Vacinação, triagem e estilo de vida são as armas mais eficazes para prevenir o cancro

Hoje celebramos o Dia Mundial de Combate ao Cancro, com o slogan Preencher a lacuna nos cuidados, enfatizando a necessidade de tornar os serviços de prevenção e tratamento do cancro acessíveis a todos. Mesmo em países em desenvolvimento, a morbidade e a mortalidade relacionadas ao cancro estão aumentando, como é o caso também em Moçambique, onde em 2022 foram registados 26.578 novos casos de pessoas com cancro e 19.020 mortes devido ao cancro.

Entre estes, o cancro do colo do útero é o mais frequente nas mulheres (33,4%), seguido pelo cancro da mama (12,5%) em terceiro lugar. Especificamente, a mortalidade por cancro do colo do útero é sete vezes superior à média mundial e mais do que o dobro da média dos países africanos. Esta patologia registou um aumento de 47,8% nos novos casos e 36,9% das mortes por cancro em 2022.

O cancro do colo do útero é causado pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV), transmitido principalmente através do contacto sexual, mas também por outras vias, como o canal de parto e o uso de materiais contaminados. Moçambique está a seguir as diretrizes da OMS, que visa vacinar 90% das meninas contra o vírus do papiloma até 2030.

“A vacinação das meninas de nove anos já começou, com duas doses, e estamos a expandir o grupo-alvo. Além disso, realizamos triagem nas nossas unidades de saúde para mulheres com lesões no colo do útero, fazemos diagnósticos e procedemos ao tratamento em casos confirmados de doença”, comenta a Dra. Sheila Tualufo, diretora do Programa de Combate às Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde (MISAU).

Outra medida preventiva, conhecida como prevenção secundária, é a triagem. Neste contexto, a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, através do projeto de Prevenção e Controlo de Doenças Não Transmissíveis, promoveu a triagem de mulheres em centros de saúde nas províncias de Sofala, Zambezia e Maputo. “Quanto mais cedo a doença é diagnosticada, maior são as possibilidades de tratamento”, afirma a Dra. salientando como o diagnóstico precoce reduz a morbidade e ajuda a melhorar a qualidade de vida. Além disso, um dos objetivos é identificar mulheres entre os 15 e os 55 anos com lesões pré-cancerígenas, estimadas em cerca de 92.000, para as quais um tratamento atempado pode salvar vidas.

O MISAU lançará em breve uma campanha para a eliminação do cancro do colo do útero. “Queremos lembrar todas as mulheres entre os 25 e 54 anos de idade para fazerem a triagem do cancro do colo do útero e da mama nas unidades de saúde”, afirmou a Dra. Tualufu, destacando a importância simbólica do dia de hoje. “Queremos convidar todos os pais e responsáveis pela educação a levar as meninas de nove anos aos centros de saúde para completar o ciclo de vacinação contra o vírus do papiloma”.

A nota final que a Dra. Tualufo quis deixar no encontro de hoje é sobre a importância estratégica, técnica, económica e humana da Cooperação Italiana, que desde o início contribuiu também para a luta contra as doenças não transmissíveis, “sempre ao nosso lado”.

Histórias de Moçambique sobre o desmantelamento do discurso de ódio

Dia Internacional da Educação

As guerras e as feridas infligidas pela violência armada deixaram uma marca indelével nas comunidades de Moçambique. Neste contexto difícil, Hélder e Ana, dois meninos da província de Tete, representam a força e a esperança de quem sonha com um futuro melhor. A sua história, simbolizada por um lápis, uma folha de papel e um banco de madeira, reflecte a sua determinação em ultrapassar as adversidades e construir um percurso educativo apesar dos desafios.

Fugir para o Malawi era a única opção para muitas famílias da zona, obrigadas a abandonar as suas casas devido à guerra. As escolas da zona foram encerradas, privando as crianças do seu direito à educação. “Quando assinaram o acordo de paz, pudemos finalmente regressar a casa e à escola“, disseram-nos, com um sorriso.

A assinatura do Acordo de Paz em 2019 marcou um momento crucial, permitindo que Helder e Ana regressassem a casa e à escola e retomassem a sua educação. Este acontecimento sublinha a importância crucial da resolução dos conflitos armados para garantir o direito à educação para todos, especialmente para as crianças, cujo futuro é frequentemente ameaçado pela violência.

As histórias de renascimento não são apenas individuais, mas reflectem o tecido social mais vasto. O testemunho de Rita Saimon, uma mãe do distrito de Bárué, na província de Manica, fala da esperança no futuro que a educação dos seus filhos pode trazer. “Hoje podemos cultivar sem medo, podemos dar de comer aos nossos filhos antes de eles irem para a escola todas as manhãs“, disse-nos a Sra. Rita.

A paz tornou possível cultivar sem medo, assegurando o sustento adequado antes de as crianças irem para a escola todas as manhãs. “Isto inspira-me confiança de que o futuro deles será diferente do meu, e que cuidarão de mim na minha velhice se estudarem e encontrarem um bom emprego”, comentou a Sra. Rita, que não conhece a palavra ódio nem a palavra vingança. “Tudo isto é possível porque há paz e trabalhamos como uma comunidade e é isto que ensinamos aos nossos filhos”.

Desde a assinatura do Acordo de Paz de Maputo, em 6 de agosto de 2019, para a construção da paz e reconciliação nacional, também se registaram progressos através do programa DELPAZ – financiado pela União Europeia, implementado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) nas províncias de Manica e Tete; pela Agência Austríaca de Cooperação (ADA) na província de Sofala, com a participação do UNCDF – para reforçar a construção da paz.

O programa está empenhado em apoiar as comunidades locais na construção de sociedades pacíficas e sustentáveis, permitindo-lhes desenvolver as suas próprias capacidades de resolução de problemas de uma forma calma e reflectida. Para tal, é necessário dotar as comunidades de conhecimentos adequados e, acima de tudo, garantir que as crianças cresçam em ambientes seguros e recebam uma educação adequada.

Com o estabelecimento da paz, os direitos humanos podem ser exercidos de forma mais efectiva, incluindo o direito à educação.

Neste dia dedicado à educação e à luta contra o discurso de ódio, o testemunho do Helder, da Ana e da Rita recorda-nos que a educação é uma força transformadora, capaz de iluminar o caminho para um futuro melhor, livre de ódio e de conflitos, e é um apelo à construção de um futuro baseado na compreensão, na tolerância e na consciência da diversidade. Só através da educação podemos ter esperança de quebrar o ciclo da pobreza e ajudar a construir uma sociedade pacífica e próspera.

 

Lançamento do projeto” Fortalecimento do sistema de institutos de formação do pessoal de saúde e apoio ao desenvolvimento da telemedicina”

Hoje, no Ministério da Saúde do Moçambique (MISAU), realizou-se a cerimónia de lançamento do projeto “Reforço do sistema de institutos de formação de pessoal de saúde e apoio ao desenvolvimento da telemedicina” AID – 12524, financiado pela AICS e implementado pela Università degli Studi di Sassari (UNISS), em colaboração com um consórcio de três ONGs italianas: AISPO, Medici con l’Africa (CUAMM), ACAP – S. Egidio. Este evento contou com a presença, entre outros, do Embaixador de Itália em Moçambique, Gianni Bardini, do Vice-Ministro da Saúde, Ilesh Vinondrai Jani, do Diretor da Sede AICS Maputo, Paolo Enrico Sertoli, e do Diretor Nacional da Formação Profissional em Saúde, Sualehe Rafael.

Após a abertura do evento, a UNISS fez uma apresentação do projeto na qual foi explicada a Lógica de Intervenção, com referência ao objetivo principal de garantir a qualidade e a disponibilidade de pessoal de saúde qualificado nas províncias de Sofala e Maputo. O projeto visa melhorar a competência dos docentes e a qualidade da formação nos Institutos de Ciências da Saúde (ICS) em Beira, Maputo, Nhamatanda e Infulene.

Além disso, o projeto pretende promover a telemedicina no país, adotando uma abordagem inovadora que permitirá às estruturas de saúde locais gerir o serviço de forma autónoma. O programa de telemedicina, oferecendo consultas de diagnóstico e terapêutica, será inicialmente implementado nas províncias de Sofala e Maputo.

No seu discurso, o Embaixador de Itália em Moçambique, Gianni Bardini, reafirmou o compromisso da Itália em “continuar a apoiar a formação do pessoal de saúde”. Destacou a importância da telemedicina como uma possível solução para as áreas remotas do Moçambique e realçou como a “telemedicina pode desempenhar um papel crucial no diagnóstico precoce”. Salientou também a importância da telemedicina para os “doentes com doenças crónicas que necessitam de monitorização constante”.

O Vice-Ministro da Saúde, Dr. Ilesh Vinodrai Jani, sublinhou que entre os desafios que o Moçambique enfrenta está “continuar a expandir a rede de saúde e melhorar a qualidade dos serviços oferecidos”. Para alcançar este objetivo, o país precisa de “profissionais de saúde qualificados e de adotar abordagens inovadoras”. Destacou como este projeto responde a ambos os desafios.

Por fim, agradeceu ao Governo italiano e à AICS pela parceria de longo prazo, enfatizando que “projetos como o que lançámos hoje estruturam o nosso sistema de saúde e tornam-no mais forte e resiliente”.

UEM e AICS na Agenda 2030: Reflexões da Conferência Internacional Sobre os ODS

De 11 a 12 de dezembro de 2023, realizou-se a Conferência Internacional sobre a “A contribuição da Universidade Eduardo Mondlane para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)” e que teve a participação activa da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS).  A cerimónia foi organizada no âmbito do Programa de Localização dos ODS nas Províncias de Maputo e Cabo-Delgado, implementado pelo Programa das Nações-Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e financiado pela Agência da Andaluzia de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AACID).

O evento serviu como base para verificar a implementação da Agenda 2030 em Moçambique assim como para a troca de ideias na implementação dos 17 ODS e as suas 169 metas, entre instituições académicas, governo, sociedade civil, doadores internacionais assim como agências das Nações-Unidas. Para tal o evento contou com a presença entre outros, do Embaixador do Reino de Espanha, Alberto Cerezo, do Representante do PNUD em Mocambique, Edo Stork, do Director da AICS- Sede Maputo, Paolo Enrico Sertoli, do Reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, assim como da Coordenadora para África Central e Oriental da AACID, Esther Hernández.

No discurso de abertura, o Magnífico Reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, destacou a “Agenda 2030 como um dos acordos globais mais ambiciosos da história” e reforçou o compromisso da UEM na promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Citou o recente Workshop sobre a Monitoria de Qualidade de Água em Moçambique, organizado no âmbito do projetoAID. 12089 –  BioForMoz, financiado pela AICS, como uma iniciativa concreta para alcançar o ODS número 6, “Garantir a disponibilidade e a gestão sustentável da água potável e do saneamento para todos”.

No painel sobre “Cooperação Nacional e Internacional para a Transversalização da Agenda 2030”, Paolo Enrico Sertoli, Director da Sede da AICS em Maputo, apresentou as iniciativas da Agência em colaboração com a Universidade UEM, destacando os ODS  e as metas que se pretende atingir por meio dessas iniciativas. Mencionou a recente inauguração da incubadora de negócios da UEM, resultado do projeto AID. 12227 Coding Girls, que apoia jovens empreendedoras para contribuir para o ODS 5, especialmente para a meta 5.2 de capacitar mulheres e meninas por meio das tecnologias da informação e comunicação. Foi dada grande ênfase às iniciativas que contribuem para o alcance dos ODS 14 e 15, com referência especial às metas 14.2, 15.1, 15.5 e 15.9.

Além disso, durante a intervenção da AICS, foram mencionados os quatro princípios da eficácia: Propriedade, Gestão com Base em Resultados, Parceria Inclusiva e Transparência e Responsabilidade Mútua. Em conclusão, foi enfatizado que, ao longo de 2024, a AICS realizará uma Mid Term Review (MTR) do Plano Indicativo Plurianual (PIP) 2022-2024, uma revisão útil para identificar, entre outras coisas, possíveis setores de cooperação com a UEM, servindo como base para futuros projetos conjuntos.

Nos demais painéis, enfatizou-se que o alcance dos ODS depende dos esforços coletivos de Governo, sociedade civil, indivíduos e setor privado. Nesse contexto, foi mencionado o exemplo da Nike, que utiliza atualmente 80% de energia renovável e visa atingir 100% até 2025. Ressaltou-se a importância de envolver os jovens na realização dos ODS, especialmente considerando que 75% da população em Moçambique tem menos de 35 anos. Por último, todos os participantes destacaram a urgência em acelerar a implementação da Agenda 2030, dado que restam apenas 6 anos…

 

 

Promovendo a Paz e a Igualdade de Género: Primeiro Acampamento solidário do DELPAZ

 

Foto: Mulheres das Provincias de Sofala, Tete e Manica, cantando “ Mexeu com uma, mexeu com todas”

De 20 a 21 de novembro de 2023, realizou-se o primeiro acampamento solidário do DELPAZ na Província de Manica, mais precisamente em Inhazónia, no Distrito de Bárue. A ideia dos acampamentos solidários surgiu em 2014, durante o recomeço das hostilidades entre a FRELIMO e a RENAMO[1]. Esta concepção teve origem no Grupo de Mulheres de Partilha de Ideias de Sofala (GMPIS), emergindo como uma iniciativa para dar voz às mulheres afectadas pelo conflito no centro de Moçambique. Conforme explicado pela organizadora do acampamento, Inês Chamuchifinha, “a ideia do acampamento solidário surgiu para ser um espaço onde a mulher se sinta segura para expressar e compartilhar o que está dentro de si”. Desde então, dezenas de acampamentos solidários foram organizados em todo o país.

O acampamento em Inhazónia, reuniu 250 participantes, mulheres e homens das províncias de Tete, Manica e Sofala. Seguindo os princípios dos outros acampamentos, baseados na solidariedade, inclusão e diversidade, toda a comida do acampamento foi preparada com base em princípios solidários por mulheres da comunidade, utilizando produtos locais. O evento contou com a participação de diversas pessoas, tais como líderes religiosos, membros do governo local, régulos e agricultores, todos unidos com o objetivo de alcançar a igualdade de género.

Domingas Sebastião, membro do GMPIS, destaca que as províncias de Manica, Tete e Sofala foram as mais afectadas pela guerra. Um dos principais objetivos do acampamento é proporcionar a troca de experiências, para que  “as mulheres quando saiam daqui possam transportar a paz para dentro da família, comunidade  e até para a Província”.

Nesse sentido, dentro do acampamento, destaca-se a discussão sobre a Resolução 1325 das Nações Unidas, que reconhece o significativo papel das mulheres na construção e manutenção da paz, promovendo a sua participação ativa e igualitária em processos decisórios.

Além dessa perspectiva, os participantes são organizados em grupos nos quais exploram outros três temas centrais: Conflitos Armados, Mudanças Climáticas e Direitos Humanos. Ines Chamuchifinha esclarece que, no espaço dedicado aos Direitos Humanos, as mulheres abordam temas relacionados à violência baseada no género, incluindo casamentos forçados e precoces[2], com o objetivo de que “as mulheres aprendam a dizer não e afirmem que, como mulheres, têm os seus direitos”.

No acampamento, observamos a participação de homens. Ines Chamuchifinha esclarece que, alinhado com o movimento lançado pela ONU Mulheres, ElesporElas, que busca envolver os homens na promoção da igualdade de género, é crucial ter homens no acampamento, pois assim “conhecem os direitos das mulheres e compreendem as suas dificuldades no dia a dia”. De facto, durante o evento, um grupo de homens dedicava-se à discussão sobre a masculinidade tóxica e a masculinidade positiva.

Amélia Andalusa, que veio do Distrito de Macossa, mais concretamente de Dunda, expressa seu entusiasmo ao compartilhar que esta é a segunda vez que participa num acampamento. Para ela, estes eventos representam momentos de confraternização, onde “conversamos com muitas mulheres, mães e seus filhos, tudo num clima de harmonia e paz”. Assim, para promover a participação de todas, o acampamento utiliza métodos feministas comunitários incluindo diálogos em línguas locais para promover a empatia e fortalecer a autoestima.

Amélia destaca que, agora que não vive num ambiente de guerra, pode “trabalhar na machamba, alimentar as crianças e levá-las para a escola”. No entanto, alerta para a necessidade de criar oportunidades econômicas para as mulheres, pois muitas empresas na sua província costumam “contratar apenas homens”. Expressa a esperança de que a declaração elaborada ao final do acampamento – que servirá como instrumento de advocacia – inclua a necessidade crucial de promover a contratação de mulheres. Estando assim em sintonia com o lema do acampamento: “Mulheres empoderadas pela paz, inclusão social e económico local”.

* O DELPAZ, financiado pela União Europeia em Moçambique, é um programa do governo moçambicano que atua em 14 distritos das províncias de Manica, Tete e Sofala para a consolidação da paz. Na Província de Manica, a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) apoia o desenvolvimento econômico, colaborando com as autoridades locais e um consórcio de organizações da sociedade civil italianas e locais, liderado pela Helpcode

[1] Em 21 de outubro de 2013, a RENAMO anunciou o fim do Acordo Geral de Paz de Roma, depois que forças governamentais atacaram a base da RENAMO na Gorongosa no centro do país. O conflito armado durou até o dia 5 de agosto de 2014, quando ambas as partes chegaram a um acordo de cessação das hostilidades

[2] Segundo dados da UNICEF, Moçambique tem uma das taxas mais elevadas de casamento prematuro do mundo, afectando quase uma em cada duas raparigas, e tem a segunda maior taxa na sub-região da África Oriental e Austral. Cerca de 48 por cento das mulheres em Moçambique com idades entre os 20 e os 24 anos já foram casadas ou estiveram numa união antes dos 18 anos e 14 por cento antes dos 15 anos (IDS, 2011).

Fotos: Participante do grupo que debate a resolução 1325 das Nações-Unidas e homens abordando a construção da paz

Diabetes em Moçambique: Progressos e Sustentabilidade com a Contribuição da AICS

 

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Diabetes.

Actualmente, em África, são registados 24 milhões de casos de diabetes em adultos, com estimativas a indicar que esse número chegará aos 55 milhões até 2045. No continente africano, estas estatísticas podem ser explicadas por vários factores, incluindo a falta de diagnóstico, a carência de profissionais de saúde qualificados para identificar e tratar a doença, a mudança de estilos de vida e a baixa consciencialização da população para a doença e os factores de risco.

Moçambique não escapa a esta realidade, e o Ministério da Saúde, ciente deste desafio, implementou o Plano Estratégico Multissetorial para a Prevenção e Controlo das Doenças Não Transmissíveis (DNT), com o objetivo de reduzir os principais fatores de risco, como obesidade, dieta desequilibrada e sedentarismo.

A Agência Italiana para a Cooperação no Desenvolvimento (AICS), reconhecendo a importância das DNT, colocou a luta contra esta epidemia global como uma prioridade nas iniciativas de saúde do país, destacando-se a Itália como o principal doador em Moçambique. Deste modo, foi lançado o projeto “Prevenção e Controlo das Doenças Não Transmissíveis”, com um investimento de 7 milhões de euros, concluído no final de 2022 e implementado pelo consórcio de ONGs AIFO, CUAMM e ACAP. Além disso, foi financiado um novo projeto de 5 milhões, garantindo a sua continuidade nos próximos três anos.

A Dra. Fernanda Fernando Parruque, que trabalha no projeto com a comunidade de São Egidio, e a Dra. Isabel Guilamba da Direcção Provincial de Saúde (DPS) explicam que, num passado recente, as Doenças Não Transmissíveis (DNT) eram erroneamente consideradas exclusivas dos países desenvolvidos. Para Moçambique, que ainda enfrenta desafios significativos relacionados com doenças infecciosas como o HIV, malária e tuberculose, as DNT tornam-se uma carga adicional e complexa.

Este projeto desempenhou um papel crucial, capacitando mais de 413 profissionais de saúde no diagnóstico da diabetes e expandindo os serviços de rastreio, proporcionando diagnósticos a mais de 35.237 pessoas. Garantiu também que 14 centros de saúde nas províncias de Maputo, Sofala e Zambézia, incluindo o Centro de Saúde de São Damaso, proporcionem acesso aos serviços de saúde necessários.

No Centro de Saúde de São Damaso, conhecemos a Sra. Faustina Ernesto, uma mulher resiliente que enfrenta a diabetes há mais de duas décadas. Salientou que o primeiro passo para enfrentar a doença foi “adaptar os hábitos alimentares, reduzindo o açúcar”. A médica que a acompanha destacou a importância do exercício físico, levando Faustina a adotar a prática de “caminhar, caminhar e caminhar”. É de notar que o projeto financiado pela AICS desempenhou um papel crucial, capacitando os profissionais de saúde comunitários a disseminar informações sobre a necessidade de atividade física e uma dieta saudável na prevenção do Diabetes Tipo 2.

Por outro lado, o Sr. Pedro Lourenço descobriu recentemente que tem diabetes, precisamente em 26 de outubro de 2022, confessando que “no início foi assustador, mas procurei imediatamente tratamento”. O acesso a medicamentos representa um dos principais desafios no tratamento da diabetes, razão pela qual o projeto forneceu medicamentos e equipamentos essenciais (medidor de glicose, aparelho de pressão arterial) aos 14 centros de saúde envolvidos. É de notar que, se a diabetes não for tratada adequadamente, pode levar a complicações e, nos casos mais graves, até mesmo a amputações.

A Dra. Isabel Macamo, médica e ponto focal para as Doenças Não Transmissíveis (DNT) no Centro de Saúde de São Damaso, destaca a importância de celebrar o Dia Mundial da Diabetes. Sublinha que, ao contrário do HIV, amplamente discutido até nos transportes locais conhecidos como “chapas” em Moçambique, a diabetes é considerada uma doença “silenciosa”. Muitas vezes não apresenta sintomas evidentes, e as consequências manifestam-se a longo prazo, resultando em casos não diagnosticados.

No Dia Mundial da Diabetes, a AICS permanece comprometida em mitigar o impacto desta doença “silenciosa” e, após os resultados obtidos no primeiro projeto, decidiu implementar um novo projeto sobre as DNT, que consolidará os progressos anteriores. O novo projeto concentrar-se-á também nas complicações da diabetes que podem causar incapacidades, oferecendo cuidados e assistência contínuos na tentativa de melhorar a qualidade de vida das pessoas com doenças crónicas.

 

A Colaboração da AICS com as Nações Unidas em Moçambique para o Desenvolvimento Sustentável

No dia 24 de outubro, celebramos o Dia das Nações Unidas. A Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) tem desempenhado um papel crucial ao colaborar com várias agências e fundos das Nações Unidas em Moçambique, contribuindo significativamente para o avanço do desenvolvimento sustentável no país e apoiando a realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Em parceria com as Nações Unidas, a AICS tem desempenhado um papel fundamental em diversas áreas. Em particular, tem prestado assistência humanitária às pessoas deslocadas devido ao conflito em Cabo Delgado, apoiado os esforços de consolidação da paz em Moçambique, auxiliado pequenos agricultores na promoção e comercialização do café, contribuído para a gestão sustentável do Parque Nacional das Quirimbas, fortalecido o sistema de saúde e apoiado na construção da resiliência do país para enfrentar ciclones e inundações.

No sector da agricultura, a AICS em Maputo tem apoiado o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER) nas áreas de segurança alimentar, agricultura e desenvolvimento rural. O foco geográfico das intervenções está principalmente no Corredor da Beira, onde a AICS colabora não apenas com as autoridades locais, mas também com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), e em breve também com o Programa Alimentar Mundial (PAM), com o objetivo de promover o desenvolvimento integrado do sector hortofrutícola e orientar o desenvolvimento do setor de café no Corredor da Beira, que conecta Moçambique ao Zimbábue.

No setor de meio ambiente e acesso à energia, a AICS em Maputo está envolvida na reconstrução resiliente dos distritos de Ibo e Buzi, afetados pelos ciclones Kenneth e Idai, financiando o projeto “Recuperação Resiliente Multidimensional dos Distritos de Ibo e Buzi”, implementado pelo consórcio liderado pela UN-HABITAT em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O projeto promove uma abordagem integrada e sustentável, visando a conservação dos recursos naturais, proteção do património local e capacitação das comunidades locais para enfrentar os impactos de eventos climáticos extremos. Em colaboração com a UNESCO, a AICS tem contribuído para garantir a sustentabilidade da Reserva da Biosfera de Quirimbas, desenvolvendo um Plano de Gestão de Negócios 2023-2032, promovendo a conservação da biodiversidade e oportunidades de negócios sustentáveis.

Em Cabo Delgado, a AICS tem colaborado com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o PAM na prestação de assistência humanitária às pessoas deslocadas devido ao conflito. Isso inclui a oferta de serviços essenciais nos setores de água e saneamento, nutrição e também envolve o engajamento das comunidades para promover mudanças de comportamento relacionadas à saúde, nutrição, higiene e saneamento.

Juntamente com o Fundo de Desenvolvimento de Capital das Nações Unidas (UNCDF), a AICS esta envolvida na realização das actividades do programa DELPAZ – Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz em Mocambique, financiado pela União Europeia, em 14 Distritos mais afectados pelo conflito político-militar na Províncias de Tete, Manica e Sofala, com atenção aos grupos mais vulneráveis, incluindo os beneficiários do processo de Desmobilização, Desmilitarização e Reintegração (DDR) e as suas famílias.  A promoção de uma governação mais inclusiva e do desenvolvimento económico local equitativo e sustentável constituem as principais componentes da intervenção, chaves para a estabilidade socioeconómica das comunidades rurais.

No sector da saúde, em colaboração com o Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNFPA) e outros doadores, a Itália financia o Fundo Comum PROSAÚDE, cujo um dos objetivos principais é reduzir as desigualdades geográficas no acesso aos serviços de saúde, apoiando o processo de descentralização no país.

No 78º aniversário da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas, a AICS mantém seu compromisso de colaborar com as Nações Unidas para garantir o desenvolvimento sustentável de Moçambique, assegurando que ninguém seja deixado para trás.

Participação da AICS na FACIM 2023: Fortalecendo as Parcerias e Promovendo o Desenvolvimento Sustentável em Moçambique

 

A Agência Italiana para a Cooperação ao Desenvolvimento (AICS) esteve presente na 58ª edição da Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que ocorreu em Marracuene de 28 de agosto a 3 de setembro.

O principal objetivo da maior feira do sector privado em Moçambique é mostrar o potencial de produção e exportação do país, bem como promover oportunidades de negócios e investimentos em vários setores, tanto nacionais quanto estrangeiros. O stand da AICS estava localizado no pavilhão da Itália, onde 22 empresas italianas apresentaram a excelência do “Made in Italy”.

Para o evento, a AICS também organizou um programa cultural, com a apresentação de vários projetos e actividades específicas, incluindo o apoio à comercialização do café da Ilha de IBO, a agricultura urbana na Província de Maputo e iniciativas abertas à participação do setor privado para a criação de empregos por meio de novas tecnologias.

No primeiro dia da FACIM, o Director da Sede Regional da AICS em Maputo, Dr. Paolo Sertoli, apresentou um tópico intitulado “A AICS e o Sector Privado: Melhores Prácticas, Oportunidades e Perspectivas“. Durante a apresentação, ele explicou como a AICS, no âmbito dos Fundos Profit geridos pela Sede AICS de Roma, actualmente co-financia três empresas do sector privado, nomeadamente: Carbosink, com atividades centradas na promoção de tecnologias eficientes para o cozimento de alimentos; Newster, com atividades voltadas para promover a gestão adequada de resíduos sólidos especiais no Hospital de Beira; e Novamont com atividades relacionadas ao desenvolvimento das cadeias de valor de hortaliças e frutas. O Dr. Sertoli concluiu sua apresentação afirmando que a parceria da AICS com o setor privado se baseia em três pilares fundamentais: “inclusão, inovação e sustentabilidade“, a abordagem ISI.

Com o objetivo de garantir o acesso à informação para pessoas com deficiência auditiva, a AICS contou com a colaboração da empresa moçambicana REMOTELINE. Os intérpretes dessa empresa forneceram traduções simultâneas em língua gestual tanto para o programa cultural quanto para o discurso de Sua Excelência o Embaixador da Itália em Moçambique, Gianni Bardini, durante o dia dedicado à Itália.

Os mais de 50.000 visitantes tiveram a oportunidade de ver várias cooperativas e empresas que receberam o apoio da AICS, incluindo a Cooperativa de Frutas de Barué, que se dedica à produção e venda de litchi; as Frutas do Revué, especializada na comercialização de frutas desidratadas, como papaia e banana; e a Companhia de Mel de Moçambique, que vende mel de Chibabava, produzido no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural (AID. 9021 – PSSR).

Durante a semana, o estande da AICS recebeu um grande número de visitantes (mais de 200), incluindo jornalistas, empresários, parceiros e estudantes em busca de mais informações sobre a Cooperação Italiana. Entre os visitantes, a visita do Presidente da República de Moçambique, Sua Excelência Filipe Jacinto Nyusi, foi especialmente significativa, pois ele expressou sua gratidão pelo apoio incondicional da Itália ao desenvolvimento sustentável de Moçambique.

 

Promovendo a Educação Acessível: AICS apoia Interpretação em Língua de Sinais na Conferência Nacional sobre Educação de Qualidade

A Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), apoiou e participou activamente na organização da Conferência Nacional sobre Educação de Qualidade em Moçambique, que teve lugar de 24 a 26 de julho em Maputo. Para que as pessoas com deficiência auditiva tivessem acesso à informação, a AICS contratou a empresa moçambicana REMOTELINE. 6 intérpretes da empresa fizeram a tradução simultânea em língua de sinais, durante todas as sessões e mesas redondas, fazendo assim jus ao lema da Conferência “Por uma Educação de Qualidade, Inclusiva e Equitativa, em Prol do Desenvolvimento Sustentável”.

O evento, organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior em colaboração com a UNESCO, foi um espaço para refletir sobre o estado atual da educação no país. Para tal contou com a presença de vários ministérios, doadores, agências das Nações Unidas, sociedade civil e sector privado. S. Ex.a o Presidente da República, Filipe J. Nyusi, inaugurou a cerimónia.

O nosso colega Stefano Marmorato, ponto focal de género e TIC na AICS, participou no dia 25 de Julho numa mesa redonda sobre Educação Inclusiva e Educação de Qualidade. Durante o evento, ele ilustrou como dois projectos importantes financiados pela AICS contribuem à educação inclusiva de forma complementar aos esforços envidados pelo Estado: as escolinhas inclusivas de Gaza (um projecto levado a cabo pela Save the Children) e o projeto Coding Girls (implementado pela ONG italiana CIES). Especificamente sobre o último, destacou o seu objetivo de promover o acesso das jovens moçambicanas à educação científica e da informática, com o propósito de reduzir a disparidade digital entre homens e mulheres. Sublinhou, entre outras argumentações contra a prevalência dos rapazes nas faculdades de informática, que nos anos ’50 e ’60 as mulheres na NASA desempenharam um papel fundamental no trabalho de matemática e programação de computadores que levou à chegada do homem à Lua.

Já sobre as escolinhas em 4 distritos da província de Gaza, o projecto cofinanciado pela AICS visava promover um ambiente favorável ao desenvolvimento infantil nas próprias comunidades, incluindo crianças com deficiências e necessidades especiais, com surpreendentes efeitos positivos desta inclusão em termos de desenvolvimento de capacidades nas crianças que não apresentam deficiências. Para concluir o Dr. Marmorato, enfatizou a necessidade de advocacia a todos os níveis para que modelos de sucesso sejam replicados pelas autoridades em outras partes da Província e do País, bem como de ter uma abordagem holística (adoptada no projecto), intervindo em todas as dimensões de suporte à criança, matizando que “é inútil fazer inclusão sem ter saúde ou registo civil”.

O fundador da REMOTELINE, o Professor Albino Manuel Duvane, sublinhou que as pessoas com deficiência auditiva não têm a possibilidade de “abrir os ouvidos”, sendo assim a linguagem gestual é o único meio através do qual podem obter informações. Isto sublinha que a surdez poderia não ser considerada uma verdadeira desvantagem se vivêssemos numa sociedade baseada em modos de comunicação visuais, em vez do código linguístico fónico-vocal, que é atualmente a norma. Ao garantir a interpretação em Língua de sinais, a IACS assegurou que ninguém ficasse excluído desta importante conferência, promovendo o acesso inclusivo e igualitário à informação.

 

A AICS vai estar presenta na 58ª Edição da FACIM

A Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS)- Maputo vai estar presente na 58ª Edição da Feira Internacional de Maputo, mais conhecida como FACIM. O evento decorrerá de 28 de agosto a 3 de setembro.

O objetivo do evento é de mostrar o potencial de produção e exportação de Moçambique, assim como promover oportunidades de negócio e investimento nos vários segmentos nacionais e estrangeiros. O lema deste ano é “Diversificação da Economia Nacional no Contexto da Integração Continental”. Prevê-se que este ano a FACIM atraia mais de 2500 expositores nacionais e estrangeiros, cerca de 25 países e 450 empresas estrangeiras, distribuídos em 10 pavilhões e espaços livres.

O stand da AICS, número 60, está dentro do pavilhão Itália, organizado pelo ICE (Instituto Comércio Externo, a agência para a promoção e a internacionalização das empresas italianas) que inclui todos os actores italianos, o chamado o “Sistema Itália”.

Neste ano, a AICS, vai organizar uma agenda cultural, na qual os técnicos da agência, vão apresentar diversas atividades, destacando por exemplo o apoio à comercialização do café de IBO, a agricultura urbana em Maputo ou ainda o compromisso da agência com a conservação da biodiversidade. No dia 28 de agosto, no stand da ICE, o Director da Agência, Dr. Paolo Sertoli, fará também uma apresentação intitulada: ‘A AICS e o Setor Privado: Boas Práticas, Oportunidades e Perspetivas.’

Além da agenda cultura, no stand da AICS estará uma exposição de fotografias, vídeos e folhetos ilustrando os projetos implementados pela Agência, nos 5 sectores principais de actuação, sendo eles: a criação de emprego, a saúde, a agricultura, o desenvolvimento urbano e infraestrutura, o meio-ambiente e acesso à energia. O nosso staff, será ainda interativo, uma vez que organizaremos um quizz com os visitantes.

No ano passado, o stand da AICS foi um grande sucesso, recebendo inúmeras visitas, incluindo a do Presidente Filipe Nyusi e do Primeiro Ministro de Portugal, António Costa. Neste ano, contamos novamente com a presença de todos vocês para repetir o êxito do último ano.