do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, activado para esta emergência, está igualmente prevista a chegada ao país de um especialista em gestão de cheias da Fondazione CIMA, entre os contributos da União Europeia, para apoiar a gestão do risco.

Para Paolo Enrico Sertoli, Diretor da Sede da AICS em Maputo, “sabemos que Moçambique é um dos países mais afectados pelas mudanças climáticas. Nos últimos anos, através de projectos como o Ready2ACT, temos investido fortemente na gestão de riscos e no reforço dos sistemas de alerta precoce, contando com o know-how da Fondazione CIMA e do Departamento de Proteção Civil italiano. Agradecemos igualmente o papel essencial dos nadadores-salvadores formados pelo programa A-GEO na salvaguarda de vidas e no apoio às comunidades. A Itália e a Cooperação Italiana continuarão a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para apoiar a população moçambicana.”

Nadadores-salvadores formados no âmbito do projeto A-GEO em operações de resgate.