Domingas, Brígida e Cláudia, três mulheres que fazem a diferença

Domingas Joaquim Sabão, Brígida João Masitanisse e Cláudia Manuel foram as três protagonistas do Seminário de Promoção da Liderança Feminina na Prevenção de Conflitos em Gondola, no dia 12 de abril.

Elas são beneficiárias do programa DELPAZ na Província de Manica, e vieram respectivamente dos Distritos de Gôndola, Báruè e Guro, para participar no Seminário, juntas com Directoras de Serviços Provinciais e Distritais, Secretarias Permanentes, Administradoras, funcionárias publicas, empreendedoras, académicas.

O Seminário, organizado pelo Serviço Provincial da Economia e Finança da Província de Manica em parceria com UNCDF, teve lugar no dia 12 de Abril em Gondola, com o objectivo de refletir sobre a importância da liderança feminina na prevenção e resolução de conflitos, e na construção da paz, a partir das experiencias pessoais das participantes.

As protagonistas do DELPAZ também trouxeram seu testemunho, com intervenções tocantes e articuladas que, a partir da experiência do Acampamento solidário de Inhazonia, mostraram como os processos de empoderamento promovidos pelo programa podem contribuir para diminuir as discriminações baseadas no género.

“Havia violação dos direitos dos menores, em particular as raparigas quando terminavam a sétima classe não tinham como ir à escola secundária porque os pais não permitiam que estas crianças continuassem a estudar – também porque a escola ficava longe, e era considerado perigoso. E assim estas meninas depois entravam em casamentos prematuros. Mas a aprendizagem do acampamento permitiu trazer uma mudança de mentalidade na nossa comunidade, e já as meninas deixaram de casar, passaram a ir à escola secundária – contou a Brígida. Ela frisou ainda o seu papel como activistas na comunidade e que “conversamos com os pais dizendo que as meninas têm direito de continuar com a escola secundária e também têm direito, se quiserem, de ir à universidade”.

A Cláudia, por seu lado, abordou o assunto da dependência económica, que pode ser mitigada por iniciativas que promovem o empoderamento económico das mulheres: “Nós mulheres, na minha comunidade, antes ficávamos em casa a lavar e cozinhar; o dinheiro em casa era escondido: não tínhamos acesso, tínhamos de pedir a toda a hora. Os homens são muito expertos, escondem dinheiro. Mas agora eu também consigo ter meu rendimento, compro o que acho devo comprar, dou o meu apoio económico, e consigo mostrar ao meu marido que eu também, como mulher, consigo contribuir para a renda familiar”.

Elas despertaram muita curiosidade e interesse no meio das participantes que quiseram saber como é que elas conseguiram produzir esta mudança de comportamento e de pensamento nos homens. A resposta da Domingas foi bem clara: “Não foi fácil. Quando falei com meu marido que eu precisava de documentação, ele respondeu ‘por acaso você é homem que vai ir à tropa? Este dinheiro é para fazer o quê?’”.  Para ela, o factor decisivo foi, justamente, o programa DELPAZ: “Eu queria entrar no projecto como membro da minha associação, mas os projectos são rigorosos e é importante ter documentação para não correr o risco de ficar fora. Portanto voltei a falar com meu marido: ‘estou a perder a possibilidade de entrar no projecto porque não tenho documentos, porque sem documentos não sou ninguém’. E ele finalmente percebeu que, de facto, era importante eu ter todos os documentos”.

O seminário foi também uma ocasião para partilhar, com todas as participantes, uma cópia da Declaração do Acampamento de Inhazónia, a fim de continuar a espalhar as vozes das mulheres e dos homens protagonistas do DELPAZ, e para reflectir sobre una dinâmica prometedora que está sendo observada nas comunidades onde se implementa o programa – ou seja, que os homens estão expressando de forma explícita o seu interesse em ser formados sobre assuntos de igualdade de género e empoderamento. Assim, o próximo passo vai ser uma primeira formação sobre este tema a ser dada nas Rádios comunitárias com as quais o DELPAZ colabora: assim, fiquem atentos as próximas actualizações!

 

Unidos pela Reconstrução: Casa Algarve Renovada é Entregue em Búzi

No dia 12 de abril, teve lugar a cerimónia de entrega dos trabalhos de reabilitação da Casa Algarve, em Búzi, Província de Sofala. A obra de requalificação durou 12 meses e foi realizada no âmbito do projeto “Reconstrução Multidimensional e Resiliente dos Distritos de Ibo e Búzi”, financiado pela Agência Italiana para a Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) e implementado em conjunto por três agências das Nações Unidas: UN-Habitat, OIT e UNESCO.

O evento contou com a presença do Embaixador da Itália  em Moçambique, Gianni Bardini, do Director do Escritório Regional da AICS-Maputo, Paolo Enrico Sertoli, od Administrador Distrital de Búzi, João Oliveira, bem como representantes das Nações Unidas e do Gabinete de Reconstrução Pós-Ciclones (GREPOC), entre outros.

A Casa Algarve, um edifício emblemático, foi construída em 1928 e representa um património arquitetónico único para Búzi. Para além da sua beleza, a Casa Algarve desempenhou um papel significativo durante o Ciclone Idai de 2019, que assolou a região, providenciando abrigo a milhares de vítimas do ciclone.

Durante a cerimónia, o Embaixador da Itália em Moçambique destacou algumas transformações realizadas no processo de reabilitação, com particular ênfase na “instalação de uma estação de rádio comunitária para alerta de riscos climáticos”. Esta iniciativa ganha ainda mais importância dada a proximidade do Rio Búzi, uma área propensa a inundações, e da Província de Sofala, suscetível a ciclones, agravados pelas alterações climáticas.

O processo de recuperação da Casa Algarve incorporou a metodologia “Building Back Better” (BBB). O BBB é uma abordagem de recuperação pós-desastre que reduz a vulnerabilidade a futuros desastres e fortalece a resiliência da comunidade para enfrentar vulnerabilidades físicas, sociais, ambientais e económicas, bem como choques.

Para além da restauração da Casa Algarve no centro da cidade, a AICS apoiou a construção de 75 casas para famílias vulneráveis, reinstaladas na localidade de Guara-guara, no distrito de Búzi.

Estas ações demonstram o compromisso da AICS em colaborar com parceiros e o governo moçambicano para construir infraestruturas resilientes e adaptáveis aos desafios climáticos extremos, como os ciclones enfrentados por Moçambique, particularmente na Província de Sofala.

 

Dona Crisse, um telemóvel e um cabrito

Crisse Agostinho Guezane é uma mulher de 28 anos da comunidade de Missoche, no distrito de Moatize.

Ela carrega consigo não apenas o peso da maternidade de quatro filhos, mas também o desejo ardente de transformar sua realidade. A sua é uma história exemplar, um testemunho de resiliência e determinação.

Antes da intervenção do Programa DELPAZ na sua comunidade, dona Crisse limitava-se a cultivar apenas milho. O conhecimento sobre a produção de hortícolas era escasso, mas a sua vontade de aprender e progredir era inabalável.

Graças à iniciativa da Fundação SEPPA, um dos parceiros do Programa DELPAZ, dona Crisse recebeu as ferramentas e insumos necessários para expandir suas actividades agrícolas. Sementes de repolho, tomate e feijão foram fornecidas, abrindo portas para um novo capítulo na sua vida. Com a orientação e apoio do pessoal da fundação, Crisse aprendeu os segredos da produção dessas culturas.

Numa área modesta de 70×70 metros quadrados, dona Crisse começou a sua jornada como agricultora de hortícolas. Através da venda da sua produção, ela alcançou pequenas conquistas que reflectiram grandes mudanças na sua vida, e naquela dos filhos. Com o dinheiro adquirido, comprou um telefone celular e uma cabra, símbolos tangíveis do seu progresso e determinação.

Determinada a ir além, dona Crisse tem planos ambiciosos para o futuro. Ela agora quer expandir a sua área de produção para 100×100 metros quadrados, para cultivar uma variedade ainda maior de culturas, incluindo repolho, tomate, couve, cebola, milho e feijão. Além disso, aspira a ser um modelo para outros agricultores na sua comunidade, inspirando-os a perseguir os seus próprios sonhos e objectivos. E ela é que diz: “só a paz nos permite de estar bem, só a paz nos permite de garantir a comida, só é a paz que nos faz ricos!”

 

Reflexões e aspirações: as vozes dos beneficiários do DELPAZ nas províncias de Tete, Sofala e Manica

Enquanto o cenário político em Maputo discute fervorosamente a possibilidade de um Plano Nacional de Reinserção, estimulando um diálogo aprofundado entre as autoridades e a sociedade civil, um caminho para uma mudança tangível já está a ser percorrido nas províncias de Manica, Tete e Sofala. Estes passos, dados com determinação, já produziram resultados que merecem ser apoiados e podem constituir um ponto de partida sólido. No entanto, a solução não reside apenas em políticas e planos de ação, mas sobretudo na experiência directa e nas vozes autênticas dos protagonistas desta transformação.

Nos dias 21 e 22 de março, realizou-se em Maputo a Conferência Internacional sobre Reintegração Pós-Conflito, promovida pelo Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), sob o alto patrocínio do Ministério da Justiça, do Ministério dos Combatentes e do Secretariado para a Paz (PPS). Entre os participantes, oriundos das províncias de Tete, Sofala e Manica, destacaram-se as vozes vibrantes de Florinda, Rita, Mário, Graça, Anita, Isabel, Carménia e Carlota.

Para muitos deles, era a primeira vez que se deslocavam a Maputo e traziam consigo uma mensagem cheia de esperança e urgência: “Queremos paz”, declararam enfaticamente. “Queremos trabalhar a terra, somos camponeses. Queremos cultivar a nossa própria comida, mandar os nossos filhos para a escola. Queremos viver em paz e, para isso, precisamos da vossa ajuda”. As suas palavras ressoam com uma urgência palpável, uma vez que reflectem necessidades essenciais: acesso à água, infra-estruturas, estradas, mercados, hospitais e escolas.

As experiências relatadas durante a conferência foram comoventes e esclarecedoras. Anita, com os olhos ainda incrédulos, comentou a visão da abundância de água nos hotéis de Maputo, contrastando com a realidade da sua comunidade, onde a água é um bem precioso que só pode ser alcançado após longas viagens. Mário, impressionado com a grandiosidade e vibração da capital, agradeceu ao DELPAZ por ter levado o furo de água à sua comunidade e novas práticas agrícolas, juntamente com sementes e ferramentas, expressando a importância de alargar este tipo de projectos a todas as comunidades carenciadas.

Florinda partilhou um sentimento de gratidão e reconhecimento: “Nós não éramos nada, mas agora estamos aqui a falar e vocês estão a ouvir-nos. O DELPAZ tornou-nos visíveis”. Estes testemunhos são um reflexo tangível do trabalho realizado pela DELPAZ, também evidenciado pela distribuição da Declaração de Inhanzónia, um símbolo de solidariedade e inclusão promovido através da organização do acampamento solidário em novembro do ano passado no distrito de Báruè.

O papel das mulheres como actores e líderes locais foi particularmente enfatizado, tendo Carlota Inhamussua, colaboradora ativa do Programa DELPAZ na Província de Sofala, partilhado experiências significativas como o projecto da poupança e da caixa dos sonhos. Estas actividades visam não só disponibilizar recursos tangíveis, mas também estimular os sonhos e objectivos das comunidades envolvidas, reforçando a confiança e o sentimento de pertença das pessoas às suas comunidades.

O caminho para a paz e a prosperidade exige um compromisso colectivo e sustentado. Quando estas comunidades começam a dar os primeiros passos em direção à mudança, é crucial que não sejam deixadas sozinhas. Precisam de tempo, apoio e recursos para crescerem e continuarem a cultivar a paz nos seus territórios. Só através de um compromisso partilhado e de uma solidariedade duradoura é que se pode garantir um futuro de esperança e prosperidade para todas as comunidades moçambicanas.

Todos eles têm clamado para não serem deixados sozinhos, agora que estão a começar a ‘gatinhar’ e precisam de mais tempo e apoio para poderem ‘crescer’ e continuar a cultivar a paz nas suas comunidades.

Para isso contribui também o DELPAZ, em parceria com o IMD, implementado pelo AICS em Manica e Tete, e pela ADA em Sofala, com o apoio do UNCFD. Para além de água, infra-estruturas, vias de acesso, sementes e novas práticas agrícolas, estimula os sonhos das comunidades mais afectadas pela violência armada, onde os beneficiários do DDR voltaram a viver, juntamente com as suas famílias.

Como repetidamente expresso pelo Embaixador da UE em Moçambique, Antonino Maggiore, “Como parceiros de Moçambique, estamos plenamente conscientes dos desafios que enfrentamos em matéria de reintegração e reconciliação; […] A paz e a reconciliação só podem ser alcançadas através de uma democracia próspera e da prosperidade em benefício de todos os cidadãos moçambicanos.”

 

 

AICS e Embaixada de Itália: aliadas para o progresso na Província de Manica

De 19 a 21 de março, teve lugar na Província de Manica uma missão da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) – Sede Regional de Maputo, em colaboração com a Embaixada de Itália em Moçambique. Participaram nesta missão o Vice-Embaixador de Itália, Eugeniu Rotaru, o Director da Sede Regional do AICS Maputo, Paolo Enrico Sertoli, e o Chefe do Gabinete do Programa da AICS Chimoio, Giovanni Barbagli.

No dia 19 de março, a delegação foi recebida pelo Presidente do Conselho Municipal de Chimoio, onde foram discutidos vários temas, entre os quais a adesão da cidade ao Pacto de Milão sobre Política Alimentar Urbana (MUFFP), conseguida com o apoio do AICS, juntando-se assim às 270 cidades comprometidas com o desenvolvimento de sistemas alimentares urbanos sustentáveis. Foram ainda abordados outros assuntos, como o Plano Mattei, recentemente aprovado, e a exibição, em Chimoio, do documentário Barrigas, realizado na Província de Manica, no âmbito de um projeto de emergência financiado pelo AICS.

Ainda no dia 19 de março, a delegação participou também no Comité Diretivo do Projeto de Desenvolvimento Agrícola Integrado no Corredor da Beira (Pro-DAI), financiado pelo AICS e implementado pela FAO, com o objetivo de desenvolver cadeias de valor inclusivas, dinâmicas, competitivas e sustentáveis para os pequenos produtores.

No dia 20 de março, o projeto ‘Mulheres no Sustenta’ foi oficialmente lançado em Guro, com a presença do Secretário de Estado na Província de Manica, Fernando Bemane de Sousa, e da Administradora do Distrito, Angelina Maria Luis Nguiraz, do Presidente do Município, entre outros. Este projeto visa valorizar o papel socioeconómico das mulheres rurais dos Distritos de Guro, Tambara, Báruè e Macossa, nas áreas de comercialização, inovação e produção de produtos agro-alimentares, mas também desenvolver o turismo rural, com enfoque na inclusão de jovens e pessoas com deficiência.

No seu discurso inaugural, Paolo Enrico Sertoli sublinhou que “esta Iniciativa estará intimamente ligada a uma série de projectos e iniciativas que estamos a implementar e a financiar em Manica, uma província prioritária para nós”.

Em seguida, a delegação teve a oportunidade de visitar uma destas iniciativas, o Ponto Verde no distrito de Guro, gerido pela Associação “Wichandisa Uone”, que significa “trabalhar para viver” na língua Xona. Este Ponto Verde foi implementado no âmbito do Programa DELPAZ (Cooperação Delegada da UE).

O Vice-Embaixador e o Diretor da Agência tiveram a oportunidade de falar com os membros da Associação, observar as suas culturas, incluindo milho, feijão, amendoim e papiro, e verificar o estado atual da construção de um poço destinado a mitigar os efeitos da seca que afecta uma grande parte da província e devido ao fenómeno El Niño.

No final da missão, o Vice-Embaixador sublinhou que tinha sido uma missão muito interessante e instrutiva, que tinha “evidenciado a importância do sector agrícola para a Itália, também à luz do lançamento do Plano Mattei, que dedica um dos seus cinco pilares à agricultura”. Concluiu que “os três projectos da Cooperação Italiana na Província de Manica, objeto da minha missão, mostraram porque é que a Província é uma das áreas prioritárias da nossa intervenção em Moçambique: as necessidades da população são grandes, mas as oportunidades de desenvolvimento do território são também enormes, graças à diligência da população local e ao empenho das autoridades públicas a todos os níveis”.

 

 

 

 

Água: Instrumento de Paz

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Água, uma data crucial que nos recorda a importância desse recurso vital para a sobrevivência humana e o equilíbrio dos ecossistemas. Este ano, o tema “Água para a Paz” destaca a capacidade da água de promover a paz e a cooperação entre comunidades e países.

Em Moçambique, a palavra “água” começa com “m”. Mati, massi, mazhi, matchi, mave, madzi, maze, madi, madji – todas essas variações ressoam com a raiz “m” e estão intimamente ligadas à fertilidade, à vida e à feminilidade. A água, assim como a mulher grávida, adapta-se às circunstâncias, supera obstáculos e dá à luz vida. É uma metáfora poderosa que reflete a natureza transformadora e vital da água.

No entanto, quando a água é escassa ou poluída, quando as pessoas têm acesso desigual ou nenhum acesso, as tensões podem surgir entre comunidades e países. As mudanças climáticas estão a exacerbar esses desafios, tornando ainda mais urgente a união em torno da protecção e conservação desse recurso precioso.

Em resposta a crises como a epidemia de cólera em Moçambique, trabalhando com as instituições moçambicanas, organizações internacionais, como o Central Emergency Response Fund (CERF), têm desempenhado um papel crucial, fornecendo financiamento para garantir acesso à água potável e serviços de saneamento básico para centenas de milhares de pessoas. A água contaminada representa o principal meio de transmissão da cólera, sendo assim garantir o acesso à água potável, é uma forma eficaz de travar a epidemia. A cooperação internacional, incluindo o investimento da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) no CERF, demonstra o poder da solidariedade e da cooperação global.

Além disso, iniciativas como o workshop sobre monitoramento e qualidade da água que teve lugar de 28 a 29 de Novembro 2023, organizado pelo centro de biotecnologia da Universidade “Eduardo Mondlane” (UEM) com o apoio da AICS, destacam o compromisso contínuo com a gestão sustentável dos recursos hídricos: foram ressaltados os desafios enfrentados por Moçambique, especialmente após eventos climáticos extremos como os ciclones, e a importância da cooperação internacional e do intercâmbio de conhecimentos para enfrentar esses desafios.

Em Cabo Delgado, a AICS junto com as Nações Unidas – nomeadamente com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) – têm apoiado as instituições moçambicanas a fornecer acesso à água potável e serviços básicos essenciais para crianças e famílias deslocadas em campos de acolhimento devido aos ataques violentos que continuam a ocorrer na região. Por exemplo nas localidades de Palma Sede, Quitunda e Mute, foram construídos 15 furos, e reabilitados outros 15. Foram realizadas 57 sessões de sensibilização, centradas na promoção de práticas de higiene positivas, incluindo a importância de lavar as mãos com água, como meio de prevenção de doenças. Estas sessões de sensibilização atingiram mais de 22.000 pessoas. Essas intervenções não apenas garantem o acesso à água limpa, mas também promovem a educação em higiene e saúde nas pessoas deslocadas pelo conflito em Cabo Delgado, demonstrando como a água está intrinsecamente ligada ao bem-estar humano, e ao desenvolvimento sustentável.

A AICS está activamente envolvida na construção de sistemas hídricos e na perfuração de poços nas áreas mais afectadas pela guerra civil através do DELPAZ. O DELPAZ, o programa do governo moçambicano e financiado pela União Europeia, com o suporte do Fundo Das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital (UNCDF), é implementado nas Províncias de Manica e Tete pela AICS, enquanto a Agência Austríaca para o Desenvolvimento (ADA) actua na Província de Sofala. Esses esforços não apenas melhoram o acesso à água potável, mas também desempenham um papel crucial na restauração da confiança e da estabilidade nas comunidades devastadas pelo conflito. O Programa DELPAZ é um exemplo tangível de como a cooperação internacional pode transformar positivamente a vida das pessoas, promovendo a paz e a reconstrução pós-conflito através do acesso a recursos fundamentais como a água.

À medida que nos aproximamos do 10º Fórum Mundial da Água em Bali, Indonésia (18 a 25 de maio), é fundamental mantermos o intercâmbio de melhores práticas e colaboração global para abordar os desafios relacionados à água. A presença da Sede Regional da AICS em Maputo no fórum ressalta o compromisso contínuo da comunidade internacional em promover a gestão sustentável da água e alcançar objectivos de desenvolvimento comuns.

Smartphone e galinhas

O senhor Artur Mainato Randim já não quer ouvir falar de guerra. O tempo ajudou a esquecer os dias terríveis e agora só quer pensar na sua machamba e olhar para o futuro. É um dos DDR, as pessoas que entraram no programa de desarmamento, desmobilização e reintegração, resultado do acordo de paz de Maputo assinado em 2019.

O senhor Artur vive na comunidade de Missoche, no distrito de Dôa, na província de Tete.

Antigamente produzia milho, amendoim, feijão manteiga e nehmba, bananeiras e cana-deaçucar. Mas o seu sonho era cultivar tomate e repolho.

Com a chegada do DELPAZ –  o programa do Governo de Moçambique financiado pela União Europeia –  no distrito de Dôa, o seu sonho materializou-se.

Através da Fundação SEPPA – membro do consórcio que trabalha com a Agência Italiana de Cooperação no desenvolvimento (AICS) – recebeu sementes de repolho, tomate e feijão. Além disso, recebeu formação para produzir essas hortícolas, na sua machamba de 9800 metros quadrados.

A colheita foi generosa e com a venda das hortícolas o senhor Artur conseguiu comprar também um smartphone e cinco galinhas.

Agora mão à obra. Ele tenciona aumentar a área de produção para dois hectares e cultivar repolho, couve, cenoura e cebola, na segunda época do ano a decorrer.

“Espero mesmo que o DELPAZ perdure aqui porque muitos benefícios trouxe à nossa comunidade”, diz convicto o senhor Artur cujo sonho agora é se tornar um agricoltur modelo e até ser de exemplo para toda a comunidade.

Para além dos desafios: a história de Berta Arlindo, empreendedora corajosa em Moçambique rural

Num distrito remoto de Moçambique, na província de Manica, Berta Arlindo, de 24 anos, destaca-se como uma verdadeira empreendedora, desafiando as adversidades locais para construir o próprio destino. Residente em Macossa, formada em contabilidade e auditoria pela Universidade de Chimoio, Berta decidiu enfrentar a situação do desemprego de frente e iniciou um negócio de criação e venda de frangos no ano passado.

Para Berta, o desemprego foi o catalisador que a impulsionou a encontrar soluções para enfrentar as despesas. Apesar dos esforços para procurar emprego após os estudos, não teve sucesso. Mesmo com o marido empregado, o desejo de ser autossuficiente e independente a motivou a empreender.

Ser uma empreendedora em Macossa não é uma tarefa fácil. O sucesso de seu negócio de frangos depende fortemente dos picos de mercado, como durante o Natal e o Ano Novo, quando a demanda aumenta. No entanto, enfrenta meses mais lentos, tornando difícil a venda de seus produtos. Berta enfrenta desafios adicionais devido à falta de acesso a produtos relacionados à avicultura e medicamentos para tratar doenças de frangos, já que em Macossa não há nenhuma loja especializada.

A falta de acesso a esses recursos a obriga a viajar por cinco horas até Chimoio sempre que se depara com problemas de saúde em seus frangos. Apesar desses obstáculos, Berta permanece optimista, reconhecendo as contingências do país, mas sorrindo diante das dificuldades.

Berta decidiu iniciar o negócio de frangos por duas razões principais. Em primeiro lugar, notou a ausência de concorrência directa na criação de frangos em Macossa, oferecendo uma oportunidade única de negócio. Em segundo lugar, reconheceu o valor nutricional importante do frango, especialmente numa região onde o acesso a fontes de proteína animal pode ser limitado.

A empreendedora destaca o papel significativo do programa DELPAZ na comunidade, mencionando a distribuição de sementes para a prática da agricultura. Além disso, Berta espera tirar proveito das formações previstas pelo programa em microcrédito ou marketing, visando atrair novos clientes e melhorar a estrutura do seu negócio.

Berta Arlindo reconhece os desafios adicionais que as mulheres empreendedoras enfrentam em Macossa devido à falta de oportunidades, mas a sua resiliência e determinação são fontes de inspiração. A sua história destaca não apenas as dificuldades enfrentadas, mas também a importância de programas como DELPAZ em capacitar e apoiar as comunidades locais em busca da autossuficiência económica.

AICS e Moçambique: Extensão a nível distrital da rede digital do Governo – GovNet (GovNet Plus).

Hoje foi celebrada a cerimônia de encerramento do projeto GOVNET Plus, financiado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS). O objetivo específico deste projeto era expandir a conectividade a nível distrital, através de conexões sem fio com antenas, além de formar funcionários públicos das Administrações distritais sobre o uso das TIC no local de trabalho (Aplicações de escritório, correio eletrônico, internet, elementos de segurança cibernética ética em informática).

O evento contou com a presença do Embaixador da Itália em Moçambique, Gianni Bardini, do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Daniel Daniel Nivagara, do Diretor da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS – Sede Maputo), Paolo Enrico Sertoli, e do Diretor do INAGE -Instituto Nacional de Governo Electrónico, Ermínio Jasse, entre outros.

Durante la cerimonia, l’INAGE ha presentato alcuni risultati concreti del progetto GOVNET Plus, tra cui i 1.352 dipendenti dell’amministrazione statale che hanno ricevuto formazione in TIC e il fatto che 88 istituzioni sono state connesse alla rete GOVNET in 32 distretti. Questi risultati dimostrano l’impatto positivo del progetto sul miglioramento dell’infrastruttura tecnologica e sulla formazione dei funzionari pubblici in Mozambico.

O Embaixador italiano em Moçambique destacou o longo apoio da Itália à digitalização de Moçambique, mencionando, por exemplo, a participação de Moçambique na Conferência Internacional sobre Governo Eletrônico para o Desenvolvimento, realizada em Palermo em 2002, da qual surgiu a ideia de criar uma rede digital de governo para o país. Ele também destacou a primeira iniciativa financiada pela Itália em 2004, que levou à criação da rede eletrônica de governo (GOVNET), permitindo uma comunicação mais eficiente entre as várias instituições. Por fim, ele mencionou os projetos financiados pela AICS, como Coding Girls e DIGIT, enfatizando o contínuo apoio da Itália à “digitalização, uma necessidade fundamental para não deixar ninguém para trás“.

Por sua vez, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior expressou gratidão pelo apoio da Itália, destacando a importância do GOVNET “na coleta de dados das administrações públicas em todo o país”. Ressaltou ainda que a plataforma está “ presente em 963 instituicoes públicas do país, abrangendo 141 distritos”.

O evento concluiu-se com uma cerimônia simbólica de entrega de equipamentos informáticos, como computadores e equipamentos de comunicação, por parte da Itália. Estes recursos visam melhorar o acesso à informação e tecnologia nas áreas remotas de Moçambique, especialmente nos distritos mais distantes.

 

Revolucionando o abastecimento de água: a comunidade de Malimanao celebra a recuperação da bomba d’água

No coração da comunidade de Malimanao, no posto administrativo de Nhamagua, uma festa extraordinária foi celebrada ontem, marcada pela entrega oficial da bomba d’água recuperada, nas mãos de António Dinis, administrador do distrito de Macossa, na província de Manica. O evento representou um passo significativo para garantir um acesso sustentável à água potável para todos os membros da comunidade.

António Dinis expressou profunda gratidão ao Programa DELPAZ, que apoiou ativamente o processo de reabilitação das bombas d’água. “Estamos muito agradecidos ao Programa DELPAZ, que nos proporcionou um valioso apoio na reabilitação de nossas bombas. Isso contribuirá imensamente para o bem-estar de nossas comunidades”, afirmou o administrador. Ele também enfatizou a importância de a comunidade assumir agora a responsabilidade pela manutenção e uso sábio desse recurso vital.

A cerimônia viu a entrega de uma bomba do tipo Afridev, uma das sete recentemente recuperadas pelo Programa DELPAZ. Rosita Panazache, representante da comunidade de Malimanao, compartilhou sua alegria ao ver finalmente a água facilmente acessível. “Agora podemos economizar tempo, já que não será mais necessário percorrer longas distâncias para buscar água nos poços tradicionais”, declarou.

Pedro Paunde, porta-voz da comunidade, destacou a importância da bomba não apenas em facilitar o acesso à água, mas também na prevenção de doenças. “A água não apenas nos nutre, mas nos protege contra doenças. Faço um apelo a todas as comunidades para que possam desfrutar do privilégio de ter sua própria bomba d’água”, afirmou.

O evento foi ainda mais especial com a presença de Carlos Mairoce, representante da componente italiana do Programa DELPAZ, e de Paolo Gomiero, representante da ONG Helpcode. Sofrimento João Francisco, diretor do Serviço Distrital de Planejamento e Infraestruturas (SDPI), enfatizou o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a importância das infraestruturas para o progresso da comunidade.

Esta celebração não apenas marca um avanço na oferta de água segura e acessível, mas também representa um exemplo tangível de como a colaboração entre organizações e comunidades pode trazer mudanças significativas para o bem de todos. Uma prova de esperança e progresso para as pessoas da comunidade de Malimanao e uma inspiração para muitas outras comunidades perseguirem uma vida melhor através do acesso à água potável.