DELPAZ continua a consolidar comunidades mais justas, pacificas e resilientes

Mais de 100 participantes de 14 distritos onde está a ser implementado o DELPAZ nas províncias de Sofala, Manica e Tete, e os parceiros, reuniram-se ontem em Chimoio (Manica) numa reflexão dos quatros anos da execução do programa, tendo concordado que o DELPAZ está a consolidar comunidades mais justas, pacificas e resilientes.

No seminário de reflexão sobre experiências, lições e boas práticas de inclusão social, diálogo para construção da Paz e equilíbrio de género no desenvolvimento local, os participantes fizeram notar que as experiências relevantes estão centradas na valorização da diversidade e na promoção do diálogo.

Destacaram a maior participação da mulher, a valorização das vozes locais, fortalecimento do diálogo comunitário – que reconhece e valoriza as línguas locais -, equidade de oportunidades, reintegração de grupos historicamente marginalizados, como ex-combatentes e vitimas de conflitos, como sendo caminhos essenciais para a consolidação de uma sociedade mais justa, pacífica e resiliente.

Intervindo na ocasião Osman Cossing, coordenador de Programas do Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) – que organizou o evento – defendeu que a “Paz é verdadeira quando é inclusiva e as vozes são ouvidas e valorizadas”, e realçou que a “democracia começa no diálogo”.

Tony Mossio, coordenador do DELPAZ na componente de governação local através do Fundo de Capital de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNCDF), referiu que foram feitos apoios a todos os níveis, num processo inclusivo, participativo e sensível às diferenças culturais, de género e ideológicos, num processo inicialmente desafiado por falta de compreensão efetiva do programa.

Já Pedrito Cambrão, diretor da faculdade de Ciências Sociais e Humanidades da Universidade Zambeze, ao debruçar sobre o tema “Paz, governação e desenvolvimento local inclusivo no contexto pós-conflito”, sublinhou que sem paz, tudo é instável e frágil, insistindo para a necessidade de práticas educativas que curam as feridas do passado, consolidado o dialogo, reconciliação, perdão, escuta e partilhas.

“A corda que não se ata bem, solta-se na primeira chuva”, vincou em alusão de que se não forem bem tratados com seriedade os compromissos do processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR) dos ex-combatentes da Renamo, “corremos o risco de reabrir feridas antigas e perder o fio delicado que nos mantem”.

“Recorrendo ao adágio ‘o rio não bebe a sua própria água’, apelou ao poder executivo a não agir em benefício próprio e reforçou que ‘não há paz que resista sem o povo’.”

Testemunhos

Os depoimentos dos beneficiários, que compartilharam as transformações vividas em suas comunidades, foram um dos pontos de destaque da apresentação dos resultados históricos do DELPAZ, feita por Giulia Zingaro, da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), que implementa o DELPAZ nas províncias de Manica e Tete, com o apoio da Helpcode a liderar o consórcio de ONGs em Manica e a da SavetheChildren em Tete.

Isac Cerveja, presidente do Ponto Verde de Báruè, no distrito de Manica, arrancou fortes aplausos na sala ao garantir em viva-voz: “Eramos pequenos camponeses, e agora somos pequenos empresários”, fruto da ampliação da visão para a uso da agricultura como vector de desenvolvimento.

“A ampliação do Ponto Verde para cinco hectares, permitiu a compra de motobomba de irrigação com recursos próprios vindos das vendas dos produtos agrícolas, e agora o DELPAZ forneceu um sistema capaz de irrigar até 60 hectares de campos de cultivo”, disse ao testemunhar as mudanças feitas pelo DELPAZ na sua vida e na sua comunidade. Destacou a ligação com o mercado, incluindo a participação na FACIM no ano passado e este ano como um elo importante para a sustentabilidade do financiamento.

Por sua vez, Alcélia Aristide Saimon, beneficiária do programa DELPAZ, referiu que após se beneficiar de um curso de corte e costura, está a costurar roupas para vender nas comunidades remotas com pouco acesso a vestuários, e nas comunidades sem recursos tem feito trocas das roupas e uniformes escolares com milho, garantindo assim que as crianças frequentem o ensino.

Armando Taunde, manifestou-se satisfeito com inclusão, dos filhos nas formações em várias áreas do saber fazer, e que suas actividades estão a desenvolver, e apelou que seja feito um exercício de abranger outros distritos não integrados no DELPAZ.

Os consultores independentes Luís Taiado e Nelson Moda apresentaram os resultados preliminares de um estudo, focado em lições e boas práticas de inclusão social, empoderamento de género, diálogo para a construção da paz e desenvolvimento local equitativo, apontou para uma participação mais ampla e ativa das mulheres, incluindo beneficiárias do DDR, e sublinhou que o DELPAZ conseguiu enraizar-se nas comunidades.

No entanto, os consultores advertiram que, apesar dos progressos alcançados, persistem desafios, nomeadamente alguma falta de articulação entre os parceiros, governos locais e comunidades durante a implementação do DDR, bem como perceções de estigmatização e marginalização por parte de alguns membros do DDR, que ainda não se identificam plenamente com o programa.

Dada a complexidade do contexto moçambicano, marcado por períodos de conflito armado e tensões político-sociais, foi feito um apelo ao reforço do diálogo, que se tem revelado uma ferramenta indispensável para a construção de uma Paz sustentável.

O Secretário de Estado da Província de Manica, Lourenço Lindone, que abriu e encerrou o evento, enalteceu o engajamento dos parceiros de cooperação na busca de recursos para financiar programas que elevem a vida social da nossa população das três províncias.

“As principais linhas de intervenção do DELPAZ, [programa do Governo de Moçambique financiado pela União Europeia] complementaram os esforços do governo central e local na promoção de boas práticas para a convivência social e harmoniosa nas comunidades”, frisou Lourenço Lindone.

 

Itália reforça segurança marítima e promove turismo sustentável na Macaneta com entrega de jet-skis

 

No dia 17 de julho, no âmbito do programa A-GEO: Green Blue Economy e Emprego, financiado pelo Governo de Itália através da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), teve lugar a entrega de dois jet-skis ao Conselho Municipal de Marracuene.

A iniciativa insere-se nas atividades do projeto, que visa criar condições para um turismo seguro, sustentável e integrado na região da Macaneta. Estes equipamentos juntam-se as 4 torres de salvamento, inauguradas em março durante a visita do Embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, bem como a outras ações como a instalação de contentores para recolha de resíduos e de sinalização informativa, promovendo assim um turismo mais ecológico e responsável.

Para reforçar ainda mais a segurança nas praias, o projeto já formou 18 nadadores-salvadores, que agora passam a contar com os jet-skis como ferramenta fundamental de apoio nas operações de salvamento.

Segundo Maria Cristina Pescante, Diretora Adjunta da Sede AICS-Maputo, “A Macaneta é uma zona de grande valor ambiental e económico, e estamos convencidos de que a sua preservação — em conjunto com o desenvolvimento das comunidades locais — é um exemplo concreto de Economia Azul em prática.”

O Presidente do Município de Marracuene, Ismail Ahmed Shafee Sidat, agradeceu o apoio da Cooperação Italiana, sublinhando que os novos jet-skis “são para ajudar as pessoas e travar os afogamentos”, permitindo aos nadadores-salvadores “chegar mais cedo e mais rápido” em situações de emergência. Destacou ainda a importância da boa manutenção dos equipamentos, apelando à sua conservação adequada.

Com esta ação, o programa A-GEO reforça o compromisso da Cooperação Italiana no apoio ao desenvolvimento sustentável das zonas costeiras moçambicanas, valorizando o património ambiental e a segurança das comunidades locais.

 

 

PRETEP PLUS: Missão Técnica à Itália Fortalece Ensino Técnico em Moçambique

 

De 18 de maio a 2 de junho de 2025, um grupo de 15 técnicos do Ensino Técnico Profissional de Moçambique realizou uma visita de trabalho à Itália com o objetivo de fortalecer a qualidade da formação técnico-profissional no país. A missão enquadrou-se no âmbito do programa PRETEP PLUS, financiado pelo Governo Italiano através da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), e contou com a participação de funcionários, formadores e gestores de institutos ligados aos setores de hotelaria, turismo e agricultura.

O grupo fez uma missão técnica de intercâmbio com instituições congêneres italianas da ENAIP NET — um consórcio italiano que oferece formação profissional e serviços de inserção no mercado de trabalho — com o principal objetivo de reforçar a cooperação institucional e promover a troca de boas práticas no domínio da educação técnico-profissional. Durante a missão, a delegação moçambicana foi recebida por diferentes centros regionais da rede ENAIP, nomeadamente ENAIP Lombardia, ENAIP Friuli Venezia Giulia, ENAIP Veneto e ENAIP Piemonte e conhecer os seus institutos de formação de competência.

A visita contribuiu para o reforço das capacidades de gestão dos institutos moçambicanos beneficiários, com foco na promoção da autonomia institucional, sustentabilidade económica, melhoria da qualidade da oferta formativa e no fortalecimento das relações com o tecido empresarial local e internacional.

Ao longo da estadia, os técnicos participaram em diversas atividades, incluindo sessões de intercâmbio com empresas parceiras dos centros de formação italianos, com vista a melhorar a articulação entre a formação profissional e o mercado de trabalho. A missão abordou também aspetos ligados à reorganização pedagógica e administrativa das oito instituições beneficiárias: quatro do setor agrário — Instituto Agrário de Chókwe, Instituto Agrário de Mocuba, Instituto Agrário de Lichinga e Instituto Agrário de Ribáuè — e quatro do setor de hotelaria e turismo — Instituto Industrial e Comercial de Pemba, Instituto Médio Politécnico da Ilha de Moçambique, Instituto Industrial e Comercial de Inhambane e Instituto Comercial de Maputo.

O Programa de Apoio à Reforma do Ensino Técnico-Profissional (PRETEP PLUS) é implementado pelo Ministério da Educação e Cultura, e visa aumentar a empregabilidade e a inclusão social dos jovens moçambicanos — particularmente nos setores agrário e turístico — através do reforço das capacidades das instituições de formação e do sistema de promoção do emprego, em resposta à procura dos mercados locais, nacionais e regionais.

Alexandria Olga António Gogie, chefe do Departamento Técnico Pedagógico do Ministério da Educação e Cultura, destacou:

A visita à Itália constituiu, para mim, um momento ímpar de troca de experiências e de identificação de mecanismos que contribuirão para o aperfeiçoamento da Educação Profissional em Moçambique. Estamos confiantes de que encontraremos formas de replicar as boas práticas observadas nas instituições da rede ENAIP nas nossas instituições de ensino técnico.”

Encerramento do projeto Coding Girls

 

Teve lugar no dia 21 de Maio, a cerimónia de encerramento do projeto Coding Girls, financiado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS).

Lançado em 2022, o projeto abrangeu 10 das 11 províncias de Moçambique — com exceção da Província de Maputo — e teve como principal objetivo atrair raparigas para as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), promovendo o acesso e o domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e contribuindo para colmatar a desigualdade de género no setor digital, bem como o “fosso” entre capital do país e outras províncias.

Implementado pela ONG italiana Centro Informazione e Educazione allo Sviluppo onlus (CIES), com apoio técnico da Fondazione Mondo Digitale, o componente de formação a raparigas das escolas secundárias iniciou-se com o reforço de competências básicas em ferramentas do pacote Microsoft Office, evoluindo depois para a introdução à programação. Estas formações decorreram nas delegações provinciais do Instituto Nacional de Governo Electrónico (INAGE), em 9 províncias do País.

Ao longo de dois anos e meio, o Coding Girls formou mais de 1.300 raparigas, além de capacitar 18 tutoras e 18 formadores, que continuam a replicar os conhecimentos adquiridos nas suas comunidades, com o apoio das estruturas provinciais do INAGE.

Com o segundo componente do projecto, apoiou-se ainda 24 start-ups lideradas por participantes de cursos de informática avançada e de gestão empresiarial, criadas e suportadas pela incubadora de negócios do Centro de Informática da Universidade Eduardo Mondlane, reabilitada no âmbito dos projetos Coding Girls e ICT4Dev. Estas start-ups beneficiaram ainda do apoio técnico da Fondazione Mondo Digitale, que forneceu formação especializada às equipas e à incubadora em áreas como estratégias de fundraising, direitos de propriedade intelectual e envolvimento com o setor privado (incluindo venture capital e business angels).

Durante a cerimónia, o Diretor-Geral do INAGE, Mestre Ermínio Jasse, destacou o papel inspirador das mulheres no avanço das STEMs, citando exemplos como a inventora do bluetooth e do wi-fi, a escritora do primeiro algoritmo, bem como a Katherine Johnson, que, graças aos seus cálculos precisos, permitiu que a missão Apollo 11 levasse os primeiros seres humanos à Lua e os trouxesse de volta com segurança.

Por sua vez, a Vice-Reitora da Universidade Eduardo Mondlane, Prof. Doutora Amália Alexandre Uamusse, realçou que o encerramento do projeto não representa o fim do caminho e apelou a que “todos apoiem estas jovens, tornando-se investidores ou até clientes dos seus negócios”, sublinhando que todos temos um papel a desempenhar para “construir uma economia digital mais inclusiva, mais justa e verdadeiramente transformadora”.

O Diretor da Sede da AICS em Maputo, Dr. Paolo Enrico Sertoli, referiu que “este programa contém dois dos pilares da nossa estratégia de apoio à transformação digital de Moçambique” (a formação e a promoção do empreendedorismo) e sublinhou a importância de que mais recentes iniciativas, como o programa VaMoZ Digital ou DIGIT, estejam fortemente integradas no ecossistema digital moçambicano, regional e, se possível, também europeu.

O Coding Girls consolidou-se assim como uma referência na promoção da inclusão digital e do empoderamento feminino, com várias das suas componentes já incorporadas em novas propostas de intervenção da Cooperação Italiana em Moçambique.

Harare (Zimbábue) – Lançamento de dois projetos transfronteiriços entre Moçambique e Zimbábue

Harare, 14 de maio de 2025 – Teve hoje lugar, em Harare, o lançamento oficial de dois projetos transfronteiriços entre Moçambique e Zimbábue, financiados pelo Governo italiano através da Agência Italiana para a Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) e implementados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O evento contou com a participação, entre outros, de Sua Excelência o Embaixador de Itália no Zimbábue, Umberto Malnati; do Diretor da Sede da AICS em Maputo, Paolo Enrico Sertoli; do Coordenador Regional da FAO para a África Austral, Patrice Talla Takouman; bem como de representantes dos governos de Moçambique e Zimbábue, incluindo, por parte do Zimbábue, Secretários de Estado dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e Comércio Internacional e do Ministério das Terras, Agricultura, Pescas, Água e Desenvolvimento Rural; e, por parte de Moçambique, representantes do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, assim como o Embaixador de Moçambique no Zimbábue, Carvalho Muária.

Assinados em julho de 2024 e oficialmente lançados hoje em Harare, os dois projetos transfronteiriços, com um orçamento combinado de 8,5 milhões de euros, são implementados em zonas fronteiriças partilhadas entre Moçambique e Zimbábue. Estas iniciativas têm como objetivo melhorar a saúde dos ecossistemas, reforçar as cadeias de valor agrícolas e aumentar a participação das comunidades locais nos mercados nacionais, regionais e internacionais.

O primeiro projeto centra-se na gestão sustentável das florestas de Miombo, um dos maiores ecossistemas florestais áridos do mundo, que se estende por 2,7 milhões de quilómetros quadrados na África Austral, incluindo Angola, República Democrática do Congo, Malawi, Moçambique, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue. Estas florestas são vitais para milhões de pessoas em zonas rurais, fornecendo recursos essenciais como lenha, alimentos e água. A iniciativa visa beneficiar diretamente 5.000 famílias em áreas selecionadas, promovendo a igualdade de género e a participação dos jovens. Esta ação está alinhada com o compromisso regional assumido em agosto de 2022, quando onze Estados-membros da SADC, incluindo Moçambique e Zimbábue, assinaram a Declaração de Maputo sobre a Floresta de Miombo, estabelecendo prioridades para a gestão sustentável e a governação dos recursos naturais deste ecossistema. Com grande orgulho e através desta iniciativa, a Itália pode afirmar-se como um dos primeiros doadores a investir recursos no tema, em resposta à Declaração de Maputo.

O segundo projeto, intitulado “Desenvolvimento da Cadeia de Valor Agrícola e Comércio entre Moçambique e Zimbábue (ATDP Zim-Moza)”, visa reforçar as cadeias de valor agrícola e o comércio entre os dois países. Ao melhorar o acesso ao mercado, desenvolver práticas de produção e promover a colaboração transfronteiriça, o projeto pretende fortalecer as perspetivas económicas dos pequenos agricultores e das agroindústrias. As áreas de interesse incluem citrinos, ananás, banana, café, noz de macadâmia, milho e diversos hortícolas, prevendo-se uma estreita sinergia com a iniciativa do Centro Agroalimentar de Manica (CAAM), parte integrante do Plano Mattei para África.

O Embaixador de Itália no Zimbábue, Umberto Malnati, sublinhou que “estes projetos refletem uma visão partilhada: contribuir para a resiliência, sustentabilidade e integração regional da África Austral, promovendo o uso inclusivo e equitativo dos recursos naturais e produtivos, através do reforço das parcerias entre os dois países“. Acrescentou ainda que esta iniciativa está em consonância com o Plano Mattei para África, que promove um modelo renovado de cooperação baseado na escuta, na parceria mútua e na valorização do potencial local.

Por sua vez, o Diretor da Sede da AICS de Maputo, Paolo Enrico Sertoli, afirmou que “estes projetos não são apenas oportunidades de colaboração técnica, mas representam uma plataforma concreta para reforçar os laços entre os nossos países, promovendo o crescimento económico e o desenvolvimento humano, respeitando e protegendo a rica biodiversidade que une os nossos territórios“.

Patrice Talla, Coordenador Regional da FAO para a África Austral, enfatizou que “as florestas de Miombo estão entre os maiores ecossistemas florestais de zonas áridas do mundo” e que, “quando geridas de forma sustentável, contribuem para atenuar os choques climáticos, conservar a biodiversidade, prevenir a degradação dos solos e reforçar a segurança alimentar e energética“.

Ainda durante o dia de hoje, teve lugar a primeira reunião do comité diretivo das duas iniciativas transfronteiriças, com a participação de representantes dos governos do Zimbábue e de Moçambique, da Agência Italiana para a Cooperação para o Desenvolvimento e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, durante a qual foram aprovados os Termos de Referência para a implementação dos projetos.

As iniciativas hoje lançadas representam um passo concreto por parte da Itália para reforçar o seu compromisso com o desenvolvimento sustentável na gestão ambiental, promovendo cadeias de valor agrícolas inclusivas e resilientes e aprofundando a integração regional entre Moçambique e Zimbábue.

Macfrut 2025: Produtores moçambicanos e CAAM no centro do debate sobre cooperação e inovação

No dia 6 de maio de 2025 teve início a 42.ª Edição da Macfrut, a feira de referência para os setores hortofrutícola e avícola, que decorre em Rimini de 6 a 8 de maio de 2025.

Também este ano, como nas edições anteriores, a Agência Italiana para a Cooperação ao Desenvolvimento (AICS) – Sede de Maputo participou no certame, juntamente com outras Sedes Externas da AICS e sob coordenação da Sede central da AICS.


No âmbito das suas iniciativas, a Sede de Maputo promoveu a participação de produtores moçambicanos (Cooperativa Frutas de Barué, Agro-Pecuária Frutas de Révué, Fundação Micaia, Associação de Produtores de Café do Ibo, Café Vumba), em particular nos setores da fruta seca e do café, valorizando as excelências locais num contexto internacional de grande relevo.

Durante o primeiro dia do evento, realizou-se o painel intitulado Oportunidades do Corredor da Beira e do Centro Agroalimentar de Manica (CAAM): Sustentabilidade e Inovação para o Desenvolvimento Local, organizado pela Sede de Maputo, com enfoque especial no Corredor da Beira e no Centro Agroalimentar de Manica (CAAM), parte integrante do Plano Mattei para África.

O encontro contou com a participação de Jaime Chissico, em representação do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas de Moçambique (MAAP), de Maurizio Forte, Diretor Central para os Setores da Exportação do ICE, de Renzo Piraccini, Presidente da Macfrut, de Fabio Riccio, Vice-Diretor da FederUnacoma, de Chiara Scaraggi, especialista em cadeias de valor na UNIDO, de Christian Maretti, Presidente da LegaCoop Agroalimentare, e de Zacarias Fole, Presidente da cooperativa hortofrutícola de Barué.

Através de um diálogo aberto e orientado para a construção de parcerias estratégicas, o painel ofereceu um espaço de reflexão sobre as sinergias possíveis entre sustentabilidade, cooperação institucional e iniciativa privada, com o objetivo de gerar impactos duradouros e replicáveis para o desenvolvimento agrícola de Moçambique.

A encerrar os trabalhos esteve o Diretor da AICS, Marco Rusconi, que sublinhou que “O Centro Agroalimentar de Manica (CAAM) representa uma das iniciativas de destaque da AICS na África Austral”. Acrescentou ainda que “Integrado no quadro do Plano Mattei, o CAAM propõe-se como uma infraestrutura-chave para a valorização da produção agrícola nacional e para a integração dos pequenos produtores nos mercados regionais e internacionais”.

O mural da Paz no Instituto Agrário de Chimoio

O Instituto Agrário de Chimoio (IAC) ganhou um “Mural da Paz”, idealizado por centenas de estudantes vindos de todas as regiões de Moçambique, para numa expressão artística coletiva transmitir com cores vibrantes mensagens de harmonia, solidariedade e esperança.

A obra com o título “Unidos Pela Paz”, foi projetada por meio de cores entusiásticas, com símbolos universais da Paz como pombas, mãos dadas, educação, agricultura, conservação do meio e várias expressões culturais, e transformou um local comum no IAC em um ponto de reflexão e união. A ideia surgiu naturalmente durante o “Diálogos de paz”, o encontro organizado pelo DELPAZ , entre gerações organizado em Julho de 2024 onde estiveram juntos cerca de 800 jovens e adultos numa reflexão profunda sobre a Paz, conversando com Rogério Sitoe, Rafael Shikhani e Eva Trindade.

“É uma forma poderosa de mostrar que a Paz não é apenas um ideal abstrato, mas uma construção diária feita por todos. Com os dois debates que tivemos sobre a Paz aqui no IAC, conseguimos reunir ideias para aperfeiçoar a Paz criando este mural”, disse num sorriso discreto de vitória, Arlete Mapara, durante a inauguração do mural.

A estudante do curso da Agropecuária, participou do “Diálogos de Paz”, organizado pelo DEALPZ – Desenvolvimento local para a consolidação da paz,  e do Workshop “Uso da arte para Construção da Paz”, promovido pelo ProPaz – Cultura para Promoção da Paz, Reconciliação e Coesão Social.

O Mural “Unidos pela Paz”, é uma obra de arte colaborativa, fruto de compilação de sensibilidades e diversas opiniões colhidas nos dois encontros do DELPAZ e ProPaz com a comunidade estudantil do Instituto Agrário de Chimoio (IAC) e da comunidade ao redor de um dos mais antigos institutos agrários de África.

“Como formando, e tendo em conta que contribui para a implementação deste ‘Mural de Paz’, eu me sinto feliz, porque é sabido a paz traz alegria, traz harmonia, então viver em paz, sempre foi bom para qualquer pessoa”, destaca Chupicai Francisco, outro estudante a cursar Floresta e Fauna Bravia.

O mural da Paz, com seus elementos visuais cuidadosamente entrelaçados, ilustra a construção de um futuro de harmonia e prosperidade para o povo moçambicano.

A pintura reflete os valores de paz, reconciliação e coesão social, apresentando uma visão compartilhada de um futuro melhor, onde a união e a compreensão mutua são as forças que impulsionam o desenvolvimento coletivo.

Para Teodora Bomba, ponto focal de Desenvolvimento Comunitário e Geração de rendas no projeto ProPaz, e representante da CISP, que lidera o Consórcio ProPaz, anota que a escolha de IAC foi estratégica por: “receber jovens de várias partes do país, e vários deles também passam por questões ligados aos conflitos”.

Mas também “o mural traz grandes benefícios para a comunidade estudantil, por ser um ponto de reflexão para todos os jovens, sobre a temática da Paz”.

Já Carlos Mairoce, representante da componente Italiana do Programa DELPAZ, realça que houve uma conjugação tripartida para a materialização do mural, entre o DELPAZ, ProPaz e IAC, num esforço mutuo que impulsiona o desenvolvimento coletivo.

A obra pintada pelo artista plástico Hamilton Roce, tem a pomba branca, símbolo universal da paz, que abre caminho para a superação dos conflitos, representando a força transformadora da paz.

O edifício do IAC surge como um marco da importância da educação técnico-profissional no desenvolvimento local e na transformação da comunidade. Em seguida o monte Cabeça do Velho se ergue como um símbolo de sabedoria ancestral, a união entre o passado e o futuro, destacando-se como um local histórico e cultural vital para a memoria coletiva

A celebração cultural é marcada por uma dança vibrante e o uso de instrumentos tradicionais que reflete a identidade do povo moçambicano, sendo um momento de união e valorização da sua cultura.

Em harmonia com esse espirito, as formas geométricas e as cores vibrantes no mural simbolizam a diversidade cultural e emocional da comunidade, celebrando a beleza das diferenças, e a união que eles geram, por fim, as mulheres na escola, são representadas como símbolo de em empoderamento feminino e inclusão, um reflexo da transformação das estruturas sociais e da busca por igualdade de oportunidade para todos.

O mural foi pintado no âmbito da implementação do DELPAZ, um programa do governo de Moçambique, implementado em Manica e Tete pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), em parceria com projecto ProPaz – Cultura para Promoção da Paz, Reconciliação e Coesão Social – cujo consórcio é liderado pelo Comité Internacional de Desenvolvimento do Povo (CISP) – e o Instituto Agrário de Chimoio (IAC).

A inauguração da obra do Mural da Paz coincidiu com o lançamento da Associação de Antigos Estudantes do IAC (AssanteIAC), que vigorosamente destacaram a importância da Paz para o desenvolvimento.

Célio Figueiredo animou os eventos com a sua guitarra e as suas canções sobre a Paz e Desenvolvimento do país.

Declaração de Guro “acelera” compromisso para o empoderamento da mulher

O acampamento solidário, realizado entre 15 e 16 de Abril, no distrito de Guro, na província de Manica, produziu a Declaração de Guro, que resultou dos calorosos debates em sessões plenárias e trabalhos em 10 grupos temáticos das mulheres de Tete, Manica e Sofala, para acelerar o compromisso para o seu empoderamento.

O segundo acampamento solidário do DELPAZ e primeiro do Projeto Manica Para as Mulheres, reuniu 287 participantes, dos quais 250 mulheres, e decorreu sob o lema “Mulheres empoderadas pela Paz, a inclusão social e o desenvolvimento económico local”.

 Na Declaração de Guro, que envolveu também os homens, que foram chamados a refletir e partilhar seu ponto de vista sobre os diversos temas debatidos e a dar apoio as mudanças nas relações de género (“Eles por elas”), as mulheres revelam um novo ciclo de descobertas, de fortalecimento e de renovação para sua autonomia económica.

Para elas, a Mulher continua a desempenhar um papel chave na produção e comercialização agrícola, por isso devem ser criadas oportunidades de acesso a terra e recursos, para ela gerir os seus rendimentos provenientes das colheitas. Mas também criar oportunidades de trabalhos formais, igualdade de género através da inclusão da mulher em sectores chaves de atividades, quer financeira, comercial, industrial e tecnológica.

A criação de cooperativas de negócio, o desenvolvimento de iniciativas de empoderamento económico direcionado às Mulheres e Raparigas, pode permitir que todas as pessoas tenham acesso ao dinheiro.

A Declaração de Guro recomenda que o acesso ao crédito seja mais expandido para as mulheres, e se responsabilizem pelo pagamento, além de que mulher deve ter voz no lar e ter oportunidade de ser escutada, sendo que o seu ponto de vista é importante quanto o ponto de vista dos homens.

As mulheres devem passar a denunciar as violências que acontecem nos lares depois o acampamento, mas também deve se melhorar a gestão dos casos de violências contra as Mulheres e penalização dos agressores.

Também há necessidade de se expandir a rede escolar, para que raparigas particularmente, possam concluir o nível médio escolar ou 12ª classe, mas também a formação técnico-profissional, para que possa aumentar a sua participação ativa em órgãos de tomada de decisão a todos os níveis.

Criar reservatórios de água para a irrigação: no DELPAZ funcionou como planeado, pois as comunidades criaram diques pequenas lagoas para ter reservatório, e assim enfrentar as mudanças climáticas, que se tornaram num obstáculo para as mulheres que dependem a agricultura de sequeiro.

Para assegurar a inclusão de todas e todos, o acampamento utiliza métodos feministas de base comunitária que se centram na utilização de uma abordagem transformadora, de diálogos nas línguas locais, a fim de criar empatia e aumentar a auto-estima, e espaços seguros (como a lareira das mulheres que se realizou na noite do dia 15 de Abril) com debates educativos e terapêuticos.

A governadora de Manica, Francisca Tomás – que participou do acampamento e fez o encerramento do mesmo – anotou que alcançada a Paz em Moçambique, “torna-se necessária e urgente” a união de esforços que possam resultar na criação de oportunidades as mulheres, sobretudo as vítimas dos conflitos armados (a maioria no acampamento), possam participar em pé de igualdade com as demais no processo de desenvolvimento das suas comunidades.

“A avaliar pela declaração final deste acampamento, como Governo Provincial, queremos reconhecer que esta iniciativa constitui uma plataforma ideal para a promoção da mulher como atora local”, enfatizou Francisca Tomás, realçando que o acampamento foi um espaço que possibilitou a construção de uma mulher cada vez mais líder.

 Este evento foi realizado pelo Grupo de Mulheres de Partilha de Ideias de Sofala (GMPIS), um dos membros do Consórcio que implementa o DELPAZ, em colaboração com Helpcode que lidera o programa em Manica, e “Manica para as Mulheres” que é liderado pelo Progettomondo e com as outras organizações parceiras (FDC, ProgettoMondo, UEM, LEGAcoop, UNCDF, EU e CAM).

Este é o segundo acampamento solidário, onde as vozes e histórias das mulheres, como atores locais do DELPAZ, em Manica, Sofala e Tete, estão a ser partilhadas e escutadas, e que depois foi elaborada a Declaração que garanta que as necessidades das mulheres sejam devidamente consideradas.

O primeiro foi realizado em Novembro de 2023, em Inhazónia, distrito de Bárué, ainda na província de Manica.

O DELPAZ, um programa do Governo de Moçambique, financiado pela Uniao Europeia, abrange os temas da Governação Local e do Desenvolvimento Economico Local para a consolidação da paz. Em estrita coordenação com os governos locais, e’ implementado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), com a colaboração de dois consórcios de organizações da sociedade civil liderados pela ONG Helpcode na Província de Manica, e pela ONG Save The Children na Província de Tete; enquanto em Sofala o programa é implementado pela Agência Austríaca de Desenvolvimento (ADA). Nas três Províncias, o Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital (UNCDF) é responsável pela componente de governação local inclusiva.

A AICS financia também uma outra iniciativa chamada “Manica para as Mulheres”, coordenada pelo Progettomondo em parceria com CAM (Consórcio de Associações de Moçambicana), a Helpcode, Fundação Micaia, GMPIS, AITR (Associação Italiana de Turismo Responsável) e Legacoop Emilia-Romagna.

“Manica para as mulheres” visa promover a paz e o desenvolvimento sustentável e inclusivo na província de Manica, através da participação das mulheres na economia rural, com foco nos sectores agrícola, comercial e de turismo rural nos distritos de Báruè, Macossa, Tambara e Guro.

 

 

 

 

 

 

Mulheres reiteram com grito “não à guerra” em acampamento solidário em Guro

Mais de 250 mulheres das províncias de Tete, Manica e Sofala reiteraram com um grito uníssono, “não à guerra”, na abertura a 15 de abril do segundo acampamento solidário promovido pelo Programa DELPAZ até 16 de Abril no distrito de Guro, na província de Manica, realçando que a paz e segurança estão a cooperar para sua consolidação económica.

O acampamento solidário de dois dias que decorre sob o lema “Mulheres de mãos dadas, construindo paz através do desenvolvimento económico inclusivo”, reúne no mesmo espaço mulheres de diferentes origens, trajetórias e histórias, para compartilhar saberes, fortalecer os laços de afeição e construir coletivamente ideias para a sua autonomia económica.

Num ambiente onde o protagonismo feminino floresce, elas admitem que os desafios enfrentados pelas mulheres no campo, na cidade e nas periferias podem serem agravados por conflitos, enquanto já assinalaram avanços gigantescos no seu empoderamento.

“Continuamos a encorajar a mulher na busca pela paz e segurança, porque é num espaço seguro onde ela consegue tomar decisões”, referiu Anchia Mulima, coordenadora da Levanta Mulher e Siga o Seu Caminho (LEMUSICA), que integra a Rede Feminina Centro.

Acrescentou que “a nossa expectativa neste acampamento é que as mulheres continuem a crescer economicamente. Daí o nosso grito [não à guerra]. A estabilidade económica vai reduzir a tripla violência de que as mulheres são vitimas: doméstica, física e económica”.

Para ela a violência, desigualdade, machismo, falta de acesso a terra, a moradia e aos direitos básicos devem ser parte da declaração deste ano, para que os decisores tenham em consideração as lutas das mulheres.

Outra participante, Inês Chifinha, coordenadora do grupo de mulher de partilha de ideia de Sofala (GMPIS), anota que “como o DELPAZ está no fim e estamos também a finalizar os acampamentos, queremos que as mulheres continuem a implementar os conhecimentos obtidos, nas várias áreas, para sua sustentabilidade económica”.

“Queremos que a mulher tenha autonomia económica, para não depender do governo e nem de projetos [que vem e vão], e use o conhecimento valioso na agricultura promovido pelo DELPAZ para sua riqueza”, enfatizou.

Enquanto embala o seu filho no colo, Elsa Francisco, olha o acampamento como um lugar de esperança, e aguarda sair dali diferente em conhecimento, com os calorosos debates nas rodas de conversa, cantos e partilhas.

Durante a tarde da terça-feira as mulheres debateram efusivamente temas como: conflitos armados, construção da paz inclusiva, economia da mulher e empoderamento económico, mudanças climáticas, género e agenda 1325, além da violência baseada no género.

Além dos debates, as mulheres visitaram a feira das mulheres, onde estão expostos produtos produzidos por elas com o conhecimento adquirido no âmbito do DELPAZ.

Para assegurar a inclusão de todas e todos o acampamento utiliza métodos feministas de base comunitária que se centram na utilização de uma abordagem transformadora, de diálogos nas línguas locais a fim de criar empatia e aumentar a autoestima e espaços seguros como a lareira das mulheres que se realiza na noite de 15 de Abril.

 Cada mulher chega ao acampamento, traz sua força, sua dor, sua luta, e sai mais forte, mais consciente e mais conectadas com as outras, que também sonham e lutam para um Moçambique melhor.

Este é o segundo acampamento solidário, onde as vozes e histórias das mulheres, como atores locais do DELPAZ, em Manica, Sofala e Tete, estão a ser partilhadas e escutadas, e que depois será elaborada uma declaração que garanta que as necessidades das mulheres sejam devidamente consideradas.

O primeiro foi realizado em Novembro de 2023, em Inhazónia, distrito de Barué, ainda na província de Manica.

O DELPAZ, um programa do Governo de Moçambique, financiado pela União Europeia, abrange os temas da Governação Local e do Desenvolvimento Economico Local para a consolidação da paz. Em estrita coordenação com os governos locais, e’ implementado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), com a colaboração de dois consórcios de organizações da sociedade civil liderados pela ONG Helpcode na Província de Manica, e pela ONG Save The Children na Província de Tete; enquanto em Sofala o programa é implementado pela Agência Austríaca de Desenvolvimento (ADA). Nas tres Províncias, o Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital  (UNCDF) é responsável pela componente de governação local inclusiva.

A AICS financia também uma outra iniciativa chamada “Manica para as Mulheres”, coordenada pelo Progettomondo em parceria com CAM (Consórcio de Associações de Moçambicana), a Helpcode,  Fundação Micaia GMPIS, AITR (Associação Italiana de Turismo Responsável) e Legacoop Emilia-Romagna. “Manica para as Mulheres” visa promover a paz e o desenvolvimento sustentável e inclusivo na província de Manica através da participação das mulheres na economia rural, com foco nos sectores agrícola, comercial e de turismo rural nos distritos de Báruè, Macossa, Tambara e Guro.

Janete, a “guerreira” que se redescobriu na Casa da Mulher de Tsangano

O sorriso vibrante de Janete Mussone, espalha uma energia de descobertas e conexões durante a inauguração da Casa da Mulher de Tsangano, a primeira do género a ser entregue no âmbito da implementação do DELPAZ a uma comunidade remota da província de Tete, no centro de Moçambique, uma região antes assombrada por conflitos armados.

Entre danças e aplausos, Janete celebra as conquistas de brevemente poder vender o pão feito por suas próprias mãos [antes o pão era importado do Malawi] e o apoio que tem de outras 15 mulheres, no universo de 20 membros da Casa da Mulher que ela lidera, cujas histórias se cruzam para começar novas trajetórias e reconstruir sonhos, além de reafirmar seus direitos.

“É a primeira vez que temos essa casa em Tsangano, que agrega muitas atividades que vão mudar histórias de muitas famílias neste distrito”, aclara entusiasmada Janete Mussone, ela mesma que acabou de se redescobrir, enquanto desbrava com seu olhar firme os compartimentos que vão acomodar diversas iniciativas que ali se vão desenvolver.

A Casa da Mulher do distrito de Tsangano, é um espaço de acolhimento, escuta, capacitação e fortalecimento para mulheres e homens, com intuito de promover o crescimento económico local.

Além de ser um centro para oferecer apoio, a Casa da Mulher de Tsangano representa para cada mulher um lugar de orientação, proteção e respeito: foi inaugurada a 27 de Março de 2025, e contou com a presença de Anne-Ael Pohu, representante da Delegação da União Europeia em Moçambique.

“Aqui queremos fazer pão para o vender aqui mesmo Também faremos alguns negócios da machamba, como produção de hortícolas, para serem comercializadas aqui. Temos também uma sala de reuniões, para nossos encontros e aluguer para a comunidade, além de um armazém, que poderá ser alugado para guardar produtos agrícolas de comerciantes”, enfatiza Janete Mussone, o que vai responder as desigualdades ou a falta de oportunidade.

“Eu descobri que entre nós mulheres [da Casa da Mulher] havia muitos talentos escondidos, quer na culinária, quer na alfaiataria, porque estamos a fazer roupas incríveis, que vendemos a comunidade”, destaca Janete Mussone, acrescentando que “antes só era possível comprar essas roupas modelos a base de capulanas em Tete ou Maputo”.

A incubadora verde, campo de demostração agrícola e sistema de abastecimento de água multiuso, infraestruturas erguidas adjacentes à Casa da Mulher, vão revolucionar a agricultura, além de garantir água potável para a comunidade e irrigação para os campos da Casa da Mulher.

“Nesta machamba da Casa da Mulher, vamos trabalhar nós mesmas, e os produtos que vamos colher, serão vendidos e o dinheiro será investido aqui no restaurante da casa, mas também para atender a outras faltas que tivermos”, observa, enquanto arrola a diversidade de atividades.

Para ela, a Casa da Mulher é mais do que um espaço físico, é um símbolo de acolhimento, empoderamento e transformação, onde mulheres são ouvidas, valorizadas e fortalecidas para serem protagonistas de suas próprias histórias.

A Casa da Mulher faz parte da iniciativa do DELPAZ, um programa que tem desempenhado um papel crucial na transformação de vidas das comunidades abrangidas na província de Tete, concretamente nos distritos de Moatize, Tsangano e Dôa.

O programa une esforços para promover o desenvolvimento económico, social, com impacto visível nas comunidades mais vulneráveis.

DELPAZ, é um programa do Governo moçambicano, financiado pela União Europeia, implementado pela Agência Italiana de Cooperação Internacional (AICS) nas províncias de Manica e Tete, e pela Agência de Desenvolvimento Austríaca na província de Sofala; com o secretariado a cargo do Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital.