Dia Mundial da Água: grande celebração marca a inauguração de novo sistema de abastecimento de água em Gondola

Sob a sombra de muitas imponentes árvores de panga-panga, a comunidade de Pindanganga, no Distrito de Gondola, na Província de Manica reuniu-se hoje, Dia Mundial da Água, para celebrar um momento histórico: a inauguração de um novo sistema de abastecimento de água, no âmbito do programa DELPAZ (Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz em Moçambique).

A cerimónia decorreu num ambiente de grande festa, onde um tripudio de capulanas coloridas, crianças sorridentes e as danças vibrantes dos alunos da escola local criaram um espetáculo inesquecível. Ao som dos cânticos tradicionais, a comunidade expressou a sua alegria e gratidão por esta infraestrutura essencial, que irá transformar a vida de muitas famílias.

Francisca Tomás, Governadora da Província de Manica, destacou a importância da água para o bem-estar e o desenvolvimento das comunidades rurais, agradecendo ao programa DELPAZ e à Cooperação Italiana pelo apoio contínuo. No seu discurso, apelou à população para que cuide da água, garantindo que este recurso vital seja preservado também para as futuras gerações. Cada família, disse, deve contribuir com 50 meticais mensais, valor esse que serve para a manutenção do sistema. “Todos nós devemos ser responsáveis da nossa água que, como costumamos dizer, é vida e não podemos descuidar dela”.

 

Um compromisso colectivo para o desenvolvimento

A nova infraestrutura faz parte de um esforço conjunto para acelerar o acesso à água no meio rural. A Agência Italiana para a Cooperação ao Desenvolvimento (AICS) tem sido um parceiro estratégico neste processo com o DELPAZ, um programa do Governo de Moçambique, financiado pela União Europeia, e implementado aqui na Província de Manica com o apoio da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) e as Nações Unidas: diversas iniciativas foram realizadas e outras estão em curso para expandir o acesso a água potável nas comunidades mais afectadas pelo conflito nos Distritos de Gondola, Báruè, Macossa, Guro e Tambara, como base para o desenvolvimento económico local. Especificamente, no sector agrícola, as intervenções do DELPAZ visam inovar e racionalizar os sistemas de irrigação e melhorar o ciclo global da água, com efeitos importantes na atenuação e adaptação às alterações climáticas.

Soluções sustentáveis para água e agricultura

Além do abastecimento de água para consumo humano, a Cooperação Italiana aposta no uso sustentável da água para a agricultura, promovendo sistemas de irrigação eficientes e garantindo que os agricultores locais possam produzir de forma mais estável e segura.

“A Cooperação Italiana tem uma longa tradição na conservação e gestão dos recursos hídricos. O nosso compromisso passa por assegurar o acesso à água potável e promover o seu uso eficiente na agricultura. Para aumentar a eficiência hídrica, é fundamental reduzir as perdas e melhorar a produtividade dos recursos hídricos. Esta abordagem permite não só aumentar a produção agrícola, mas também garantir a sustentabilidade dos recursos naturais,” disse Paolo Enrico Sertoli, diretor da AICS, numa mensagem lida na ocasião.

Impacto real nas comunidades

O programa DELPAZ já alcançou resultados concretos na província de Manica. A Giulia Zingaro, líder da equipa DELPAZ pela AICS, destacou que as intervenções foram realizadas em estreita colaboração com as comunidades locais, respondendo às suas necessidades prioritárias. Entre os progressos alcançados através do DELPAZ em resposta as prioridades assinaladas pelas comunidades locais constantes nos planos de desenvolvimento locais, também em colaboração com o Consórcio de Parceiros liderado pela organização HELPCODE, destacam-se a construção de 9 novos sistemas de abastecimento de água com energia solar, outros 9 em fase de finalização, a realização de 24 novas infraestruturas hídricas, incluindo sistemas de irrigação e 7 infraestruturas hídricas reabilitadas. A estas, adicionam-se outras infraestruturas comunitárias, como tanques carracicidas, armazéns para produtos agrícola e um mercado, reforçando a economia da região.

Maurício Fonseca Murula, de 30 anos, é um dos moradores beneficiados. Com o fontanário agora instalado na sua localidade, ele partilhou a sua felicidade, depois ter participado na cerimónia tradicional: “A água vai ajudar a machamba a render mais.” Pai de dois filhos, Maurício cultiva a terra para sustentar a família, mas muitas vezes precisa complementar a renda com a produção de carvão e o garimpo de ouro. Com acesso a água mais próximo e estável, ele poderá aumentar a sua produção agrícola e melhorar a qualidade de vida da sua família.

Uma parceria de longo prazo para a Paz e o Desenvolvimento

Desde 2021, a AICS participa no DELPAZ, um programa do Governo de Moçambique financiado pela União Europeia, que promove a paz e o desenvolvimento económico em áreas rurais afetadas por conflitos.

A componente italiana do programa foca-se em oito distritos das províncias de Manica e Tete, com especial atenção às mulheres, jovens e ex-combatentes e suas famílias, garantindo que a água, fonte de vida e progresso, chegue a todos, como reafirmado hoje no Dia Mundial da Água.

Maputo celebra o Dia Internacional da Mulher com a Corrida Laranja

No dia 8 de Março, Maputo vestiu-se de laranja para celebrar o Dia Internacional da Mulher. A Corrida Laranja, evento central das celebrações, reuniu mais de 1.000 participantes de todas as idades e origens, que percorreram distâncias de 5 km, 10 km e 15 km celebrando o lema deste ano: “Para TODAS as mulheres e raparigas: direitos, igualdade e empoderamento.”

O evento, inclusivo e aberto a tod@s, independentemente de género, raça, classe social ou condição física, teve como objetivo sensibilizar a sociedade para a erradicação de todas as formas de violência contra as mulheres e raparigas, ao mesmo tempo que promoveu a importância da igualdade de oportunidades.

A Corrida Laranja foi organizada por uma aliança de Embaixadas, Agências de Cooperação e Organizações da Sociedade Civil, entre as quais a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), a Embaixada da Bélgica, o Governo de Flandres, a Embaixada da Suécia, o Alto-Comissariado do Reino Unido, a Embaixada da República Federal da Alemanha, a Embaixada do Reino dos Países Baixos, a Embaixada da Irlanda, o Alto-Comissariado do Canadá e o Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil.

Este evento faz parte de um conjunto mais amplo de atividades programadas para o Mês da Mulher em Moçambique, que teve início a 28 de Fevereiro e culminará a 7 de Abril, com a comemoração do Dia da Mulher Moçambicana. Ao longo deste período, estão a ser realizadas diversas ações de sensibilização, debates, conferências e iniciativas comunitárias que reforçam o papel essencial das mulheres no desenvolvimento do país.

Entre os participantes da corrida, Ilundi Durão, uma jovem moçambicana, partilhou a sua visão sobre a importância da dataO 8 de Março não resolve todos os desafios que enfrentamos nem os objetivos que ainda temos de alcançar em termos de direitos para as mulheres. No entanto, é fundamental marcar este momento, pois ainda há muito trabalho a fazer em todo o mundo e em diferentes contextos” A Ilundi sublinhou ainda a importância de eventos como a Corrida Laranja, que não só sensibilizam para a igualdade de género, mas também “incentivam a prática desportiva, o bem-estar e promovem a saúde” 

Reflexão sobre os Pontos Verdes em Manica: desafios, impacto e sustentabilidade

DELPAZ organizou um seminário de reflexão, no dia 24 de fevereiro, na Província de Manica sobre os Pontos Verdes (PV), espaços dedicados à promoção de tecnologias agrícolas sustentáveis, capacitação de agricultores e fortalecimento da segurança alimentar e da capacidade produtiva das associações, com um enfoque no mercado.

O encontro reuniu os presidentes das associações que gerem os PV, pontos focais, diretores do SDAE e a equipa técnica do projeto, num ambiente de partilha de ideias, experiências e visões para o futuro. O objetivo principal foi avaliar o impacto destes centros, identificar desafios e explorar oportunidades para garantir a sua sustentabilidade e expansão.

Os Pontos Verdes como motores de desenvolvimento rural

Os testemunhos dos participantes demonstraram o papel crucial dos PV no apoio aos agricultores locais. Quentino Suite, presidente do PV de Macossa, destacou os progressos alcançados: “O nosso PV já se tornou uma escola para os outros produtores. E se as coisas continuarem como estão agora, em breve teremos capacidade para adquirir um meio de transporte para escoar os produtos. Já temos compradores que vêm de Chemba, Marínguè e Gorongosa para os adquirir.”

Por sua vez, Isac Cerveja, presidente do PV de Báruè, sublinhou os benefícios da infraestrutura e dos investimentos feitos: “Com a capacidade de rega que temos agora, graças ao DELPAZ, podemos produzir até dois hectares de hortícolas e expandir ainda mais a nossa base de venda.”

O caminho para a sustentabilidade dos PV

O seminário marcou também o início do processo de desenho da estratégia de sustentabilidade dos PV, um passo essencial para garantir a continuidade e o crescimento destas iniciativas. Entre os aspetos discutidos, destacam-se:

  • A busca por parcerias justas, que possam apoiar e fortalecer as associações locais;
  • O apoio à formalização das associações, permitindo-lhes uma maior autonomia e acesso a novas oportunidades de financiamento e mercado;
  • O reforço das capacidades técnicas e organizacionais, para consolidar os PV como referências na agricultura sustentável da região.

Através destas iniciativas, o Programa DELPAZ reafirma o seu compromisso com o desenvolvimento rural sustentável, promovendo a resiliência dos agricultores e impulsionando a economia local. O seminário foi um passo importante para garantir que os Pontos Verdes continuem a crescer e a gerar impacto positivo nas comunidades onde operam.

Renovação do acordo com a TVM

No dia 18 de fevereiro, foi renovado o Memorando de Entendimento (MoE) entre a Embaixada da Itália, a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) e a Televisão de Moçambique (TVM). O acordo inicial, assinado em 22 de fevereiro de 2024, garantia espaço de antena nos diversos canais da TVM para a divulgação das atividades da AICS e da Embaixada ao longo de um ano. Com a sua validade prestes a expirar, as partes decidiram proceder à renovação do compromisso, reforçando a continuidade da colaboração.

A renovação do acordo foi assinada pelo Embaixador da Itália em Moçambique, Gabriele Annis, pelo Diretor da Sede da AICS em Maputo, Paolo Enrico Sertoli, e pelo Presidente do Conselho de Administração da TVM, Elio Jonasse, sendo testemunhada por vários jornalistas da emissora.

No seu discurso, o Embaixador da Itália em Moçambique sublinhou: “Vou trabalhar para que os laços da TVM com a RAI se fortaleçam e para favorecer trocas de experiências e atividades comuns”, envolvendo jornalistas moçambicanos e italianos.

Por sua vez, o Presidente do Conselho de Administração da TVM ressaltou que a formação é um dos principais desafios da emissora, particularmente no que diz respeito às especificidades do meio televisivo. Nesse sentido, destacou: “Gostaria que os técnicos da RAI viessem a Moçambique numa primeira fase e, depois, numa segunda fase, os trabalhadores da TVM fossem a Itália para aprenderem mais” com uma televisão histórica como a RAI.

O Diretor da Sede da AICS em Maputo agradeceu o apoio da TVM, que “tem sido uma parceira fundamental na divulgação das nossas atividades”, realçando que conta com a “vossa experiência, conhecimento e know-how para garantir que os nossos projetos e iniciativas alcancem um dos nossos principais públicos-alvo: os cidadãos moçambicanos”.

A cerimônia de renovação do acordo concluiu-se com uma visita às instalações da TVM, onde o Embaixador e o Diretor puderam conhecer os estúdios onde são gravados programas como Bom Dia Moçambique e Telejornal, nos quais continuarão a ser divulgadas as atividades da Itália.

Dia Internacional da Educação

 

© Marco Palombi

Hoje celebramos o Dia Internacional da Educação, este ano sob o lema: “Inteligência Artificial e Educação: Preservar a autonomia humana num mundo de automação”.

A Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) tem desempenhado um papel crucial no reforço do sistema educativo em Moçambique, com especial foco no setor universitário. Um dos principais parceiros da AICS é a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a maior e mais importante universidade do país. Este apoio visa não apenas fortalecer as capacidades institucionais da UEM, mas também enfrentar um dos grandes desafios do país: a elevada taxa de desemprego juvenil[1].

Em 2023, como parte dos esforços para aumentar a empregabilidade, fomentar o empreendedorismo e estimular a inovação, foi inaugurada uma incubadora de negócios na UEM. Esta iniciativa foi implementada no âmbito de dois projetos financiados pela AICS: o Coding Girls[2] e o ICT4DEV[3].

Na incubadora, que já acolheu 33 start-ups em diversos setores como educação online, microfinanças e agroprocessamento, os jovens têm acesso a formações práticas em marketing digital, elaboração de planos de negócios e empreendedorismo digital. Além disso, contam com uma rede de contactos que facilita a expansão e o fortalecimento das suas ideias. Segundo Leila Mutuque, coordenadora da incubadora, tem sido feito um grande investimento na área da tecnologia. “Uma vez que a tecnologia e a inteligência artificial representam o futuro do mundo, temos dedicado especial atenção a este setor e acreditamos que este seja um momento promissor para o desenvolvimento de soluções inovadoras”, afirma.

Uma das start-ups apoiadas pela incubadora é a Credit Flow, uma fintech[4] que busca promover a educação financeira e a inclusão financeira em Moçambique. A start-up utiliza uma plataforma inovadora que facilita a concessão de crédito, conectando pequenas empresas e indivíduos que necessitam de financiamento com bancos e outras instituições financeiras. A start-up desenvolveu ainda uma aplicação móvel disponível para dispositivos Android e iOS. Por meio da app, os usuários podem solicitar crédito de maneira rápida e segura, “através dessa aplicação, pretendemos estimular o empreendedorismo e, como consequência, aumentar a empregabilidade entre os jovens”, afirma José Matingue, fundador da Credit Flow.

“A educação abre as portas e janelas da imaginação”, afirma Julia Delfino Cossa, uma das sócias fundadoras da start-up Maria EBB, que se dedica à educação online no sector universitário, como forma de expandir o acesso à aprendizagem em Moçambique. “Com a nossa plataforma online, qualquer pessoa pode aprender de qualquer lugar, com horários flexíveis”, acrescenta. O conteúdo disponível plataforma é introduzido por professores universitários e passa por um processo de verificação.

Para o desenvolvimento da plataforma, a equipe inspirou-se em modelos de negócios de plataformas mundialmente conhecidas, como Duolingo e Babbel, adotando uma abordagem semelhante de monetização: uma versão gratuita complementada por funcionalidades avançadas disponíveis mediante assinatura paga, assim como publicidade.

 

 

O grande diferencial da Maria EBB está na integração de novas tecnologias e inteligência artificial para personalizar a experiência de aprendizagem. A plataforma utiliza recursos como leitura biónica e leitura robotizada, adaptando-se às necessidades individuais de cada usuário. “Sabemos que existem diferentes tipos de pessoas, que aprendem de formas distintas. Por isso, queremos oferecer uma educação personalizada”, explica Julia.

As start-ups Maria EBB e Credit Flow são exemplos de empresas que utilizam novas tecnologias para promover a educação, seja no âmbito académico ou financeiro. Ambas têm como objetivo aumentar as competências dos jovens, contribuindo para enfrentar a elevada taxa de desemprego no país.

Como explica Leila Mutuque, no contexto moçambicano, muitos jovens ainda priorizam a busca por emprego em vez de considerarem o empreendedorismo como uma alternativa para criar e gerar o seu próprio trabalho. No entanto, ela observa uma mudança gradual nessa realidade: “Já vemos a criação de empresas por meio de start-ups que buscam soluções para os problemas do país, gerando simultaneamente autoemprego”.

A incubadora de negócios da UEM, inaugurada com o apoio da AICS, é um primeiro passo importante nesse processo. Ela oferece o apoio necessário para que os jovens desenvolvam suas ideias e iniciativas, funcionando como um espaço seguro onde as start-ups podem crescer e testar suas soluções.

 

[1] Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, a taxa de desemprego juvenil, especialmente para os jovens entre os 15-24 anos, ronda os 40%.

[2] O projeto Coding Girls com um financiamento de 1,4 milhões de euros, promove (e em parte apoia) escolhas de estudos superiores e cursos em disciplinas técnico-científicas (em particular Informática) para raparigas do ensino secundário. A iniciativa introduz as participantes à programação digital, após um aperfeiçoamento das bases (pacote MS Office), com cursos ministrados nas delegações do Instituto Nacional de Governo Eletrónico (INAGE) em 9 províncias, com a duração de cerca de 2 meses.

[3] O projeto CT4DEV – Formação de estudantes, professores e investigadores na área de Tecnologias, tem um financiamento de 1,2 milhões de euros.  Em parceria com o Centro Informático da UEM (CIUEM) e o DEIB do Politécnico de Milão, estão a ser implementadas atividades de formação no âmbito das TIC, dirigidas a estudantes, investigadores e docentes da área STEM. O objetivo geral da iniciativa é contribuir para o aumento da investigação científica, das capacidades tecnológicas do setor industrial e para o incentivo às inovações.

[4] Fintech (financial technology) é uma abordagem tecnológica utilizada para entregar serviços financeiros de maneira digital. O termo Fintech é utilizado tanto para identificar empresas startups do ramo financeiro como para os produtos digitais que elas oferecem, como aplicativos, softwares e outras tecnologias.

Distribuição de sementes no distrito de Tambara como resposta à insegurança alimentar

 

No dia 13 de janeiro de 2025, nas localidades de Nhacalapo e Miteme, no distrito de Tambara (província de Manica), a AICS-Maputo realizou a distribuição de kits de sementes de milho e feijão (totalizando uma tonelada) que beneficiaram 67 pequenos produtores, dos quais mais da metade eram mulheres. Esta atividade foi parte da resposta à insegurança alimentar provocada pelo fenômeno El Niño, elaborada pela AICS em colaboração com o Governo da Província de Manica e o Distrito de Tambara.

A província de Manica enfrenta os efeitos do El Niño, que causaram uma grave seca, afetando cerca de 1,8 milhões de pessoas. O mês de fevereiro de 2024 foi o mais seco dos últimos 100 anos (fonte OCHA 2024). Os números confirmam este cenário alarmante, com 166.126 pessoas enfrentando insegurança alimentar aguda e cerca de 49.384 em situação de emergência na província de Manica. Isso resulta em 39,1% das crianças com menos de cinco anos sofrendo de desnutrição crônica.

Diante desse cenário alarmante, a AICS uniu esforços com o Governo de Moçambique para combater a fome e aumentar a produção agrícola na província de Manica, tanto por meio da entrega de sementes realizada hoje quanto por meio de projetos que visam melhorar a segurança alimentar na região. Além disso, a pedido do Secretário de Estado da Província, a AICS já havia entregado 1.100 kg de sementes de feijão em maio do ano passado.

A entrega no distrito de Tambara faz parte da iniciativa “Mais resiliência, mais comunidades: reforço da resiliência das comunidades mais expostas a desastres ambientais em Manica e Tete”, implementada por um consórcio liderado pela WeWorld GVC, com a colaboração do CUAMM e AIFO, em parceria com a ONG local SEPPA.

O projeto teve início em 1º de outubro de 2024 e tem como objetivo aumentar a resiliência das comunidades mais vulneráveis nas áreas mais afetadas por eventos climáticos extremos, com um enfoque de género e inclusivo, alinhado com o vínculo entre saúde e clima. O projeto abrange os distritos de Tsangano e Doa, na província de Tete, e Guru e Tambara, na província de Manica, com foco na restauração dos serviços essenciais de saúde, agricultura e infraestrutura, além de fortalecer os governos locais na gestão antecipada de desastres e na preparação para emergências, como o caso do fenômeno El Niño.

 

Eneida, a jovem eletricista que quer transformar a sua pacata vila com iluminação inteligente

Impulsionada com o gosto pela eletricidade, Eneida Piedade Domingos, 24 anos, ganhou inspiração para transformar com iluminação inteligente sua pacata vila no interior do distrito de Guro, após beneficiar-se do curso de eletricidade instaladora, promovida no âmbito da implementação do programa DELPAZ.

Filha de um ex-guerrilheiro da Renamo, diz que o conflito armado no seu distrito atrasou o desenvolvimento, mas também a forma de iluminação, que está desalinhada com a harmonia da luz, quando comparado com cidades evoluídas do país e do mundo.

“Essa foi a oportunidade que encontrei para me formar”, ela afirma, ressaltando que isto lhe permitiu ganhar conhecimento para tornar realidade seu sonho de ver a sua vila utilizando tecnologias na iluminação de casas e ruas. Ela destaca que, embora essa técnica já esteja sendo aplicada em outros lugares do mundo, ainda é pouco utilizada no seu distrito.

“O exemplo do uso de fotocélula nas casas, permite que o interruptor acione num determinado horário e o lugar seja iluminado sem precisar da presença humana”, além do uso de lâmpadas inteligentes controladas por aplicativos para poupar o consumo de energia nas casas, explica entusiasmada.

Enfatizou que “a formação me ajudou a ter ideias para fazer mudanças no meu distrito, como passar a usar coisas que muitas pessoas estão a usar no momento”, em cidades evoluídas.

Eneida finalizou o nível médio sem ter tido oportunidade de formação profissional, sobretudo, no ramo de eletricidade, sua paixão desde a infância e olha para a oportunidade como uma janela de mudança também para sua vida social.

“Eu sou mulher e consegui fazer o curso de eletricidade e então estou a encorajar outras mulheres para também seguirem este tipo de formação e conseguir ter emprego”, para ganhar independência económica e “não só esperar homens trabalhar”.

Insiste que a mulher deve ser ajudadora no lar e ser capaz por si só de sustentar a casa e “não apenas esperar no homem, esperar dinheiro de alguém, então ter formação é importante para conseguir sustentar a sua família”, anota, agradecendo o esforço do DELPAZ de poder dar oportunidade de formação aos jovens.

“Estou muito feliz agora, por o programa DELPAZ nos dar essa oportunidade de estudar, estou mesmo muito agradecida, pois apesar de que não foram todos os jovens formados no meu distrito formado, eu alcançarei outros jovens para ensinar e juntos conduzir a transformação para o distrito”, afirma Eneida Piedade Domingos.

Um total de 100 jovens já se beneficiaram de formação profissional nas áreas de carpintaria, serralharia, construção civil, mecânica e corte e costura nos cinco distritos de implementação do DELPAZ na província de Manica.

O programa DELPAZ dá especial atenção à criação de oportunidades para jovens, mulheres, bem como ex-combatentes e suas famílias.

Em todos os 5 distritos da província de Manica, milhares de pessoas já se beneficiaram do DELPAZ, que está a implementar projetos nas áreas de agricultura, infraestruturas e empreendedorismo, para assegurar a reintegração económica e social de todos os ex-combatentes, suas famílias e comunidades rurais atingidas pelo conflito para alcançar uma paz duradoura em Moçambique.

O programa do governo moçambicano e financiado pela União Europeia, e juntamente com UNCDF é implementado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) nas províncias de Manica e Tete, enquanto a Agência de Desenvolvimento Austríaca (ADA) em Sofala.

 

 

 

Marcos Augusto: a transformação pessoal e a criação de oportunidades para jovens na sua comunidade

Marcos Augusto, com uma trajetória semelhante à de muitos jovens da sua aldeia, em Mudima, no interior noroeste de Gondola, na província de Manica, concluiu a 10ª classe de escolaridade e ficou longos anos à espera de uma oportunidade de emprego no setor público.

Faltava-lhe apenas um ano de “esperança” para o sonhado emprego no Estado – já que a idade limite de admissão é de 35 anos – quando, no início do ano, se candidatou a uma vaga de formação na área de carpintaria, numa iniciativa do DELPAZ, um programa do governo de Moçambique implementado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), que dá especial atenção à criação de oportunidades para jovens, mulheres, ex-combatentes e suas famílias.

“Candidatei-me e fui apurado nas duas fases que antecederam a formação, e, juntamente com outros formandos, fomos levados para uma capacitação que iniciou a 15 de maio de 2024, tendo eu escolhido a área de carpintaria”, explicou Marcos Augusto, que está agora a cumprir um estágio de um mês.

Realçou que a formação na área de carpintaria foi um impulso necessário para protagonizar a sua própria trajetória. Desde então, começou a escrever a sua própria história – diz Marcos Augusto – ao abraçar com dedicação a oportunidade de formação na área de carpintaria, uma arte com a qual pretende criar o seu autoemprego e ajudar a sua comunidade remota.

Da minha localidade até à vila sede de Gondola são 18 quilómetros, e para alguém viajar para fazer caixão para enterros, ou para mandar fazer janelas, portas e outros artigos, tornava-se oneroso. Daí que pensei em ser um carpinteiro da minha localidade”, argumentou.

O aprendizado na área, afirmou, foi essencial para pensar na construção de uma carreira de sucesso, que estará focada em ajudar a tirar do desemprego muitos jovens da sua aldeia, que se refugiam na criminalidade e no consumo de drogas.

“Há jovens que não estão a trabalhar, então, se eu apostar em autoemprego, com o kit a ser dado na formação e um pouco de valor, vou levar alguns jovens e empregar na minha carpintaria. Assim, esses jovens já não vão roubar nem terão vícios. Vão trabalhar na minha empresa, que pretendo que cresça”, defendeu.

A formação também proporcionou-lhe uma evolução que normalmente demoraria anos a alcançar, diz ele, observando que “já tinha uma inclinação para a carpintaria”, com base na convivência que tinha com o seu tio, que é carpinteiro.

“Gostaria que o projeto me desse material manual e eletrónico, porque o material elétrico é que faz mobília de forma mais rápida que o manual, o que ajudaria muito a atingir o meu objetivo de empregar muitos jovens da minha localidade que não estão a trabalhar”, adiantou.

Com a evolução de habilidades e confiança, Marcos Augusto agradece a oportunidade dada pelo DELPAZ e almeja que o programa alcance mais jovens das províncias atingidas pelo conflito armado.

Um total de 100 jovens já se beneficiaram de formação profissional nas áreas de carpintaria, serralharia, construção civil, mecânica e corte e costura nos cinco distritos de implementação do DELPAZ na província de Manica.

Celebração do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

A Agência Italiana para a Cooperação ao Desenvolvimento (AICS), em colaboração com o Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência (FAMOD) e outros parceiros, celebrou hoje, em Maputo, o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. O evento decorreu sob o tema “Para a implementação da Lei sobre a Deficiência em Moçambique”, sublinhando a importância de transformar os princípios legislativos em ações concretas em benefício das pessoas com deficiência.

Este ano, a celebração em Moçambique assume um significado particularmente profundo graças à recente aprovação da Lei para a Promoção e Proteção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, a primeira legislação específica adotada pelo Parlamento Moçambicano, no dia 3 de abril de 2024.

O evento contou com a presença de figuras institucionais e representantes da sociedade civil, entre os quais o Presidente do FAMOD, Cantol Podja, o Embaixador dos Estados Unidos em Moçambique, Peter Vrooman, e a Vice-Diretora da AICS de Maputo, Maria Cristina Pescante. Estiveram também presentes representantes de ONG italianas como a ACAP, AIFO e CUAMM, bem como outros atores da sociedade civil empenhados na promoção da inclusão das pessoas com deficiência.

A celebração teve lugar no Parque dos Continuadores e iniciou-se com uma corrida simbólica, representando o espírito de inclusão e a promoção dos direitos das pessoas com deficiência. No parque, foram montados vários stands dedicados a projetos financiados pela AICS, como o INCLU.DE e o Programa para as Doenças Não Transmissíveis, ambos direcionados para o reforço da inclusão e dos direitos das pessoas com deficiência, com um enfoque especial no setor da saúde.

O Presidente do FAMOD, Cantol Podja, destacou que “a aprovação da primeira lei sobre os direitos das pessoas com deficiência representa uma oportunidade crucial para a sociedade refletir e renovar os esforços para eliminar desigualdades e violações de direitos humanos. Contudo, todos nós aqui presentes estamos cientes de que este é apenas um ponto de partida: a aprovação da lei marca o fim de uma fase e o início de outra ainda mais desafiante, a da sua efetiva implementação.”

A Vice-Diretora da AICS, Maria Cristina Pescante, reforçou o compromisso da cooperação italiana, afirmando: “A promoção dos direitos das pessoas com deficiência é uma prioridade histórica para a cooperação italiana.” Acrescentou ainda que a AICS colabora ativamente com instituições locais e organizações da sociedade civil italiana “em iniciativas direcionadas para a inclusão e o empoderamento das pessoas com deficiência, com um foco especial nos setores da saúde, do emprego e dos direitos humanos.”

A celebração reafirma o compromisso da AICS e dos seus parceiros em continuar os esforços para garantir o pleno respeito e a implementação dos direitos das pessoas com deficiência. Este compromisso ganha particular relevância face ao importante marco alcançado por Moçambique em 2024, com a aprovação da sua primeira lei dedicada aos direitos das pessoas com deficiência.

 

Cerimónia de graduação em Dôa forma novos profissionais em Electricidade e Construção

No dia 15 de outubro, a cidade de Dôa, localizada na Província de Tete, foi palco de uma cerimónia de graduação que celebrou a conclusão de 43 jovens bolseiros em cursos de Electricidade Instaladora e Pedreiros. Esses jovens, oriundos de diversas comunidades atendidas pelo programa DELPAZ, marcaram o início de uma nova fase profissional e pessoal, graças às competências adquiridas nas formações.

A cerimónia foi um momento de grande emoção, simbolizando o esforço e a dedicação dos formandos ao longo do processo de aprendizagem. Durante o evento, foram entregues kits de auto-emprego, compostos por ferramentas essenciais para que os graduados possam iniciar suas actividades profissionais com maior independência e segurança. Os kits incluem instrumentos para as áreas de electricidade e construção, dando aos formandos a base necessária para dar os primeiros passos nas suas actividades e aproveitar as oportunidades que surgirem.

A iniciativa tem como objetivo não apenas capacitar os jovens, mas também promover a autonomia financeira e o desenvolvimento comunitário nas áreas onde o programa DELPAZ actua. Através dessas formações, o programa contribui para a inclusão de jovens no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que fomenta o crescimento económico local.

Com a conclusão dos cursos e a entrega dos kits de trabalho, esses jovens estão agora mais preparados para enfrentar os desafios do mercado e contribuir com suas habilidades para o desenvolvimento das suas comunidades.

A cerimónia em Dôa representa um passo importante para a realização dos objectivos do programa DELPAZ, que busca, por meio da educação e capacitação, oferecer novas oportunidades de emprego e desenvolvimento pessoal a jovens de diversas localidades da Província de Tete.