Presença da AICS na Macfrut

 

Hoje teve início a 41 edição da Macfrut, a feira internacional de Rimini e um ponto de referência para o sector de frutas e legumes no mundo, com mais de 1400 expositores presentes. A Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), esta presente neste evento com um stand envolvendo 13 sedes externas da agência, entre as quais a Sede Regional da AICS- Maputo.

No primeiro dia do evento, teve lugar um seminário titulado “Cooperar para a Inovação, o Plano Mattei aplicado as realidades locais” que contou com a intervenção do Director da AICS, Marco Rusconi, onde afirmou que “A AICS renova e aumenta a sua presença na Macfrut, à luz de um crescente envolvimento da Agência no setor hortofrutícola e na segurança alimentar, que sempre foram setores importantes das nossas ações de cooperação

O seminário contou ainda com uma apresentação do Director da Sede Regional de Maputo, Paolo Enrico Sertoli, nomeadamente na secção dedicada “Ao apoio da AICS no desenvolvimento da cadeia de valor do café em Moçambique”, onde explicou que o país assinou um marco importante com a adesão a Organização Internacional do Café em Junho de 2023.

Fez igualmente uma análise SWOT, relevando que existem oportunidades para o sector privado, porque se trata de um café “de qualidade, valorizado com espécies nativas como o café de Ibo”, mas recordou igualmente as mudanças climáticas como uma ameaça para o desenvolvimento do sector do café. Conclui a sua apresentação, recordando aos ouvintes que em Junho terá lugar o primeiro festival do Café em Moçambique, que contará com o apoio da Agência.

A AICS- Sede Regional de Maputo, no âmbito dos seus projetos nomeadamente MAIS VALOR e SEMEANDO VALOR, levou uma delegação de associações moçambicanas para esta importante feira internacional, entre as quais a Associação dos Produtores do Café do Ibo, e Cooperativa Kuvanga, produtora de fruta tropical desidratada.

O stand da AICS Maputo, já recebeu várias visitas importantes, entre as quais queríamos destacar a presença do Ministro da Agricultura, Francesco Lollo, Embaixador de Moçambique em Itália, Álvaro Santos, uma delegação do Zimbabué assim como o Ministro de Agricultura, da Soberania Alimentar e das Florestas (MASAF).

Se está em Rimini, venha visitar-nos e fique a conhecer mais sobre os nossos projetos.

Lurdes, a ex-guerrilheira que alimentava uma companhia, hoje produz para educar os filhos

Lurdes António, 68 anos, não teve acesso a educação formal na infância, como a maioria das mulheres daquela época nas zonas rurais de Moçambique. Foi recrutada para a base (de Minga), da guerrilha da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) em 1982, aos 26 anos. Teve treino militar em Mandie, no distrito de Guro, na província de Manica.

No auge da guerra civil, passou por cinco bases militares da guerrilha, e produzia comida nos campos agrícolas de civis e dos militares e cozinhava para a companhia, onde conheceu depois o seu marido, também ex-guerrilheiro.

“Minha tarefa era carregar bagagens dos militares e cozinhar para eles nas suas missões. Se nos dissessem vamos a um lugar, apenas carregávamos bagagens e seguíamos, e terminado o programa – quer seja de reconhecimento ou ataque – regressávamos. Daí mandavam-nos para nossas casas e seriamos chamados quando houvesse um novo programa”, conta.

A seca e a fome severa atingiram Moçambique no final dos anos 80, e um “sofrimento terrível” abalou a sua companhia, quando decidiu com o marido abandonar a guerra e seguir viagem para se instalar em Nhamadjiua, no posto administrativo de Nhampassa, no distrito de Barué, província de Manica, onde foram depois desmobilizados com o fim da guerra em 1992.

“Em 2012 voltamos a responder ‘o chamado da revolução’, convocado pelo líder histórico Afonso Dhlakama”, que já vinha a denunciar falhas graves na implementação do Acordo Geral de Paz (AGP) de Roma.

Lurdes António voltou a ser desmobilizada junto com o marido em 2021, no âmbito do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos ex-guerrilheiros da Renamo em Barué.

Desde então passou a se dedicar a agricultura e aprendeu novas técnicas agrícolas introduzidas com o Programa DELPAZ, que está a assegurar a reintegração económica e social de todos os ex-combatentes, suas famílias e comunidades rurais atingidas pelo conflito para alcançar uma paz duradoura em Moçambique.

“O DELPAZ veio e está a nos ensinar. Fazíamos cultivos de forma rudimentar, com sementes tradicionais e tínhamos muitas perdas, mas agora estamos a usar técnicas agrícolas melhoradas, usamos linhas para as covas na sementeira, e já temos rendimentos para educar os nossos filhos”, explica avivada com as novas conquistas.

 

Curso Internacional Avançado para o Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Costeiras

A quinta edição do Curso Internacional Avançado para o Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Costeiras arrancou ontem na Delegação Tricase do CIHEAM Bari. Este ano, o programa acolhe uma delegação de 13 funcionários ministeriais de 10 países costeiros mediterrânicos e africanos, incluindo a Albânia, Argélia, Egipto, Quénia, Líbano, Moçambique, Senegal, Somália, Tunísia e Uganda.

Financiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional (MAECI) de Itália, o curso é organizado pelo CIHEAM Bari com o apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Comissão Geral das Pescas do Mediterrâneo (CGPM). O principal objetivo é apoiar a Transformação Azul e o Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Costeiras, promovendo uma abordagem integrada que tenha em conta as múltiplas dimensões da sustentabilidade e o equilíbrio entre a conservação ambiental e o desenvolvimento socioeconómico.

Durante a cerimónia de abertura, foi sublinhada a presença de peritos internacionais, bem como a participação da comunidade local. Em particular, as conclusões foram confiadas a Paolo Enrico Sertoli, Chefe do Gabinete de Maputo da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), que apresentou a mensagem da AICS Maputo de colaboração e apoio aos esforços de desenvolvimento sustentável em Moçambique.

A comunidade local acolheu a delegação internacional visitante, destacando o papel inclusivo e inspirador do Museu do Porto Tricase, onde a diversidade cultural promove a partilha de ideias e perspectivas para um futuro mais sustentável das comunidades costeiras globais. Esta quinta edição do curso oferece uma importante oportunidade de diálogo e cooperação entre especialistas, investigadores, decisores e comunidades locais, lançando as bases para um compromisso conjunto com a sustentabilidade ambiental e social.

Além disso, Paolo Enrico Sertoli destacou o papel crucial do AICS Maputo na promoção do desenvolvimento sustentável em Moçambique, afirmando que “através das iniciativas do AICS em Moçambique, está a ser promovida uma abordagem integrada para apoiar a Transformação Azul e o Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Costeiras”.

O Chefe de Gabinete da AICS Maputo sublinhou ainda que “o envolvimento activo do AICS Maputo na capacitação e apoio regulamentar reflecte o compromisso da Agência em apoiar Moçambique na adesão às convenções e protocolos internacionais, contribuindo assim para os esforços nacionais de gestão costeira e marinha sustentável.”

Este reconhecimento foi reiterado por Sertoli, que afirmou que “as iniciativas em curso lideradas pelo AICS Maputo, incluindo as propostas na província de Cabo Delgado, são exemplos tangíveis do compromisso da Agência em fomentar modelos de gestão participativa e sustentável, assegurando o envolvimento ativo das comunidades e instituições locais na conservação dos ecossistemas marinhos”.

O Curso conta com a presença de Ciro Novidade, actual Chefe do Departamento Central de Administração do Mar do Instituto Nacional do Mar (INAMAR, IP). A sua presença entre os participantes reflecte o empenho de Moçambique em contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades costeiras através da participação em iniciativas internacionais de formação especializada.

Italia e Mozambico rafforzano la cooperazione in campo sanitario con il lancio di un progetto per la prevenzione e il controllo delle malattie non trasmissibili

“Questo progetto, che amplia una precedente iniziativa del 2019, rafforza l’impegno dell’Italia per la salute in Mozambico”. Lo ha detto Gianni Bardini, ambasciatore d’Italia in Mozambico, oggi durante la cerimonia di lancio del progetto “Prevenzione e controllo delle malattie non trasmissibili”, esprimendo gratitudine per la collaborazione tra i due Paesi.

Evidenziando la lunga storia di cooperazione tra Italia e Mozambico, Bardini ha sottolineato l’importanza strategica della salute nelle relazioni bilaterali. L’impegno italiano è stato formalizzato nel “Piano indicativo pluriennale Italia-Mozambico 2022-2026”, con un investimento di 85 milioni di euro, con priorità al settore sanitario.

Il progetto copre diverse aree, tra cui la formazione del personale sanitario e il sostegno al Ministero della Salute. Sulla base di studi che evidenziano la crescente prevalenza delle malattie non trasmissibili, il progetto mira a rafforzare la capacità di prevenire e curare queste patologie.

Oltre alle azioni già attuate, il progetto apporta una novità cruciale: la sensibilizzazione sul rapporto tra malattie non trasmissibili e disabilità, cercando di facilitare l’accesso a servizi e trattamenti adeguati.

Gli ambiziosi obiettivi del progetto comprendono lo screening di centinaia di migliaia di persone e l’identificazione di casi di diabete, ipertensione e cancro. L’implementazione è realizzata in collaborazione con le istituzioni mozambicane e con tre ONG italiane riconosciute per il loro impegno nella sanità in Mozambico: CUAMM, leader del consorzio, Comunità di Sant’Egidio ACAP e AIFO.

Il Ministro della Salute, Armindo Daniel Tiago, ha sottolineato come questo progetto rappresenti un’altra pietra miliare nella lunga e proficua collaborazione tra Italia e Mozambico, che risale ai tempi dell’indipendenza del Paese, nel 1975.

Nel suo discorso, il Ministro della Salute ha evidenziato le sfide sanitarie che il Mozambico deve affrontare, in particolare l’allarmante aumento della prevalenza di malattie non trasmissibili, come le malattie cardiovascolari, il diabete, il cancro, le malattie respiratorie croniche e i traumi. Con dati preoccupanti che rivelano tassi significativi di ipertensione, diabete e cancro, il Ministro ha sottolineato l’importanza di misure preventive per mitigare queste malattie evitabili.

Il progetto finanziato dall’Agenzia italiana mira ad affrontare queste sfide rafforzando la capacità di sorveglianza, prevenzione e trattamento delle malattie non trasmissibili. Con un budget di circa 5 milioni di euro in tre anni, il programma sarà attuato in 20 unità sanitarie in tre province chiave: Zambézia, Sofala e Maputo.

Il progetto si concentrerà sull’integrazione delle cure per l’ipertensione e il diabete nei servizi sanitari di base, con particolare attenzione alle persone con disabilità. Si spera che questa iniziativa possa contribuire in modo significativo al miglioramento degli indicatori di salute della popolazione mozambicana.

Al termine dell’evento, il Ministro della Salute ha espresso la sua profonda gratitudine all’Agenzia Italiana per la Cooperazione allo Sviluppo, ha ribadito il suo impegno a continuare a rafforzare la collaborazione tra i due Paesi per la salute e il benessere della popolazione mozambicana e ha lanciato la sfida della digitalizzazione del settore sanitario.

 

 

 

Cerimonia di posa della prima pietra della scuola elementare di Cabango nel distretto di Moatize

Il 19 aprile 2024, la comunità di Nkhondzi, situata nel posto amministrativo di Zobbue, nel distretto di Moatize, ha partecipato all’avvio della costruzione di un’infrastruttura nella propria località: la scuola primaria di Cabango.

La cerimonia, guidata dall’amministratore del distretto di Moatize, Eugenio Pedro Muchanga, ha segnato l’inizio di un ambizioso progetto volto a migliorare le condizioni educative dei 625 alunni iscritti alla scuola.

L’evento è iniziato con cerimonie  tradizionali che riflettono la cultura e la soddisfazione della popolazione locale. L’Amministratore, accompagnato dai membri del consorzio, dalle autorità tradizionali locali, e dagli studenti, si è recato al cantiere, dove ha avuto luogo la posa simbolica della prima pietra. L’appaltatore incaricato, Suli Construções, si è impegnato a completare la costruzione delle due aule, del blocco amministrativo e delle tre latrine doppie entro due mesi, garantendo la qualità del lavoro.

Bellissimi spettacoli culturali, tra cui una rappresentazione teatrale e danze tradizionali, hanno arricchito l’evento. I discorsi sono stati tenuti dall’Amministratore, dal responsabile del programma DELPAZ Tete, João Simbine, dal rappresentante di WeWorld, Vincenzo Bevivino, nonché dai direttori di SDEJT e SDPI, e dagli amministratori della località.

João Simbine ha spiegato brevemente lo scopo del programma DELPAZ, sottolineandone l’importanza per la costruzione della pace e lo sviluppo locale. Finanziato dall’Unione Europea e attuato nella provincia di Tete dall’Agenzia Italiana per la Cooperazione allo Sviluppo (AICS) attraverso un consorzio di ONG guidato da Save The Children, il programma DELPAZ fa parte dell’accordo di pace tra il governo e la Renamo, firmato nel 2019. Nella provincia di Tete, DELPAZ viene attuato in tre distretti – Moatize, Doa e Tsangano – da quattro partner: WeWorld-GVC, SEPPA (Agribusiness & Consultancy), KUBECERA e Associação Amanhecer para Protecção de Terra e Recursos Naturais) e CEPCB (Centro per gli studi sulla pace, i conflitti e il benessere), con l’obiettivo di beneficiare le comunità locali e promuovere lo sviluppo sostenibile.

L’avvio della costruzione della scuola primaria di Cabango rappresenta un’importante pietra miliare per la comunità di Nkhondzi e per l’intero distretto di Moatize. Questa iniziativa dimostra l’impegno delle autorità locali e dei partner internazionali per migliorare l’istruzione e lo sviluppo della regione. Si spera che questa nuova infrastruttura fornisca un ambiente di apprendimento più adeguato e contribuisca alla crescita e al benessere degli studenti e della comunità in generale.

Il servizio di Rádio Moçambique: https://jmp.sh/mMbiwq1L

 

Cerimónia de lançamento da primeira pedra para a construção da Escola Primária de Cabango, no distrito de Moatize

No dia 19 de Abril de 2024, a comunidade de Nkhondzi, localizada no Posto Administrativo de Zobbue, distrito de Moatize, participou do lançamento da construção de infraestruturas na sua localidade: a Escola Primária de Cabango.

A cerimónia, liderada pelo Administrador do distrito de Moatize, Eugenio Pedro Muchanga, marcou o início de um projeto ambicioso que visa melhorar as condições educacionais para os 625 alunos matriculados na escola.

A cerimónia teve início com práticas tradicionais que reflectem a cultura e a satisfação da população local. O Administrador, acompanhado pelos membros do consórcio implementador, pelos líderes locais, e pelos estudantes, dirigiu-se ao local da obra, onde foi feito o lançamento simbólico da primeira pedra. O empreiteiro responsável, Suli Construções, comprometeu-se a concluir a construção das duas salas de aula, um bloco administrativo e três latrinas duplas dentro de dois meses, garantindo a qualidade dos trabalhos.

Lindas apresentações culturais, incluindo uma peça teatral e danças tradicionais, enriqueceram o evento. Discursos foram proferidos pelo Administrador, pelo representante de Save the Children em Tete, João Simbine, pelo representante da WeWorld, Vincenzo Bevivino, bem como pelos directores de SDEJT e SDPI, o Chefe do posto e da localidade.

João Simbine explicou brevemente o propósito do programa, destacando a sua importância para a consolidação da paz e o desenvolvimento local. Financiado pela União Europeia, implementado na Província de Tete pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) através de um consórcio de ONGs liderado pela Save The Children, o programa DELPAZ é parte do acordo de paz entre o governo e a Renamo, assinado em 2019. Na Província de Tete, DELPAZ está a ser implementado em três distritos – Moatize, Doa e Tsangano – por quatro parceiros, nomeadamente: WeWorld-GVC, SEPPA (Agro-negócios & Consultoria), KUBECERA e Associação Amanhecer para Protecção de Terra e Recursos Naturais) e CEPCB (Centro de Estudos de Paz, Conflito e Bem-Estar),  com o objectivo de beneficiar comunidades locais e promover o desenvolvimento sustentável.

O lançamento da construção na Escola Primária de Cabango representa um marco importante para a comunidade de Nkhondzi e para o distrito de Moatize como um todo. Essa iniciativa demonstra o compromisso das autoridades locais e dos parceiros internacionais com a melhoria da educação e o desenvolvimento da região. Espera-se que essa infraestrutura recém-inaugurada proporcione um ambiente de aprendizado mais adequado e contribua para o crescimento e o bem-estar dos alunos e da comunidade em geral.

 

A reportagem de Rádio Moçambique: https://jmp.sh/mMbiwq1L

 

Lançamento da Iniciativa AICS-CMM Infraestruturas verdes e resilientes a nível urbano na cidade de Maputo

 

No dia 17 de abril, em Maputo, como parte da realização do workshop de devolução de resultados do projeto AGRI-URB – Agricultura Urbana para Melhorar a Segurança Alimentar nos Assentamentos Informais de Maputo, a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento e a Câmara Municipal de Maputo apresentaram a iniciativa Infraestruturas Verdes e Resilientes a Nível Urbano na cidade de Maputo, financiada pela AICS e recentemente iniciada.

No evento estiveram presentes o Chefe da Sede Regional da AICS – Maputo, Paolo Enrico Sertoli, o Administrador do Distrito Municipal KaMpfumo, Samuel Miguel Modumela, o Vereador de Infraestruturas da Câmara Municipal de Maputo, João Munguambe, o Diretor Municipal do Ambiente, Sérgio Manhique, bem como representantes de agências de cooperação para o desenvolvimento, universidades, sociedade civil e setor privado.

Durante o discurso de abertura, Paolo Enrico Sertoli destacou como os resultados alcançados pelo AGRI-URB contribuíram para a segurança alimentar e nutricional da população da cidade de Maputo, mencionando, entre outras coisas, “o trabalho realizado na promoção de hortas urbanas nos assentamentos informais”. Ele também enfatizou a inclusão de Moçambique entre os países elegíveis para a implementação da Iniciativa Cidades Verdes, destacando que esta iniciativa da AICS visa melhorar o ambiente urbano, fortalecer as conexões entre cidade e campo, aumentar a resiliência dos sistemas alimentares e das populações urbanas a choques externos, e expandir os espaços verdes urbanos apoiando a silvicultura urbana e periurbana.

O Engenheiro Machanguele, técnico da Agência ativo no setor de Desenvolvimento Urbano e Infraestruturas, por sua vez, apresentou o compromisso da AICS na promoção da agricultura sustentável, também mencionando as parcerias ativas.

A iniciativa Infraestruturas Verdes e Resilientes a Nível Urbano na cidade de Maputo visa integrar processos de valorização de frações residuais orgânicas no ciclo de gestão de resíduos sólidos urbanos, e à instalação e operação da primeira unidade de compostagem descentralizada na Cidade de Maputo.

O evento permitiu registar o compromisso comum em contribuir para a identificação de soluções perante os principais desafios urbanos enfrentados, também pela capital moçambicana, onde o rápido e espontâneo crescimento urbano, associado aos impactos das mudanças climáticas, torna o ambiente urbano particularmente frágil e vulnerável, como amplamente evidenciado pelos efeitos provocados no território e na população após as copiosas precipitações das últimas semanas.

 

Domingas, Brígida e Cláudia, três mulheres que fazem a diferença

Domingas Joaquim Sabão, Brígida João Masitanisse e Cláudia Manuel foram as três protagonistas do Seminário de Promoção da Liderança Feminina na Prevenção de Conflitos em Gondola, no dia 12 de abril.

Elas são beneficiárias do programa DELPAZ na Província de Manica, e vieram respectivamente dos Distritos de Gôndola, Báruè e Guro, para participar no Seminário, juntas com Directoras de Serviços Provinciais e Distritais, Secretarias Permanentes, Administradoras, funcionárias publicas, empreendedoras, académicas.

O Seminário, organizado pelo Serviço Provincial da Economia e Finança da Província de Manica em parceria com UNCDF, teve lugar no dia 12 de Abril em Gondola, com o objectivo de refletir sobre a importância da liderança feminina na prevenção e resolução de conflitos, e na construção da paz, a partir das experiencias pessoais das participantes.

As protagonistas do DELPAZ também trouxeram seu testemunho, com intervenções tocantes e articuladas que, a partir da experiência do Acampamento solidário de Inhazonia, mostraram como os processos de empoderamento promovidos pelo programa podem contribuir para diminuir as discriminações baseadas no género.

“Havia violação dos direitos dos menores, em particular as raparigas quando terminavam a sétima classe não tinham como ir à escola secundária porque os pais não permitiam que estas crianças continuassem a estudar – também porque a escola ficava longe, e era considerado perigoso. E assim estas meninas depois entravam em casamentos prematuros. Mas a aprendizagem do acampamento permitiu trazer uma mudança de mentalidade na nossa comunidade, e já as meninas deixaram de casar, passaram a ir à escola secundária – contou a Brígida. Ela frisou ainda o seu papel como activistas na comunidade e que “conversamos com os pais dizendo que as meninas têm direito de continuar com a escola secundária e também têm direito, se quiserem, de ir à universidade”.

A Cláudia, por seu lado, abordou o assunto da dependência económica, que pode ser mitigada por iniciativas que promovem o empoderamento económico das mulheres: “Nós mulheres, na minha comunidade, antes ficávamos em casa a lavar e cozinhar; o dinheiro em casa era escondido: não tínhamos acesso, tínhamos de pedir a toda a hora. Os homens são muito expertos, escondem dinheiro. Mas agora eu também consigo ter meu rendimento, compro o que acho devo comprar, dou o meu apoio económico, e consigo mostrar ao meu marido que eu também, como mulher, consigo contribuir para a renda familiar”.

Elas despertaram muita curiosidade e interesse no meio das participantes que quiseram saber como é que elas conseguiram produzir esta mudança de comportamento e de pensamento nos homens. A resposta da Domingas foi bem clara: “Não foi fácil. Quando falei com meu marido que eu precisava de documentação, ele respondeu ‘por acaso você é homem que vai ir à tropa? Este dinheiro é para fazer o quê?’”.  Para ela, o factor decisivo foi, justamente, o programa DELPAZ: “Eu queria entrar no projecto como membro da minha associação, mas os projectos são rigorosos e é importante ter documentação para não correr o risco de ficar fora. Portanto voltei a falar com meu marido: ‘estou a perder a possibilidade de entrar no projecto porque não tenho documentos, porque sem documentos não sou ninguém’. E ele finalmente percebeu que, de facto, era importante eu ter todos os documentos”.

O seminário foi também uma ocasião para partilhar, com todas as participantes, uma cópia da Declaração do Acampamento de Inhazónia, a fim de continuar a espalhar as vozes das mulheres e dos homens protagonistas do DELPAZ, e para reflectir sobre una dinâmica prometedora que está sendo observada nas comunidades onde se implementa o programa – ou seja, que os homens estão expressando de forma explícita o seu interesse em ser formados sobre assuntos de igualdade de género e empoderamento. Assim, o próximo passo vai ser uma primeira formação sobre este tema a ser dada nas Rádios comunitárias com as quais o DELPAZ colabora: assim, fiquem atentos as próximas actualizações!

 

Unidos pela Reconstrução: Casa Algarve Renovada é Entregue em Búzi

No dia 12 de abril, teve lugar a cerimónia de entrega dos trabalhos de reabilitação da Casa Algarve, em Búzi, Província de Sofala. A obra de requalificação durou 12 meses e foi realizada no âmbito do projeto “Reconstrução Multidimensional e Resiliente dos Distritos de Ibo e Búzi”, financiado pela Agência Italiana para a Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) e implementado em conjunto por três agências das Nações Unidas: UN-Habitat, OIT e UNESCO.

O evento contou com a presença do Embaixador da Itália  em Moçambique, Gianni Bardini, do Director do Escritório Regional da AICS-Maputo, Paolo Enrico Sertoli, od Administrador Distrital de Búzi, João Oliveira, bem como representantes das Nações Unidas e do Gabinete de Reconstrução Pós-Ciclones (GREPOC), entre outros.

A Casa Algarve, um edifício emblemático, foi construída em 1928 e representa um património arquitetónico único para Búzi. Para além da sua beleza, a Casa Algarve desempenhou um papel significativo durante o Ciclone Idai de 2019, que assolou a região, providenciando abrigo a milhares de vítimas do ciclone.

Durante a cerimónia, o Embaixador da Itália em Moçambique destacou algumas transformações realizadas no processo de reabilitação, com particular ênfase na “instalação de uma estação de rádio comunitária para alerta de riscos climáticos”. Esta iniciativa ganha ainda mais importância dada a proximidade do Rio Búzi, uma área propensa a inundações, e da Província de Sofala, suscetível a ciclones, agravados pelas alterações climáticas.

O processo de recuperação da Casa Algarve incorporou a metodologia “Building Back Better” (BBB). O BBB é uma abordagem de recuperação pós-desastre que reduz a vulnerabilidade a futuros desastres e fortalece a resiliência da comunidade para enfrentar vulnerabilidades físicas, sociais, ambientais e económicas, bem como choques.

Para além da restauração da Casa Algarve no centro da cidade, a AICS apoiou a construção de 75 casas para famílias vulneráveis, reinstaladas na localidade de Guara-guara, no distrito de Búzi.

Estas ações demonstram o compromisso da AICS em colaborar com parceiros e o governo moçambicano para construir infraestruturas resilientes e adaptáveis aos desafios climáticos extremos, como os ciclones enfrentados por Moçambique, particularmente na Província de Sofala.

 

Dona Crisse, um telemóvel e um cabrito

Crisse Agostinho Guezane é uma mulher de 28 anos da comunidade de Missoche, no distrito de Moatize.

Ela carrega consigo não apenas o peso da maternidade de quatro filhos, mas também o desejo ardente de transformar sua realidade. A sua é uma história exemplar, um testemunho de resiliência e determinação.

Antes da intervenção do Programa DELPAZ na sua comunidade, dona Crisse limitava-se a cultivar apenas milho. O conhecimento sobre a produção de hortícolas era escasso, mas a sua vontade de aprender e progredir era inabalável.

Graças à iniciativa da Fundação SEPPA, um dos parceiros do Programa DELPAZ, dona Crisse recebeu as ferramentas e insumos necessários para expandir suas actividades agrícolas. Sementes de repolho, tomate e feijão foram fornecidas, abrindo portas para um novo capítulo na sua vida. Com a orientação e apoio do pessoal da fundação, Crisse aprendeu os segredos da produção dessas culturas.

Numa área modesta de 70×70 metros quadrados, dona Crisse começou a sua jornada como agricultora de hortícolas. Através da venda da sua produção, ela alcançou pequenas conquistas que reflectiram grandes mudanças na sua vida, e naquela dos filhos. Com o dinheiro adquirido, comprou um telefone celular e uma cabra, símbolos tangíveis do seu progresso e determinação.

Determinada a ir além, dona Crisse tem planos ambiciosos para o futuro. Ela agora quer expandir a sua área de produção para 100×100 metros quadrados, para cultivar uma variedade ainda maior de culturas, incluindo repolho, tomate, couve, cebola, milho e feijão. Além disso, aspira a ser um modelo para outros agricultores na sua comunidade, inspirando-os a perseguir os seus próprios sonhos e objectivos. E ela é que diz: “só a paz nos permite de estar bem, só a paz nos permite de garantir a comida, só é a paz que nos faz ricos!”