AICS e Embaixada de Itália: aliadas para o progresso na Província de Manica

De 19 a 21 de março, teve lugar na Província de Manica uma missão da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) – Sede Regional de Maputo, em colaboração com a Embaixada de Itália em Moçambique. Participaram nesta missão o Vice-Embaixador de Itália, Eugeniu Rotaru, o Director da Sede Regional do AICS Maputo, Paolo Enrico Sertoli, e o Chefe do Gabinete do Programa da AICS Chimoio, Giovanni Barbagli.

No dia 19 de março, a delegação foi recebida pelo Presidente do Conselho Municipal de Chimoio, onde foram discutidos vários temas, entre os quais a adesão da cidade ao Pacto de Milão sobre Política Alimentar Urbana (MUFFP), conseguida com o apoio do AICS, juntando-se assim às 270 cidades comprometidas com o desenvolvimento de sistemas alimentares urbanos sustentáveis. Foram ainda abordados outros assuntos, como o Plano Mattei, recentemente aprovado, e a exibição, em Chimoio, do documentário Barrigas, realizado na Província de Manica, no âmbito de um projeto de emergência financiado pelo AICS.

Ainda no dia 19 de março, a delegação participou também no Comité Diretivo do Projeto de Desenvolvimento Agrícola Integrado no Corredor da Beira (Pro-DAI), financiado pelo AICS e implementado pela FAO, com o objetivo de desenvolver cadeias de valor inclusivas, dinâmicas, competitivas e sustentáveis para os pequenos produtores.

No dia 20 de março, o projeto ‘Mulheres no Sustenta’ foi oficialmente lançado em Guro, com a presença do Secretário de Estado na Província de Manica, Fernando Bemane de Sousa, e da Administradora do Distrito, Angelina Maria Luis Nguiraz, do Presidente do Município, entre outros. Este projeto visa valorizar o papel socioeconómico das mulheres rurais dos Distritos de Guro, Tambara, Báruè e Macossa, nas áreas de comercialização, inovação e produção de produtos agro-alimentares, mas também desenvolver o turismo rural, com enfoque na inclusão de jovens e pessoas com deficiência.

No seu discurso inaugural, Paolo Enrico Sertoli sublinhou que “esta Iniciativa estará intimamente ligada a uma série de projectos e iniciativas que estamos a implementar e a financiar em Manica, uma província prioritária para nós”.

Em seguida, a delegação teve a oportunidade de visitar uma destas iniciativas, o Ponto Verde no distrito de Guro, gerido pela Associação “Wichandisa Uone”, que significa “trabalhar para viver” na língua Xona. Este Ponto Verde foi implementado no âmbito do Programa DELPAZ (Cooperação Delegada da UE).

O Vice-Embaixador e o Diretor da Agência tiveram a oportunidade de falar com os membros da Associação, observar as suas culturas, incluindo milho, feijão, amendoim e papiro, e verificar o estado atual da construção de um poço destinado a mitigar os efeitos da seca que afecta uma grande parte da província e devido ao fenómeno El Niño.

No final da missão, o Vice-Embaixador sublinhou que tinha sido uma missão muito interessante e instrutiva, que tinha “evidenciado a importância do sector agrícola para a Itália, também à luz do lançamento do Plano Mattei, que dedica um dos seus cinco pilares à agricultura”. Concluiu que “os três projectos da Cooperação Italiana na Província de Manica, objeto da minha missão, mostraram porque é que a Província é uma das áreas prioritárias da nossa intervenção em Moçambique: as necessidades da população são grandes, mas as oportunidades de desenvolvimento do território são também enormes, graças à diligência da população local e ao empenho das autoridades públicas a todos os níveis”.

 

 

 

 

Água: Instrumento de Paz

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Água, uma data crucial que nos recorda a importância desse recurso vital para a sobrevivência humana e o equilíbrio dos ecossistemas. Este ano, o tema “Água para a Paz” destaca a capacidade da água de promover a paz e a cooperação entre comunidades e países.

Em Moçambique, a palavra “água” começa com “m”. Mati, massi, mazhi, matchi, mave, madzi, maze, madi, madji – todas essas variações ressoam com a raiz “m” e estão intimamente ligadas à fertilidade, à vida e à feminilidade. A água, assim como a mulher grávida, adapta-se às circunstâncias, supera obstáculos e dá à luz vida. É uma metáfora poderosa que reflete a natureza transformadora e vital da água.

No entanto, quando a água é escassa ou poluída, quando as pessoas têm acesso desigual ou nenhum acesso, as tensões podem surgir entre comunidades e países. As mudanças climáticas estão a exacerbar esses desafios, tornando ainda mais urgente a união em torno da protecção e conservação desse recurso precioso.

Em resposta a crises como a epidemia de cólera em Moçambique, trabalhando com as instituições moçambicanas, organizações internacionais, como o Central Emergency Response Fund (CERF), têm desempenhado um papel crucial, fornecendo financiamento para garantir acesso à água potável e serviços de saneamento básico para centenas de milhares de pessoas. A água contaminada representa o principal meio de transmissão da cólera, sendo assim garantir o acesso à água potável, é uma forma eficaz de travar a epidemia. A cooperação internacional, incluindo o investimento da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) no CERF, demonstra o poder da solidariedade e da cooperação global.

Além disso, iniciativas como o workshop sobre monitoramento e qualidade da água que teve lugar de 28 a 29 de Novembro 2023, organizado pelo centro de biotecnologia da Universidade “Eduardo Mondlane” (UEM) com o apoio da AICS, destacam o compromisso contínuo com a gestão sustentável dos recursos hídricos: foram ressaltados os desafios enfrentados por Moçambique, especialmente após eventos climáticos extremos como os ciclones, e a importância da cooperação internacional e do intercâmbio de conhecimentos para enfrentar esses desafios.

Em Cabo Delgado, a AICS junto com as Nações Unidas – nomeadamente com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) – têm apoiado as instituições moçambicanas a fornecer acesso à água potável e serviços básicos essenciais para crianças e famílias deslocadas em campos de acolhimento devido aos ataques violentos que continuam a ocorrer na região. Por exemplo nas localidades de Palma Sede, Quitunda e Mute, foram construídos 15 furos, e reabilitados outros 15. Foram realizadas 57 sessões de sensibilização, centradas na promoção de práticas de higiene positivas, incluindo a importância de lavar as mãos com água, como meio de prevenção de doenças. Estas sessões de sensibilização atingiram mais de 22.000 pessoas. Essas intervenções não apenas garantem o acesso à água limpa, mas também promovem a educação em higiene e saúde nas pessoas deslocadas pelo conflito em Cabo Delgado, demonstrando como a água está intrinsecamente ligada ao bem-estar humano, e ao desenvolvimento sustentável.

A AICS está activamente envolvida na construção de sistemas hídricos e na perfuração de poços nas áreas mais afectadas pela guerra civil através do DELPAZ. O DELPAZ, o programa do governo moçambicano e financiado pela União Europeia, com o suporte do Fundo Das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital (UNCDF), é implementado nas Províncias de Manica e Tete pela AICS, enquanto a Agência Austríaca para o Desenvolvimento (ADA) actua na Província de Sofala. Esses esforços não apenas melhoram o acesso à água potável, mas também desempenham um papel crucial na restauração da confiança e da estabilidade nas comunidades devastadas pelo conflito. O Programa DELPAZ é um exemplo tangível de como a cooperação internacional pode transformar positivamente a vida das pessoas, promovendo a paz e a reconstrução pós-conflito através do acesso a recursos fundamentais como a água.

À medida que nos aproximamos do 10º Fórum Mundial da Água em Bali, Indonésia (18 a 25 de maio), é fundamental mantermos o intercâmbio de melhores práticas e colaboração global para abordar os desafios relacionados à água. A presença da Sede Regional da AICS em Maputo no fórum ressalta o compromisso contínuo da comunidade internacional em promover a gestão sustentável da água e alcançar objectivos de desenvolvimento comuns.

Smartphone e galinhas

O senhor Artur Mainato Randim já não quer ouvir falar de guerra. O tempo ajudou a esquecer os dias terríveis e agora só quer pensar na sua machamba e olhar para o futuro. É um dos DDR, as pessoas que entraram no programa de desarmamento, desmobilização e reintegração, resultado do acordo de paz de Maputo assinado em 2019.

O senhor Artur vive na comunidade de Missoche, no distrito de Dôa, na província de Tete.

Antigamente produzia milho, amendoim, feijão manteiga e nehmba, bananeiras e cana-deaçucar. Mas o seu sonho era cultivar tomate e repolho.

Com a chegada do DELPAZ –  o programa do Governo de Moçambique financiado pela União Europeia –  no distrito de Dôa, o seu sonho materializou-se.

Através da Fundação SEPPA – membro do consórcio que trabalha com a Agência Italiana de Cooperação no desenvolvimento (AICS) – recebeu sementes de repolho, tomate e feijão. Além disso, recebeu formação para produzir essas hortícolas, na sua machamba de 9800 metros quadrados.

A colheita foi generosa e com a venda das hortícolas o senhor Artur conseguiu comprar também um smartphone e cinco galinhas.

Agora mão à obra. Ele tenciona aumentar a área de produção para dois hectares e cultivar repolho, couve, cenoura e cebola, na segunda época do ano a decorrer.

“Espero mesmo que o DELPAZ perdure aqui porque muitos benefícios trouxe à nossa comunidade”, diz convicto o senhor Artur cujo sonho agora é se tornar um agricoltur modelo e até ser de exemplo para toda a comunidade.

Para além dos desafios: a história de Berta Arlindo, empreendedora corajosa em Moçambique rural

Num distrito remoto de Moçambique, na província de Manica, Berta Arlindo, de 24 anos, destaca-se como uma verdadeira empreendedora, desafiando as adversidades locais para construir o próprio destino. Residente em Macossa, formada em contabilidade e auditoria pela Universidade de Chimoio, Berta decidiu enfrentar a situação do desemprego de frente e iniciou um negócio de criação e venda de frangos no ano passado.

Para Berta, o desemprego foi o catalisador que a impulsionou a encontrar soluções para enfrentar as despesas. Apesar dos esforços para procurar emprego após os estudos, não teve sucesso. Mesmo com o marido empregado, o desejo de ser autossuficiente e independente a motivou a empreender.

Ser uma empreendedora em Macossa não é uma tarefa fácil. O sucesso de seu negócio de frangos depende fortemente dos picos de mercado, como durante o Natal e o Ano Novo, quando a demanda aumenta. No entanto, enfrenta meses mais lentos, tornando difícil a venda de seus produtos. Berta enfrenta desafios adicionais devido à falta de acesso a produtos relacionados à avicultura e medicamentos para tratar doenças de frangos, já que em Macossa não há nenhuma loja especializada.

A falta de acesso a esses recursos a obriga a viajar por cinco horas até Chimoio sempre que se depara com problemas de saúde em seus frangos. Apesar desses obstáculos, Berta permanece optimista, reconhecendo as contingências do país, mas sorrindo diante das dificuldades.

Berta decidiu iniciar o negócio de frangos por duas razões principais. Em primeiro lugar, notou a ausência de concorrência directa na criação de frangos em Macossa, oferecendo uma oportunidade única de negócio. Em segundo lugar, reconheceu o valor nutricional importante do frango, especialmente numa região onde o acesso a fontes de proteína animal pode ser limitado.

A empreendedora destaca o papel significativo do programa DELPAZ na comunidade, mencionando a distribuição de sementes para a prática da agricultura. Além disso, Berta espera tirar proveito das formações previstas pelo programa em microcrédito ou marketing, visando atrair novos clientes e melhorar a estrutura do seu negócio.

Berta Arlindo reconhece os desafios adicionais que as mulheres empreendedoras enfrentam em Macossa devido à falta de oportunidades, mas a sua resiliência e determinação são fontes de inspiração. A sua história destaca não apenas as dificuldades enfrentadas, mas também a importância de programas como DELPAZ em capacitar e apoiar as comunidades locais em busca da autossuficiência económica.

AICS e Moçambique: Extensão a nível distrital da rede digital do Governo – GovNet (GovNet Plus).

Hoje foi celebrada a cerimônia de encerramento do projeto GOVNET Plus, financiado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS). O objetivo específico deste projeto era expandir a conectividade a nível distrital, através de conexões sem fio com antenas, além de formar funcionários públicos das Administrações distritais sobre o uso das TIC no local de trabalho (Aplicações de escritório, correio eletrônico, internet, elementos de segurança cibernética ética em informática).

O evento contou com a presença do Embaixador da Itália em Moçambique, Gianni Bardini, do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Daniel Daniel Nivagara, do Diretor da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS – Sede Maputo), Paolo Enrico Sertoli, e do Diretor do INAGE -Instituto Nacional de Governo Electrónico, Ermínio Jasse, entre outros.

Durante la cerimonia, l’INAGE ha presentato alcuni risultati concreti del progetto GOVNET Plus, tra cui i 1.352 dipendenti dell’amministrazione statale che hanno ricevuto formazione in TIC e il fatto che 88 istituzioni sono state connesse alla rete GOVNET in 32 distretti. Questi risultati dimostrano l’impatto positivo del progetto sul miglioramento dell’infrastruttura tecnologica e sulla formazione dei funzionari pubblici in Mozambico.

O Embaixador italiano em Moçambique destacou o longo apoio da Itália à digitalização de Moçambique, mencionando, por exemplo, a participação de Moçambique na Conferência Internacional sobre Governo Eletrônico para o Desenvolvimento, realizada em Palermo em 2002, da qual surgiu a ideia de criar uma rede digital de governo para o país. Ele também destacou a primeira iniciativa financiada pela Itália em 2004, que levou à criação da rede eletrônica de governo (GOVNET), permitindo uma comunicação mais eficiente entre as várias instituições. Por fim, ele mencionou os projetos financiados pela AICS, como Coding Girls e DIGIT, enfatizando o contínuo apoio da Itália à “digitalização, uma necessidade fundamental para não deixar ninguém para trás“.

Por sua vez, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior expressou gratidão pelo apoio da Itália, destacando a importância do GOVNET “na coleta de dados das administrações públicas em todo o país”. Ressaltou ainda que a plataforma está “ presente em 963 instituicoes públicas do país, abrangendo 141 distritos”.

O evento concluiu-se com uma cerimônia simbólica de entrega de equipamentos informáticos, como computadores e equipamentos de comunicação, por parte da Itália. Estes recursos visam melhorar o acesso à informação e tecnologia nas áreas remotas de Moçambique, especialmente nos distritos mais distantes.

 

Revolucionando o abastecimento de água: a comunidade de Malimanao celebra a recuperação da bomba d’água

No coração da comunidade de Malimanao, no posto administrativo de Nhamagua, uma festa extraordinária foi celebrada ontem, marcada pela entrega oficial da bomba d’água recuperada, nas mãos de António Dinis, administrador do distrito de Macossa, na província de Manica. O evento representou um passo significativo para garantir um acesso sustentável à água potável para todos os membros da comunidade.

António Dinis expressou profunda gratidão ao Programa DELPAZ, que apoiou ativamente o processo de reabilitação das bombas d’água. “Estamos muito agradecidos ao Programa DELPAZ, que nos proporcionou um valioso apoio na reabilitação de nossas bombas. Isso contribuirá imensamente para o bem-estar de nossas comunidades”, afirmou o administrador. Ele também enfatizou a importância de a comunidade assumir agora a responsabilidade pela manutenção e uso sábio desse recurso vital.

A cerimônia viu a entrega de uma bomba do tipo Afridev, uma das sete recentemente recuperadas pelo Programa DELPAZ. Rosita Panazache, representante da comunidade de Malimanao, compartilhou sua alegria ao ver finalmente a água facilmente acessível. “Agora podemos economizar tempo, já que não será mais necessário percorrer longas distâncias para buscar água nos poços tradicionais”, declarou.

Pedro Paunde, porta-voz da comunidade, destacou a importância da bomba não apenas em facilitar o acesso à água, mas também na prevenção de doenças. “A água não apenas nos nutre, mas nos protege contra doenças. Faço um apelo a todas as comunidades para que possam desfrutar do privilégio de ter sua própria bomba d’água”, afirmou.

O evento foi ainda mais especial com a presença de Carlos Mairoce, representante da componente italiana do Programa DELPAZ, e de Paolo Gomiero, representante da ONG Helpcode. Sofrimento João Francisco, diretor do Serviço Distrital de Planejamento e Infraestruturas (SDPI), enfatizou o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a importância das infraestruturas para o progresso da comunidade.

Esta celebração não apenas marca um avanço na oferta de água segura e acessível, mas também representa um exemplo tangível de como a colaboração entre organizações e comunidades pode trazer mudanças significativas para o bem de todos. Uma prova de esperança e progresso para as pessoas da comunidade de Malimanao e uma inspiração para muitas outras comunidades perseguirem uma vida melhor através do acesso à água potável.

COREBIOM: Um novo capítulo para o Museu de História Natural de Maputo graças ao Programa RINO

O projecto COREBIOM, apoiado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) e inserido no Programa RINO, atingiu recentemente um marco importante com a assinatura do contrato para a reabilitação do Museu de História Natural de Maputo. O contrato assinado com a empresa Construarte marca um capítulo significativo na história desta instituição, fundamental para a investigação, conservação de colecções e promoção de exposições científicas e culturais.

O Museu, parte integrante da Universidade ‘Eduardo Mondlane’, foi sempre um pilar no panorama da investigação científica e da conservação do património cultural. A sua requalificação não só reforçará a sua posição de referência no meio académico e científico, como também contribuirá para a criação deuma infraestrutura moderna e de vanguarda para uso da comunidade local e internacional.

O Museu de História Natural de Maputo, com o seu rico património de colecções naturalistas e antropológicas, está destinado a tornar-se um pólo de atração para estudantes, investigadores e amantes da cultura e da ciência. A remodelação visa não só melhorar a acessibilidade e a facilidade de utilização das colecções, mas também dotar o museu de instalações modernas para a realização de exposições inovadoras e interessantes.

Hoje é um dia histórico para o Museu de História Natural de Maputo e para todo o projeto COREBIOM. O início dos trabalhos marca uma nova fase de crescimento e desenvolvimento desta instituição, prometendo consolidar o seu papel no panorama científico e cultural não só a nível local mas também internacional.

Semeando a Paz em Guro

“Vê aquelas montanhas lá? Foram o meu refúgio durante o conflito. Até dormíamos com as serpentes…”, conta Manhanha Naissone, enquanto vai capinando na sua machamba no distrito de Guro.

Manhanha, membro da Associação “Zwichandisa Uone”, que significa “trabalho para viver” em shona, compartilha sua jornada de superação. A guerra pode estar distante, mas suas memórias ainda ecoam quando seu olhar se volta para as montanhas. “Quantas vezes tivemos que fugir até lá para escaparmos aos tiros, à morte…”.

Com a assinatura do Acordo de Cessação Definitiva das Hostilidades Militares, em 1 de agosto de 2019, na Gorongosa, Manhanha pôde voltar para casa e começar a cultivar na sua machamba. “Com o Acordo, as ideias mudaram e hoje conseguimos trabalhar juntos porque já não há mais cores, existe uma só cor que é a branca. A cor da paz!”

O Programa DELPAZ tem sido um apoio vital para a Associação Zwichandisa Uone, incluindo a criação do “Ponto Verde”, um espaço onde os agricultores recebem formação para novas técnicas agrícolas, resilientes e “smart”.

No ano passado, cada um dos seus 40 membros recebeu apoio no cultivo de milho, feijão, amendoim e mapira. Manhanha, junto com outros agricultores, aprendeu novas técnicas agrícolas com os pontos focais do DELPAZ. “Aumentamos de muito as nossas colheitas graças a essas novas técnicas”, afirma ela, “até agora podemos comercializar os nossos produtos no mercado”.

Manhanha não quer parar por aí. Além de semear horticolas na sua machamba, ela almeja que se semeiem “ideias de paz por todo o País e distritos” porque, como ela diz, “a guerra quando entra numa comunidade só traz destruição”.

Sintonizando mudanças: o impacto transformador das Rádios Comunitárias em Moçambique no Dia Mundial da Rádio

Desde a sua instalação, a Rádio Moçambique expandiu-se para todas províncias e, neste momento estima-se que tenha alcance de cerca de 95% da população a nível nacional. A liberalização do mercado de comunicação social, nos anos 90 do seculo passado, abriu espaço para o surgimento das rádios comunitárias, elevando o nível de expansão e alcance territorial.

As rádios comunitárias – do Instituto de Comunicação Social (ICS) e FORCOM – são uma importante fonte de informação nas zonas rurais de Moçambique: aproximadamente dois terços dos moçambicanos, principalmente os das comunidades rurais, recebem a sua informação através das rádios comunitárias. Através de produção de programas, as rádios comunitárias têm um papel importante na mobilização comunitária influenciando a mudança de comportamento em assunto relacionados com saúde, educação, agricultura, alertas climáticos.

Donato Maguere (32 anos) é um jovem do distrito de Macossa, na província de Manica, que desde 2021 – ano em que foi instalada a Rádio comunitária de Macossa (ICS) – juntou-se com outros fazedores de rádio e explica-nos a importância que a rádio tem para o desenvolvimento local. “Sempre gostei da rádio, sobretudo dos noticiários da Rádio Moçambique e quando tive a oportunidade de ser um membro da equipa da rádio comunitária fiquei mesmo muito contente porque acredito firmemente no papel que rádio tem para informar os ouvintes e para ajudar na manutenção da paz”.

“Macossa é uma zona muito restrita e com a entrada da rádio está-se a registar um crescimento, um avanço sobretudo no que diz respeito à mudança de comportamento”, conta Donato. “Temos na nossa grelha programas sobre a mudança climática, por exemplo, ou sobre a malária”.

“Até posso dizer que a nossa rádio teve um papel muito importante aquando da pandemia de Covid-19. Fomos nós, com as nossas mensagens, que ajudamos a população a controlar a doença, sendo que a nossa rádio chega até ao último ouvinte da comunidade mais recôndita mesmo onde não chega a rede telefónica”, diz com muito orgulho. “É através da rádio que as nossas comunidades sabem combater melhor a doença da malária, também, e sabem enfrentar de forma eficaz as crises devidas às mudanças climáticas”.

A rádio é um médium fundamental para a manutenção da paz. “Através da produção de notícias, de spot, a rádio passa diariamente a mensagem da importância da inclusão na sociedade dos DDR, os desmobilizados da guerra”, afirma Donato, “com DELPAZ – o programa do Governo de Moçambique, financiado pela União Europeia com o suporte da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento e seus parceiros como a ONG HELPCODE na nossa província, e na província de Tete -, continuamos o nosso trabalho para a inclusão de todos na sociedade e para a tranquilidades das nossas comunidades”.

“As pessoas acreditam em nós porque as nossas notícias são credíveis e não caímos na ratoeira das notícias falsas divulgadas muitas vezes através das redes sociais”, acrescenta Narcísia Kupa (34 anos), também da Rádio Comunitária de Macossa.

“Há três anos que trabalho na rádio”, comenta Narcísia. “Além de passar notícias daquilo que acontece no distrito, passamos mensagens educativas sobre a saúde, como por exemplo, a importância das redes mosquiteiras no combate contra a malária”.

Mas há também entretenimento. “Tocamos música e respondemos aos telefonemas dos ouvintes: é uma maneira para estabelecer uma ligação ainda mais forte entre nós e assim cresce a nossa credibilidade também”.

Incentivar as outras raparigas em trabalhar na rádio é uma das missões de Narcísia. “gosto muito daquilo que faço porque sinto que é relevante para as nossas comunidades, por isso convido as outras mulheres a envolver-se no trabalho da rádio”.

 

A Itália ajuda o PAM a aumentar a capacidade de resiliência dos agricultores em Moçambique

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM) congratula-se com uma contribuição de 2 milhões de euros do Governo italiano que ajudará a combater as vulnerabilidades induzidas pelas alterações climáticas e a reforçar a segurança alimentar e nutricional de 10 000 pessoas, incluindo pequenos agricultores, jovens e mulheres de organizações de agricultores seleccionadas na província de Tete, no centro de Moçambique.

A subvenção, atribuída pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), surge numa altura crítica em que a crise climática se está a intensificar, com fenómenos meteorológicos extremos como ciclones, inundações e secas a ocorrerem com maior frequência e intensidade.

“Este é um projeto muito especial porque a agricultura é um sector em que acreditamos firmemente e é um dos pilares da cooperação italiana em Moçambique”, disse o Embaixador de Itália, Gianni Bardini, durante a cerimónia de assinatura hoje em Maputo.

“Ultrapassar as adversidades das alterações climáticas significa melhorar os meios de subsistência das comunidades vulneráveis que dependem da agricultura. É, portanto, essencial consolidar práticas agrícolas inteligentes em termos de clima e melhorar a gestão pós-colheita”, diz Antonella D’Aprile, Directora e Representante do PAM em Moçambique. A agricultura é responsável por 80% do PIB de Moçambique, a maior parte do qual provém da produção de pequenos agricultores. As catástrofes induzidas pelo clima afectam, portanto, os mais vulneráveis e, à medida que a variabilidade da precipitação e as temperaturas médias aumentam, a cobertura vegetal está a diminuir.

“Este projeto faz parte dos esforços da cooperação italiana para melhorar a agricultura em Moçambique face às alterações climáticas, em particular o El Niño. O foco no Corredor da Beira é crucial para Moçambique e países vizinhos como o Malawi e o Zimbabué”, disse Paolo Enrico Sertoli, Diretor da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, Escritório Regional de Maputo. “Também se baseia nas iniciativas da Cooperação Italiana na província de Tete, como o programa DELPAZ, que contribui para a paz e o desenvolvimento socioeconómico, melhorando as capacidades dos agricultores locais.”

A assinatura da iniciativa atesta o trabalho de coordenação e importantes sinergias que, partindo do conhecimento do território e das condições socioeconómicas de alguns distritos da Província de Tete, em busca de soluções técnicas adequadas e assistência técnica especializada, encontrou na Província e no PAM os parceiros ideais para abraçar mais um desafio, o de contribuir para melhorar as condições de vida de mais de 2.000 famílias de produtores dos Distritos de Moatize e Dôa.

“Nos últimos três anos, graças ao programa DELPAZ – Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz, financiado pela União Europeia, a Cooperação Italiana e o AICS trabalharam em estreita coordenação com a Província de Tete para relançar a economia das zonas mais afectadas pelo conflito e contribuir para a reintegração social e económica dos beneficiários do processo de DDR”, disse o Diretor do AICS Maputo.

A Itália é um parceiro estratégico do PAM em Moçambique. Desde 2020, a Itália financia actividades de emergência em Cabo Delgado e as operações do Serviço Aéreo Humanitário das Nações Unidas (UNHAS), gerido pelo PAM, em apoio a todas as organizações humanitárias. A contribuição mais recente é a primeira para actividades de desenvolvimento e reforço da resiliência destinadas a reforçar as capacidades dos agricultores e a segurança alimentar.